Ser mãe é mudar seu olhar: em relação ao seu filho, aos dos outros, e até às mães deles!

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Você já reparou como nosso olhar muda, depois que nos tornamos mães? Passa a ser impossível não enxergar uma criança, mesmo que ela não seja sua. O radar de mãe, uma vez ligado, mostra coisas que as pessoas sem filho não conseguem enxergar, e nos torna pessoas MUITO melhores. Quer ver? Então veja a seguir mais um texto lindo da Flávia Girardi, autora do blog Cartas para Alice (aproveita e a siga aqui). Tenho certeza de que você vai se identificar!

Por Flávia Girardi

Fomos ao aniversário do filho de uma amiga outro dia e, enquanto as crianças rodeavam a mesa do bolo, na esperança de pegar um docinho (afinal, a mente delas é bem simples: está lá, é para comer – e não para decorar e tirar fotos!), a irmã da anfitriã terminava de colocar os brigadeiros de copinho. Notei que quatro deles não couberam na decoração (coincidentemente o número de crianças que seguiam atentamente, com olhinhos brilhantes e água na boca, cada movimento dela), e a segui mentalmente, enquanto imaginava o que ela faria com eles. Então, vejam que interessante: ela se virou, levou os brigadeiros para a sua mesa e comeu.

Imagem: 123RF

Eu poderia ter ficado brava, mas ela não fez por mal. Ela simplesmente não viu aqueles pequeninos, com olhar ávido pelos doces, mesmo que todos estivessem ali, à sua frente. E eu fiquei pensando que quando a gente se torna mãe, um “botãozinho” que estava apagado em nosso cérebro é acionado, e a gente passa a enxergar coisas que antes, passavam e só.

Essa lucidez nos abre um novo mundo. Um mundo rico em detalhes. A gente passa a entender que tudo tem seu tempo (e que tempo das coisas não é o tempo que a gente acha que as coisas deveriam ter). A gente passa a ver beleza nos detalhes, uma mãozinha que alcança a boca, um sorriso de vitória porque conseguiu se virar sozinho, um brilho nos olhos porque viu uma borboleta, uma peninha voando no vento ou uma flor. A gente dá valor ao som de uma respiração tranquila (porque sabe a dor que é ouvir um peito chiado). A gente dá valor a alguns minutos de sono (porque eles são cada vez mais raros).

A gente é capaz de se divertir com caixas de papelão. A gente percebe que não precisa sempre do muito – o pouco tem seu valor! A gente entende que basta correr na grama, não precisa ser o dono da fazenda. Que quando faz sol, o dia é lindo demais, mas que quando chove, a gente pode pular pocinhas! Quem convive com crianças sabe, que, na verdade, a gente-que-acha-que-sabe-tudo sabe tão pouco sobre o mundo. Que tem tanta coisa para descobrir! E se por um lado tudo ganha mais cor, por outro, a dor de qualquer criança (e de qualquer mãe) passa a ser nossa também.

Por isso mães são tão solidárias. Quando você menos espera, vem uma delas te ajudando com o carrinho de compras, oferecendo um biscoito pro seu filho (porque vai que ele fica com vontade!), te indicando um pediatra, um dentista, te contando como fez para introduzir aquele tão odiado espinafre nas refeições. Se antes você dormia oito horas (inclusive aos domingos à tarde), agora você nunca mais terá uma noite de sono pesado – e não só nos primeiros meses, em que o bebê acorda milhares de vezes e você se transforma em um zumbi. Mesmo que ele durma tranquilamente (e a noite toda), lá vai estar você: acordando para cobrir, para por as meias, para ver se vazou a fralda ou se simplesmente está tudo bem! Não gosto nem de imaginar quando começar a fase da faculdade, de dirigir sozinha, de sair com amigos e namorado!

Todas essas transformações te ensinarão tantas coisas sobre você mesma! Te darão lições sobre resistência, te mostrarão que você é capaz de se superar. De se doar. Que se doar é uma tarefa difícil, às vezes exaustiva, mas que acompanhar as transformações e as conquistas de um outro ser humano é algo que não tem preço. E se ver no brilho daqueles olhinhos, que te consideram a coisa mais importante do mundo, te dará forças para se tornar uma pessoa melhor e fazer do mundo um lugar melhor.




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