A tal da tosse que não passa (e sobre a influência das emoções em uma criança)

Por 8 Comentários


Tenho que começar esse post dizendo que a vida é muito mais complexa do que a gente sonha antes de ter filhos. Sabem aquela pessoa que acredita que dois mais dois é igual a quatro sempre? Que se você seguir por um caminho X, sempre vai chegar em Y? Pois é, essa era eu, até bem pouco tempo atrás. Só que aí Catarina nasceu, e eu percebi que as coisas não funcionam assim. E mais, eu aprendi a notar os acontecimentos que estão nas entrelinhas, e que muitas pessoas nem acreditam que existam (só que eles não só existem, como podem ter uma influência enorme).

Precisei falar assim para explicar uma certa tosse de Catarina que não passa. E olha que eu tentei de tudo: mel, inalação, soro fisiológico no nariz, até os antialérgicos que o pediatra receitou. Sim, eu sei que essa tosse é alérgica, e com os medicamentos ela melhora por alguns dias, mas acaba voltando uma semana depois.

Imagem: 123RF

Seguimos já por três meses com esse sintoma, e mais alguns que demostram como a Cacá anda com muita alergia: a dermatite atópica piorou (no verão é normal que isso aconteça, mas no ano passado, por exemplo, ela ficou sob controle), e se instalou uma rinite que dá até dó, porque ela passa o tempo todo coçando o nariz. Aí muita gente pode me perguntar: “mas será que não é algo na casa nova?”. Do jeito que estamos, sem muitos móveis, sem cortinas, sem tapetes, eu duvido muito. Até poderia colocar a culpa no ar – afinal, saímos de um condomínio cheio de árvores para outro, ao lado de duas grandes avenidas. Só que a tosse começou antes da mudança, e não sarou no período em que estivemos fora de São Paulo (que foram algumas semanas durante as férias).

Tudo isso me leva a crer que existe uma outra causa em ação, e que não está relacionada à alimentação (porque a pequena continua comendo exatamente como comia, antes que vocês me perguntem), nem a qualquer outro fator do ambiente externo. Sinceramente, depois de pensar e analisar muito, eu concluí que essa tosse é emocional. Que dentro daquele corpinho, provavelmente em função da mudança de casa, de escola, de amigos, está tudo uma bagunça. E como a pequena não tem muita opção, acaba reagindo dessa forma, com alergia por todos os poros.

Achei que seria legal falar sobre isso porque eu tive asma na infância, e por muito tempo acreditei que essa doença fosse puramente “química”, causada por fatores genéticos que levam suas células a responderem de determinada maneira. Eu sempre procurei as causas de doenças fora, e não dentro. Mas agora, observando minha filha, eu concluo que o interior afeta muito! Claro que existem tendências genéticas que você herda dos seus pais (minha família inteira é de asmáticos, por exemplo), e que deixam mais propenso a demonstrar algum sintoma, mas não dá para ignorar o efeito das emoções.

Outro dia o pediatra de Cacá comentou que queria fazer os testes alérgicos para saber o que está deflagrando sua alergia. Na hora em pensei: pode ser até que o teste de sangue diga que é o pó, o pelo do gato da vizinha, ou o produto químico de limpar a cozinha. Mas certamente tudo ficará mais intenso enquanto a filhote estiver resolvendo os sentimentos dessa fase de transformação.




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Comentários (8)

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  1. Georgia Picelli disse:

    Adorei seu post, especialmente por tocar em um assunto que realmente passa despercebido por muita gente,inclusive por medicos. Tenho rinite alergica e todas as vezes em que me emociono muito (o que pra nös maes não é nada raro) tenho acessos de espirros repetidos, e falta de ar. Quando me acalmo e aceito as situacoes tudo melhora. Com minha filha de 4 anos percebo tb que sua asma resolve dar o ar da graça todas as vezes em que algo importante acontece aqui em casa…
    Ser mãe também é ser um pouco médica… realmente, muitas vezes ninguém melhor que nós maes pra acertar um diagnostico…

  2. Mariana Jorge disse:

    Oi, Nívea, tudo bem? Sou mãe de um menino de 3 anos e estou aqui por preocupação de mãe rsrs sabe como é… Meu Lucca está com uma tosse que dura mais de uma semana, já recorri a medicamentos receitados pelo pediatra… não satisfeita comecei a medicar com dicas naturais, como vi nesse site
    trocandofraldas, mas não passa e lendo esse seu post, me liguei que Lucca começou com a tosse depois que voltou para a escolinha e aí pensando, realmente deve ser uma coisa bem maluca ter de sair de uma rotina com a família e voltar para a escola, mesmo tendo os laços com as tias e amigos. Obrigada pelo post 🙂 Amei o blog e vou procurar quem sabe uma ajuda especializada…

  3. Fabíola Pisetta disse:

    Oi Nívea,
    Pra mim faz TODO o sentido. Não só para as crianças, mas também para os adultos. Acredito que todas as nossas doenças vem de traumas e estados emocionais.
    Dá uma pesquisada em Reprogramação Biológica do Dr. Hamer. , nos livros da Cristina Cairo, em Microfisioterapia e em TOQ (sobre este último existem alguns vídeos no YouTube) São todas abordagens que tratam o físico através da compreensão do emocional e do psicológico.
    Acredito ainda, que de acordo com o que Laura Gutman diz no livro A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra, muitos dos sintomas dos bebês quando são bem pequenos, ainda na fase fusional, podem vir dos sentimentos e traumas da mãe.
    Melhoras para a sua pequena. Talvez ajude, se vc conversar com ela sobre isso. Dizer que talvez ela esteja com tosse por estar se sentindo insegura com todas as mudanças. Trazer os motivos a luz costuma ajudar a curar os sintomas.
    Beijos pra vcs

  4. Julia disse:

    Olá Nívea, acho bastante interessante essa abordagem de certos sintomas e até mesmo doenças terem princípios em questões emocionais. Mas no caso da sua filha, você já ouviu sobre alergia à proteína do leite de vaca? Esses sintomas que você relatou tem tudo a ver com APLV. Sugiro que pesquise sobre, quem sabe você encontre a cura pra tudo isso que sua filha apresenta.
    Abraços e parabéns pelo blog.

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Julia, tudo bem?

      Sim, já investigamos uma possível alergia a leite, já excluímos da dieta por um tempo, mas não tivemos melhora. Mas esses sintomas também não são constantes, eles aparecem esporadicamente, por isso acredito que não estejam ligados à dieta.

      De qualquer forma, fica como alerta para outras mães, obrigada!

      Beijos!

  5. Denise disse:

    Gostei do post e reforço ainda mais , conforme já ouvi de uma psicologa : o emocional da mãe até os 7 anos de idade da criança também é um fator de influencia. As angustias , as pressões , o estresse … tuedo o que a mãe sente passa pro filho . Com meu filho são pequenos tiques nervosos , a rinite … Desde que ouvi isso, tento me acalmar , tento fluir bons pensamentos quando estou com ele , para realmente “estar” com ele .

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Denise, acredito muito nisso! Já notei que Catarina é uma esponja, e que meu estado de espírito influencia, sim, sua saúde. Obrigada pela mensagem! Beijos!

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