Eu me tornei mais seletiva com as amigas, depois que virei mãe

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Outro dia estava pensando nos relacionamentos que uma pessoa tem, e como eles vão te moldando aos poucos (quem já viu Moana sabe que é justamente isso que a avó dela canta, numa das partes mais emocionantes do filme. Pois é, mãe também assiste aos desenhos da Disney, e fica filosofando). Primeiro a relação com pai e mãe, depois com a família mais próxima: avós, tios, primos… Enfim chega a etapa dos amigos, e você percebe que também pode escolher os relacionamentos que terá para o resto da vida. Foi assim comigo, com você, será com nossos filhos. E, puxa, todas essas interações te ensinam algo, mudam o seu olhar sobre a vida.

Imagem: 123RF

Quando eu estava analisando o assunto, comecei a perceber algo que gostaria de dividir com vocês: que a forma com que eu me relaciono com as minhas amigas mudou muito, depois que eu virei mãe. Em vários sentidos, inclusive. Diminuí muito o contato com algumas amigas que não têm filhos: e não foi algo pensado, nem desejado. Mas nossas vidas tomaram caminhos diferentes, e só quem tem um filho sabe que sua disponibilidade muda, principalmente nos primeiros anos do pequeno. Não dá para combinar uma saída no fim do dia, para bater um bom papo. Mesmo aos fins de semana, precisa ser algo rápido, entre as mamadas. Para alguém que mal tem vontade de tirar o pijama, sair para comer uns petiscos parece uma realidade bem distante.

Mas é claro que algumas amigas permaneceram, inclusive algumas sem filhos (aquelas amigas de verdade, que estão por você quando você precisar. Aliás, a maternidade é muito reveladora nesse sentido, porque ela te mostra quem são aqueles bons amigos, que estão com você faça chuva ou faça sol, e que você pode contar nos dedos de uma mão). Também surgiram novas amizades, que partilhavam o mesmo momento que eu vivia: o cansaço por não conseguir dormir à noite, a exaustão de cuidar de um bebê o dia todo, as dicas sobre a melhor marca de fralda. Como era bom encontrar alguém que entendia a solidão materna, o choro baixinho ao lado do berço, a vontade de sumir de vez em quando, e até a culpa por sentir isso, tendo ao lado o maior amor do mundo, que havia nascido da minha barriga.

E com o passar do tempo, com o crescimento da Catarina, mais uma vez vi as amizades mudarem novamente. Porque existe aquela pessoa com quem você adora conversar, que seria uma companhia maravilhosa para uma viagem, por exemplo. Alguém com quem você dá muita risada, que tem o mesmo ritmo mental que você. Mas quando você olha lá no fundo, não divide os mesmos valores, sabe? É aquela pessoa que você adora, por quem sente uma afinidade natural, mas que cria os filhos de uma forma muito diferente da sua. Enquanto você tenta mostrar para sua filha que respeito por todas as pessoas e seres é fundamental, a pessoa acaba sendo um exemplo, para os próprios filhos, de que quem manda é quem tem dinheiro. Ou de que quem vale é X, Y, ou Z, quando você acha que todo mundo tem seu valor e sua beleza. Então você olha tudo aquilo e pensa: é esse o tipo de companhia que eu quero para a minha filha? É nisso o que eu quero que ela acredite, quando crescer?

Aos poucos fui percebendo que as minhas amizades eram também fatores de influência, mesmo que indiretos, para a Cacá. Percebi que os filhos desses amigos seriam as crianças com quem a minha filha também teria contato mais frequente. E se aos 7 anos um filho ainda está embaixo da sua asa, e ainda ouve apenas os seus conselhos, aos 14 a coisa muda de figura – e o grupo passa a ter uma força muito grande. Então eu passei a me perguntar: “qual é o tipo de grupo de convívio que estou proporcionando a ela nesse momento?”.

Acho que com o tempo fui ficando mais seletiva mesmo. Porque algumas discordâncias, que eu achava não serem importantes (até porque eu já era adulta, e sabia que não me influenciariam), são mais do que uma simples bobagem, quando há crianças no meio do caminho. Descobri que o convívio em família, com pessoas que têm valores parecidos com os seus, que entendem a sua história, são um verdadeiro presente a ser cultivado.

E você, me conta o que acha sobre isso? Eu adoraria saber!


 



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Comentários (2)

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  1. daniela coelho disse:

    oi
    eu já havia pensado nisso mas olhando primeiro para as crianças e depois para os pais. Os 5 primos do meu filho (1 ano e 8 meses) com idades entre 3 e 8 anos são todos uns amores. Eles entendem que ele é um bebê, que precisa de espaço, que ele pode cair e se machucar, que el está aprendendo o que é sim e não, o que é dele e dos outros, etc. Isso tudo visivelmente ensinado pelos pais. Achei muito bonita a convivência que tivemos da ultima vez, durante uma semana. Isso ficou bem claro. Já na minha cidade após essa viagem, levei meu filho num parquinho e lá encontrei a esposa de um colega de trabalho com seus dois filhos, um de 4 e outro de 8 anos. Meu bebê se interessou por um brinquedo e o menino de 4 queria pegar, e pegou. Quando meu filho tentava pegar novamente, o menino começou a xingar, empurrar, dizer que ia quebrar a cabeça dele, “vou acabar com esse moleque”, dizia. Fiquei chocada com o comportamento e a linguagem desse menino. E com quem ele aprende esse comportamento? claro que com os pais, ele é tão novinho ainda. E a diferença foi ainda mais chocante por causa dos primos na semana anterior, tão educados, delicados e cuidadosos, e ainda felizes por estarem cuidando de um bebê. Aquilo me marcou muito, e eu realmente evito esse tipo de pais e filhos agora.

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Daniela,

      Entendo muito sem ponto de vista, e concordo com ele.

      Com filhos acabamos ficando mais seletivas mesmo, passamos a evitar certos tipos de comportamento.

      Bjs!

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