Educar não é fácil (aliás, só fica mais difícil)

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Outro dia me peguei com saudade da época em que Catarina era bebê. Por incrível que pareça, eu pensava nos dias em que ela jogava o brinquedo no chão, mil vezes, sem cessar, até que eu cansasse e o tirasse de sua mão. E também nas crises de birra, em que a filhota se jogava para trás aos berros, porque sua vontade não havia sido satisfeita. Então eu pensava: “até que aquela fase foi fácil…”.

Agora, aos seis anos, a coisa mudou completamente de figura. Se eu cheguei a duvidar que ficaria um mísero dia sem ouvir choro de criança, agora sei que essa data chega. Claro que Cacá ainda faz manha, mas decididamente não é como aos dois ou três anos. Ficou mais fácil dialogar, explicar, chegar a um consenso, mesmo que de vez em quando ela feche a cara, mostrando que não gostou de alguma decisão que tomamos.

Imagem: 123RF

Mas lembra que eu disse no início do post que me sentia saudosa? É verdade! Porque se por um lado os rompantes emocionais diminuíram, hoje eu luto contra a esperteza – que já entendeu como fazer para fugir da bronca, como mascarar aquilo que fez de errado. Hoje eu tenho que estar duplamente atenta para mostrar valores, dizer que algo não está certo e que ela precisa corrigir.

Hoje, por exemplo, a pequena chegou em casa dizendo que não havia devolvido os livros da biblioteca da escola, porque eu não havia colocado em sua mala. Disse com jeito sério, me cobrando mesmo! Aí uma luzinha vermelha acendeu na minha cabeça:”ops, mas de quem era a responsabilidade de arrumar a mochila?”.

Só que havia um segundo ponto: eu tinha ajudado a organizar o material, e estava certa de que os tais livros estavam lá dentro. Batata: foi só olhar no fundinho e ver que eles sorriam para mim. Mostrei para minha filha, disse que ela havia se enganado, mas que ela precisava entender que a responsável por aquelas tarefas (a de arrumar a mala e devolver os livros) era ela. Meio a contragosto, ela aceitou o que eu dizia.

“Então você devolve amanhã, filha”. Peça desculpas, e vá até a biblioteca na hora do recreio. “Mas, mãe, só eu vou perder o parque por causa disso? Todo mundo vai brincar e eu não? Vou devolver na semana que vem, quando tivermos aula lá, aí eu aproveito e levo”.

“Pois é, filha, você vai ter que devolver amanhã, sim, mesmo que isso signifique perder o recreio. Porque quando a gente erra, o mais importante é consertar o que a gente fez, e o mais rápido possível. Você, mesmo sendo criança, já tem algumas coisas sob sua responsabilidade: sua lição de casa, os livros que você pega emprestado, mas precisa devolver um uma data determinada. Entende?”.

Teve um chorinho, um medo de não lembrar de devolver os livros amanhã, uma tristezinha por saber que vai perder a companhia dos amigos no recreio. Eu poderia simplesmente ter dito: “tudo bem, então, devolve na semana que vem”. Mas não é o certo. E se eu não mostrar isso agora, será muito mais difícil ensinar mais tarde.




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