80% dos kits berço são reprovados em teste

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Muito mais do que a questão estética, escolher um kit berço envolve cuidados fundamentais, como a segurança e o bem-estar da criança. Apesar de contraindicado por pediatras em função do risco de sufocamento do bebê, o kit berço continua sendo amplamente utilizado pelas mamães, para decorar o quarto dos pequenos. Existem modelos menos “fofos”, com almofadas mais firmes – e com menor chance de provocar a síndrome de morte súbita. Por esse motivo, devem ser a opção de escolha para quem faz questão de manter o item no enxoval do filhote.

Imagem: 123RF. Bebê na técnica do ninho dentro do berço

Além disso, outro ponto deve ser observado na compra de um kit berço: é importante que as peças que o compõem sejam feitas em algodão, material que evita alergias e outras reações. Tanto é que, quando você sai à procura de kits berço, nota que boa parte desses produtos apontam na etiqueta a composição de 100% desse tecido – o que realmente seria o mais indicado.

Contudo, o Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (IPEM – SP), de acordo com análise divulgada recentemente, alerta: boa parte dos fabricantes de kits berço estão incluindo altas quantidades de poliéster nas peças, apesar de afirmarem na etiqueta que os produtos são feitos totalmente de algodão.

A entidade analisou 20 amostras de kits berço (compostos por lençol, fronha, edredom, protetor com cabeceira e laterais) de produtores de pequeno, médio e grande porte do estado de São Paulo, e que também comercializam seus produtos para outros estados. O material foi analisado em laboratório e, do total de itens coletados, 80% (ou seja, 16 kits) foram reprovados.

Foram constatados, inclusive, casos graves, de produtos compostos por quase 50% de poliéster, embora a etiqueta indicasse que toda composição da peça era de algodão. Apenas quatro kits, entre os 20 analisados, demonstraram de fato a composição descrita pelo fabricante. Você pode conferir a lista completa aqui.

Qual o problema do poliéster?

Fibra sintética derivada do petróleo, o poliéster é um potencial gerador de reações alérgicas no bebê. E o pior: nem sempre em uma primeira ida ao pediatra, com o pequeno apresentando reações alérgicas (como vermelhidão pelo corpo), o profissional desconfia de um problema relacionado ao kit berço. Assim, pode acabar recomendando medicamentos e medidas que não surtirão efeito. Por isso, vale a máxima: quanto mais novo o bebê, maior deve ser a preferência por tecidos naturais, como o algodão.

Vale destacar também que outro agravante do poliéster é o fato do material dificultar a transpiração, diferente do que ocorre com o algodão (que “respira”). Ou seja, o bebê transpirará mais em um berço com peças de poliéster (o que também facilitará a ocorrência de brotoejas).

E quais os meus direitos?

Quando o fabricante anuncia que o produto é feito de uma composição diferente daquela que realmente compõe o item, o fato pode ser classificado como ato de má fé (a famosa propaganda enganosa, segundo o Código de Defesa do Consumidor (CMC)).

Diante disso, de acordo com recomendações do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o cliente pode entrar em contato diretamente com o fabricante (de preferência por escrito) exigindo providências; e tem o direito, segundo o CMC, de que o fabricante cumpra exatamente o que foi ofertado; ou que ofereça outro produto ou serviço equivalente ao adquirido; ou ainda à rescisão do contrato e à devolução do valor pago, acrescido da devida correção monetária.

Caso o consumidor não tenha sucesso com essa tentativa, a próxima saída é recorrer a órgãos especializados para fazer a reclamação, como o Procon.




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