Infertilidade: o que você realmente precisa saber se não está conseguindo engravidar

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Eu não sei se vocês têm a mesma impressão, mas eu tenho visto muitas famílias com dificuldade para engravidar. Várias acabam conseguindo ter filhos sem tratamento depois de uma longa espera, outras depois de algumas tentativas de inseminação ou fertilização in vitro, e algumas não conseguem mesmo a tão sonhada gravidez.

Para falar sobre essa questão tão atual, a infertilidade, eu trouxe no post de hoje uma entrevista com o Dr. Rodrigo da Rosa Filho, especialista em reprodução humana. A seguir algumas das dúvidas mais comuns de quem não consegue engravidar, respondidas por ele. Vale MUITO a leitura, porque são informações relevantes (principais fatores causadores da infertilidade, dificuldade para engravidar do segundo filho, prevenção de problemas para engravidar, e mais), respondidas por quem de fato entende do assunto!

Imagem: 123RF

1) A infertilidade dos casais parece ter aumentado nas últimas gerações. Ouvimos freqüentemente histórias de famílias que tiveram dificuldade para engravidar, apesar dos avanços da medicina e das técnicas de reprodução. Essa tendência é real e pode ser quantificada em números?

A infertilidade aumentou consideravelmente devido, principalmente, ao aumento da idade que as mulheres começam a tentar engravidar. Como sabemos, a mulher nasce com todo estoque de óvulos e ao longo da vida, o estoque diminui e os óvulos perdem qualidade.

Há algumas décadas, a maioria das mulheres já eram mães antes dos 30 anos e atualmente, com a mudança social em que as mulheres buscam estabilidade financeira e crescimento profissional antes da maternidade, a idade média da gestantes é maior.

Além desse fator, as principais doenças e hábitos de vida nocivos que ocasionam infertilidade estão aumentando, como endometriose, obesidade, tabagismo, má-alimentação com produtos industrializados e com exposição a poluentes ambientais.

Atualmente, 1 em cada 7 a 8 casais apresentam infertilidade e os tratamentos de reprodução assistida aumentaram em 400% nos últimos 10 anos.

 

2) Em relação à infertilidade, pode-se dizer que a maioria dos problemas está relacionado ao sexo feminino, ou masculino? Quais são os problemas mais frequentes? Quando uma mulher ou um casal devem desconfiar de problemas de infertilidade? Como proceder nesse caso?

As causas de infertilidade são bem distribuídas entre o casal, sendo que em 30% dos casos o fator é feminino e 30% é masculino. Em cerca de 30% dos casos os problemas podem ser tanto do homem quanto da mulher. O restante é desconhecido.

A infertilidade pode ser definida quando o casal não obtém sucesso em engravidar após seis meses de tentativas – ou seja, relações sexuais frequentes sem nenhum método contraceptivo. Em casos especiais – por exemplo, quando a mulher tem mais de 35 anos.

Quando isso ocorre, é o momento de procurar ajuda profissional para descobrir as causas e decidir qual o tratamento adequado. Uma das técnicas de reprodução mais conhecidas é a fertilização in vitro, realizada em laboratório com preparo do sêmen e dos óvulos. 

Quando os médicos optam pela Fertilização In Vitro:

 

Endometriose grave

Doença ginecológica benigna na qual as células que normalmente recobrem o interior do útero, chamadas endometriais, são encontradas fora da cavidade uterina. As células do endométrio descamam todos os meses e são eliminadas com a menstruação – as externas ao útero se fixam em outros locais e são chamadas de implantes de endometriose.

A doença acomete aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva – e raramente encontrada em mulheres durante ou após a menopausa. O risco parece maior nas mulheres com a primeira gestação tardia. Estimativas sugerem que aproximadamente 20 a 50% das pacientes que realizam tratamento para infertilidade têm endometriose e que 80% das pacientes com dor pélvica também possam ter a doença.

“A endometriose dificulta ou impede a gestação espontânea por alterar a arquitetura da cavidade pélvica, além de afetar negativamente a função dos órgãos do aparelho reprodutor devido a produção de citosinas inflamatórias”, relata o especialista.

 

Síndrome de ovários policísticos

A Síndrome dos ovários policísticos (SOP) é caracterizada por alterações hormonais que impedem a gravidez de forma natural. Essas alterações promovem a ausência de ovulação, trazendo irregularidade nos ciclos menstruais. A SOP afeta de 6% a 10% das mulheres em idade reprodutiva – representa cerca de 30% dos casos de infertilidade conjugal. 

Geralmente, as mulheres com SOP apresentam ciclos menstruais com intervalos maiores de 35 dias e muitas só menstruam após uso de medicamentos. Além das alterações nos ciclos menstruais, a SOP ocasiona alterações da pele (acne e hirsutismo) e alterações metabólicas importantes (obesidade, diabetes e risco de câncer de endométrio).

 

Fator tubário

O fator tubário corresponde por 30% a 40% dos casos. As principais causas de danos às tubas ocorrem devido a processos inflamatórios que podem decorrer de doenças ginecológicas, cirurgias ou infecções. Com o problema, a tuba apresenta obstruções que impedem o encontro do espermatozoide com o óvulo:

  • A doença inflamatória pélvica ocorre pela infecção de bactérias que são transmitidas sexualmente, tais como a clamídia e o gonococo. Muitas vezes essas infecções são assintomáticas e ocorrem alterações nas tubas, prejudicando seu adequado funcionamento. 
  • Além das bactérias, a endometriose já citada e a tuberculose também podem causar alterações nas tubas, assim como aderências pós-cirúrgicas, que criam obstruções.

 

Varicocele

A varicocele é a principal causa de infertilidade masculina. Ela é caracterizada pelas varizes das veias do plexo pampiniforme na bolsa testicular. “Nessa situação, há um aquecimento dos testículos e aumento da produção de radicais livres, prejudicando a produção normal dos espermatozoides.”, explica o médico.

 

3)   Existem problemas de infertilidade para os quais a medicina ainda não tem uma resposta?

Sim. Em cerca de 10% dos casos de infertilidade não são encontrados possíveis fatores.  Para definirmos que se trata de ISCA (infertilidade sem causa aparente), é importante uma ampla investigação feminina e masculina. Mas geralmente nesses casos os casais conseguem engravidar através da fertilização in vitro. Em apenas 3% dos casos o casal é considerado estéril.

 

4)   É comum ouvimos relatos de mães que tiveram uma primeira gestação ocorrendo de forma fácil, mas que não conseguem engravidar do segundo. Quais são as prováveis causas para isso?

A infertilidade secundária apresenta como principal causa o envelhecimento dos óvulos, além de doenças relacionadas aos hábitos de vida, como obesidade, sedentarismo, tabagismo, entre outros, que pioram ao longo do tempo a fertilidade.  

Algumas doenças como varicocele (no homem) e endometriose (na mulher) apresentam progressão e podem não afetar a primeira gestação, mas após alguns apresentar impacto na fertilidade.

 

5)   Existe alguma forma de prevenir a infertilidade?

A indicação é que as futuras mamães tenham uma alimentação adequada, pratiquem exercícios, evitem cigarro, não tenham excesso de peso ou abusem de álcool. “O tabagismo, por exemplo, pode adiantar a menopausa em até 5 anos, diminuem a chance de gravidez na fertilização in vitro em 30% e aumenta em 40% o risco de aborto e parto prematuro. Mas um erro é imaginar que, pelo fato de cuidar da sua saúde, os ovários não envelhecem.

Regularmente, as mulheres devem fazer uma avaliação médica da reserva ovariana e conferir as taxas de alguns hormônios. O mais importante deles é o antimulleriano, que mostra como está a reserva ovariana. Esse hormônio deveria ser dosado em todas as mulheres acima dos 30 anos e que ainda pretendem engravidar no futuro, fazendo parte do check-up da fertilidade e também da rotina ginecológica. É possível verificar o potencial fértil da mulher por outros métodos como pela dosagem dos hormônios FSH no início do ciclo menstrual ou a contagem dos folículos dos ovários ao ultrassom pélvico.

* O médico Rodrigo da Rosa Filho é especialista em reprodução humana. Graduado em medicina pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp/EPM), é membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) e da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo (SOGESP), e co-autor/colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da SBRH e autor do livro” Ginecologia e Obstetrícia- Casos clínicos” (2013). Contato: (11) 4323 4462.




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