Dentes permanentes: como ocorrem as trocas de dente e o que seu filho vai achar disso!

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Eu não sei se todo mundo que acompanha o blog sabe, mas antes de ser blogueira eu trabalhei (muitos anos, mais de uma década!) como dentista. E não é que percebi que nunca tinha feito um post sobre a troca dos dentes e a chegada dos permanentes? Só me dei conta disso essa noite, na qual ocorreu um fato muito engraçado: Catarina me chamou dizendo que tinha algo estranho em sua boca. O que era? O dente que caiu! Abriu sua boquinha procurando o “intruso”, levei um susto ao constatar que o problema não era o que estava a mais, era o que estava a menos! E finalmente achei o dente (que já estava dando por engolido) na mão da pequena, que estava meio dormindo, meio acordada!

Esse é o segundo dentinho de Cacá que cai (o primeiro foi outro incisivo central inferior, há dois meses). Posso dizer que ela seguiu à risca o que aprendemos na faculdade de Odontologia: que esses são os primeiros dentes de leite a serem trocados, entre os 6 anos e 6 anos e meio. Mas nos anos em que cliniquei, e agora acompanhando muitas mães por meio do blog, vejo que essa troca tem começado cada vez mais cedo, muitas vezes aos 5 anos.

Imagem: 123RF

Antes de contar em que idade cada dente de leite cai, para a chegada do permanente (se você estiver muito curiosa, corre no fim do post, e depois volta para ouvir a história completa), tenho que dizer que passar pela experiência como mãe foi muito diferente do que eu achava! Como dentista era “pá-pum”: chegavam no consultório as crianças que precisavam ter seus dentes removidos, porque o permanente já havia nascido (e nada do decíduo cair). Era tudo muito rápido: anestesiar, se certificar que a criança não estava sentindo nada e pronto! Em alguns minutinhos o de leite estava na mão. Agora, como mãe… Vi o processo se arrastar por meses, entre o primeiro sinal de que havia algo “mole”e o fato consumado da exfoliação. E foi então que finalmente entendi a dúvida de tantas mães que me falavam: “parece que o dente não cai nunca!”. Pois é, parece mesmo!

Outra coisa que quase ninguém sabe é que os incisivos (aqueles dentes da frente) não são os únicos permanentes que aparecem por volta dos 6 anos. Não! Lá atrás, depois do últimos dentes da criança, aparecem nessa idade outros, grandões, os primeiros molares permanentes! E como nada cai para que eles surjam, todo mundo acha que são de leite (mas não são. E justamente porque são pouco cuidados, são os primeiros a ficarem cariados, e são para o resto da vida!).

Uma outra dica importante, aliás, fundamental: não acredite na velha história que diz que não há problema em deixar os dentes de leite cariarem (“afinal, eles não vão ser trocados?”). E existem muitas razões para isso:

  1. Dente decíduo, o famoso de leite, também dói. E se você não tratar de uma boca com cárie, que se manifesta por meio de  cavidades nos dentes, seu filho vai sofrer! Dente de leite dói, tem canal (pois é, tem sim!), e pode causar um problemão.
  2. Mesmo que seu filho tenha cavidades que não evoluem muito (ou seja, ele tem a doença cárie, mas na forma crônica), sua boquinha está repleta de bactérias patogênicas, capazes de produzir cárie. E quando o permanente nascer nesse mesmo ambiente sem saúde, adivinhe o que acontecerá com ele? Ficará com uma lesão de cárie também, claro! É fundamental que os pais saibam que, logo que o dente surge na boca, ele ainda não está completamente maduro, e vai terminar sua mineralização em contato com a saliva. É nessa hora em que ele está mais susceptível à cárie (por isso, quando seu filho começa a trocar os dentes, é importantíssimo leva-lo para uma consulta odontológica. Se houver algo a ser corrigido para que esse dentinho erupcione de forma saudável, sem cavidades, é a melhor hora de agir).
  3. O dente de leite funciona como um “guia” para o nascimento do permanente correspondente. Isso significa que, se ele cariar e for perdido (às vezes é preciso tirar, infelizmente), o permanente pode erupcionar fora do local correto, causando um problema ortodôntico (que levará seu filho a precisar do famoso aparelho).

E agora, vamos às informações que todo mundo quer saber? Lembrando que essa é só uma referência das idades em que cada dente permanente erupciona:

  • Entre 6 e 7 anos: incisivos centrais inferiores
  • Entre 6 e 7 anos e meio: primeiros molares inferiores, depois os superiores
  • Entre 7 e 8 anos: incisivos laterais inferiores
  • Entre 7 e 8 anos: incisivos centrais superiores
  • Entre 8 e 9 anos: incisivos laterais superiores
  • Entre 9 e 10 anos: primeiros pré-molares inferiores, seguidos dos superiores
  • Entre 10 anos e 10 anos e meio: caninos inferiores (os superiores vão demorar para serem trocados!)
  • Entre 10 anos e meio e 11 anos: segundos pré-molares inferiores, seguidos dos superiores
  • Entre 11 anos e 12 anos: canino superior (que é o último que cai)
  • Entre 11 e 12 anos: segundos molares inferiores (nascem atrás dos primeiros molares, que nasceram aos 6 anos!)
  • Entre 12 e 13 anos: segundos molares superiores (nascem atrás dos primeiros molares, que nasceram aos 6 anos!)

Por fim, ainda podem aparecer os terceiros molares permanentes, os “dentes do siso”, que surgem entre 17 e 21 anos. Mas em muitas pessoas eles não se formam (eu mesma só tinha dois dos quatro, e acabei extraindo).

Um último recado que considero importante: se os dentinhos permanentes do seu filho começarem a nascer, mas os de leite continuarem firmes, procure um odontopediatra. É importante que ele avalie se a extração é necessária, pois algumas vezes essa demora para abrir o espaço de que o permanente necessita pode ocasionar um mau posicionamento dental, que terá que ser corrigido, futuramente, com aparelho. Fazer esse acompanhamento de perto da troca dos dentes é também prevenir problemas posteriores.

Espero que as informações tenham sido úteis para você, e que você curta muito esse momento da vida do seu filho. Por aqui vejo que Catarina está dividida entre o medo da troca, a animação de ganhar um “dente de adulto”, a preguiça de escovar bem um dentinho mole (que incomoda, por isso os pais precisam ficar em cima, incentivando uma boa higienização), o sonho da espera da fada do dente… É muito bonito, e acompanhar esse desenvolvimento do filhote é um verdadeiro privilégio que temos!




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