Angústia de separação ou grude de mãe?

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Outro dia recebi a mensagem de uma leitora que me fez ter tantas lembranças! Ela comentava que seu filho, ainda  pequenininho (menos de 2 anos), era muito apegado a ela, assim como a Cacá nessa mesma fase. Aliás, o título desse post era exatamente a dúvida dessa mãe: será que seu filho estaria ligado demais a ela? Será que com o tempo ele aceitaria ficar com outras pessoas (pai, avós, etc)? Será que se tratava de angústia de separação ou ela estava sendo responsável por um grude aumentado? Claro que a opinião que dou aqui não é profissional, e sim embasada na minha experiência com a Catarina. E o tempo me mostrou o seguinte…

Quando Catarina nasceu, eu me dediquei totalmente a ela. Fiz questão de assumir os cuidados, e, mesmo podendo ter uma babá, decidi não te-la. Sim, eu fiquei um caco, e acho que com um segundo filho eu faria diferente (ou não, né? Porque você só se descobre mesmo como mãe, quando o filhote sai da barriga). Mas eu estava lá: dia e noite por ela, até porque eu sabia que não teria um segundo filho (para quem não sabe, tive uma dificuldade enorme para engravidar, e vários médicos já haviam dado uma gestação como algo impossível). E eu estava disposta a dar o meu melhor para minha única chance de ser mãe.

Imagem: 123RF

Claro que a Cacá se apegou a mim, mais do que a qualquer outra pessoa. Quando eu estava no ambiente, ela não aceitava o colo de mais ninguém (isso depois de alguns meses. Ao nascimento ela ficava até melhor no colo do meu marido do que no meu). Se o pai, os avós tentavam pega-la, ela se recusava a ficar e pedia para voltar para mim. Vocês acham que era fácil? Não, não era! Porque eu nunca tinha um descanso, pois não conseguia deixa-la alguns minutinhos com ninguém. E porque eu me sentia culpada por ela não ter já naquela idade vínculos fortes (com o pai tinha, mas com os avós… Passei cada “carão” que você nem imaginam!).

Assim como a leitora que me questionou, eu também levantei a hipótese de que houvesse algo de errado com a Cacá, e realmente cheguei a pensar que ela pudesse sofrer de algum grau de autismo. Para piorar, ela falava pouco (com 2 anos ela falava umas 10 palavras somente, muito menos do que a média das crianças da idade). E montava quebra-cabeças como ninguém (alguns de crianças de 5 anos! E com uma rapidez impressionante!). Mas ao mesmo tempo eu me lembrava que, em geral, autistas têm uma dificuldade de socialização generalizada, e não sabem como lidar com suas emoções. Mas comigo a filhota era tão carinhosa! Me enchia de beijos, de abraços! Tratei de afastar o problema da cabeça, porque definitivamente o caso de grude comigo tinha outra causa.

Olhando para trás vejo que Cacá era muito ligada a mim simplesmente porque eu dei o meu máximo. O máximo do meu amor, do meu carinho, da minha atenção. E antes que vocês me perguntem se ela se tornou uma criança insegura, ou dependente, eu digo com todas as letras: NÃO, ela não se tornou. Aos poucos ela foi se abrindo para o mundo, quando se sentiu pronta. Já há um bom tempo ela dorme na casa dos avós (coisa que eu só fazia, na idade, com as minhas irmãs. Mas tinha dificuldade em dormir sozinha), adora os amiguinhos e há poucos meses passou um fim de semana com a melhor amiga da escola. Sem choro, sem me chamar, sem nada. Estava feliz da vida, e completamente independente.

Não sei se o que ela teve foi angústia de separação, ou um grude mais intenso comigo. O que sei é que a progressão para a independência foi natural, e hoje a vejo mais independente do que muitas crianças de sua idade. Os vínculos que ela estabeleceu com o resto da família também são super fortes, só demoraram um pouquinho mais para surgir. A escola ajudou muito (ela entrou com 2 anos e 10 meses), porque a partir dali ela não passava mais o dia inteiro comigo.

Enfim, acredito que, quando você tem consciência desse comportamento da criança e a estimula, respeitando seu tempo e abrindo mão de ter a importância quase que absoluta para seu filho, dá tudo certo. É preciso paciência (sua e das outras pessoas, que também querem seu pedacinho cativo no coração do seu filho), dedicação e desprendimento. Por fim, se você acha (mesmo que bem lá no fundinho) que seu filho pode te amar menos porque aprendeu a amar os outros, fique tranquila. Mãe é mãe, o amor é máximo, e fim de papo.

Veja também: Dicas para lidar com a ansiedade de separação dos bebês


 



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