Síndrome do imperador: será que o seu filho está mandando demais?

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Ataques de raiva, pessimismo, introversão em relação a outros da mesma idade, mentiras e muitas, muitas atitudes mandonas. A grosso modo, essa combinação define uma criança com a síndrome do imperador. Como o nome já diz, o problema aparece quando a criança manda demais, seja em casa ou fora dela. E, nesse caso, os pais precisam estar atentos e disponíveis para tomar algumas atitudes, uma vez que o excesso de autoritarismo acaba se tornando apenas o primeiro de uma série de comportamentos ruins – contra os próprios pais, colegas da escola e outras pessoas de seu relacionamento.

Sei que esse é um assunto delicado, mas acredito que o compartilhamento de algumas informações sobre esse tipo de comportamento infantil é fundamental para ajudar as famílias a lidarem com ele. Para quem não sabe, a síndrome do imperador foi descrita pela psicóloga brasileira Lilian Zolet, autora do livro “Síndrome do Imperador – Entendendo a Mente das Crianças Mandonas e Autoritárias”, publicado pela Editora Epígrafe. E, para falar sobre o problema aqui no blog, reuni informações retiradas de uma série de entrevistas dadas pela profissional, em que ela explica como identificar, tratar e também prevenir a síndrome nos pequenos. Vale a pena se informar!

Imagem: 123RF

Como saber se o meu filho tem a síndrome do imperador?

De acordo com Lilian Zolet, as características mais comuns entre as crianças com síndrome do imperador são: frequente postura mandona e ataques de raiva quando suas vontades não são atendidas, pedidos constantes de atenção dos pais, dificuldade para se relacionar com outras crianças, desrespeito às regras (em casa e fora) e tendência a ser pessimista sobre tudo.

Mas o problema também aparece quando o pequeno consegue o que quer. Ao ter uma vontade atendida pelos pais, ele “pode tornar-se vulnerável afetivamente”, como explica a psicóloga, ou seja, acaba pedindo ainda mais atenção e afeto.

Outra característica forte da síndrome é a falta de empatia e inversão de valores. Isso significa que a criança acaba mentindo bastante (especialmente para justificar seu mau comportamento) e acaba, ainda, atribuindo mais valor aos bens materiais do que às pessoas.

Mas por que a síndrome do imperador aparece?

O problema tem sido mais recorrente com o passar dos anos, por conta do tempo cada vez menor que os pais têm para se dedicar aos filhos. Essa é uma tendência da vida moderna, e, antes que você se sinta culpado por isso, deve saber que nem toda criança que tem períodos curtos de convívio com os pais desenvolvem o comportamento. É aí que entra o COMO você interage com a criança.

No caso das crianças que acabam se tornando “pequenos imperadores”, o que acontece é o seguinte: por precisarem se ausentar por longas horas do dia a dia do filho, seus pais buscam compensar sua ausência abrindo mão de certas regras (o famoso “fazer todas as vontades da criança”). Os “nãos” passam a ser menos frequentes – e então a criança cresce achando que tem mais direitos do que deveres, mais liberdade do que responsabilidades.

E como resolver?

Criar crianças não é fácil (eu sei BEM como é), mas o ideal é sempre procurar fazer do ambiente de casa um local onde há regras, e, também, onde o pequeno se sinta seguro (e estipular certas regras, acredite, dá segurança aos pequenos, pois eles sabem exatamente quais serão as consequências de suas ações). Isso significa que os pais não devem aceitar os maus comportamentos dos filhos e muito menos recompensá-los quando agem dessa maneira (pois tudo isso reforça o padrão).

O reforço deve aparecer quando a criança tem um bom comportamento. Assim, ela vai acabar desenvolvendo o discernimento das atitudes boas (que resultam em elogios dos pais) e ruins (àquelas que não vão fazer os pais cederem. Por exemplo: o pequeno está chorando demais porque quer um doce? Procure não dá-lo, enquanto a atitude dele não muda).

Por outro lado, impor limites excessivamente também não resolve, pois a criança acaba se tornando insegura. Por isso, a avaliação dos pais sobre o contexto de uma situação (mesmo que ela gere uma atitude ruim) é fundamental. Pergunte-se nesses momentos: “será que a bronca é mesmo válida ou um diálogo pode resolver?“. E mais: quando os pais gritam e xingam, a orientação e a imposição de limites foge do estágio saudável, e as crianças acabam por sofrer as consequências (mais uma vez vale lembrar – a insegurança é uma delas).

Vale destacar que se as situações com o filhote estão fugindo do limite, é bastante válido procurar ajuda profissional. Como eu disse anteriormente, criar crianças não é fácil – nada fácil. Por isso, se notar que uma orientação com psicólogos pode ajudar, por que não tentar? Todo mundo só vai sair ganhando com isso, afinal, mudar um comportamento ainda na infância é melhor do que fazer o filhote crescer com ele e acabar colhendo consequências ruins ao longo da vida.




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