As coisas que eu deixei de fazer depois que virei mãe (será que você também?)

Por 8 Comentários


Outro dia, em uma rodinha de amigas, uma futura mamãe de quem sou bastante próxima me perguntou se eu sentia falta da fase anterior à maternidade. Eu, que costumo ser bastante sincera frente a uma questão como essa, respondi que sentia saudade de muitas coisas que deixei de fazer depois que virei mãe, mas que não trocaria o amor da minha filha por nenhuma delas.

Claro que houve um rebuliço na hora: “mas como, Catarina tem cinco anos e ainda há coisas que você deixou para trás? Você não acha que ela está bem grandinha para te impedir de fazer algo?” – foram alguns questionamentos que me fizeram naquele momento. Mas ao invés de ficar irritada, como vocês podem imaginar que eu tenha ficado, simplesmente me limitei a dizer: “quando vocês engravidarem, voltamos a conversar”.

É difícil para uma mulher sem filhos entender que a maternidade é uma escolha que envolve muitas esferas: a questão não é apenas ter ou não um bebê, é saber que essa nova vida não é compatível com hábitos e atitudes que até então eram muito normais para você. Mas se por um lado você se despede de muita coisa boa (como a capacidade de dormir oito horas seguidas sem um mínimo despertar), também deixa para trás algumas situações que não eram positivas: você cresce, amadurece e melhora muito!

A seguir eu compartilho com vocês uma listinha, com a qual talvez vocês se identifiquem (e vejam que lá eu não falei sobre deixar de ir ao banheiro sozinha, ou comer um prato quentinho – coisas que deixei de fazer por um tempo, mas que agora já consigo fazer novamente! Que avanço!). Vem ver:

Imagem: 123RF

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As coisas que eu deixei de fazer depois que virei mãe:

1 – Eu deixei de dormir como uma pedra. E olha que eu dormi assim até Catarina nascer, literalmente! Mesmo na gravidez, eu deitava a cabeça no travesseiro e me esquecia da vida (para me acordar, precisavam tocar um trombone ao meu lado!). Agora, basta uma tosse para que eu já esteja alerta, como se fossem 10h da manhã!

2 – Eu deixei de comer o último pedaço do bolo. Ou pelo menos deixei de fazer isso quando vejo que a pequena está namorando o bolinho com os olhos. Mesmo que a vontade seja a de atacar o prato, você dá tchau para aquele delicioso pedacinho de céu e o entrega para o filhote. Mas não recusa um mordidinha, se ele oferecer de bom grado.

3 – Eu deixei de entrar em um avião sem olhar para trás. Não que eu tenha medo de voar agora, mas eu confesso sentir um certo friozinho na barriga, pensando no que aconteceria se aquele bendito não pousasse. E quando viajo apenas com meu marido, deixando a pequena para trás, juro que a vontade é marcar dois voos diferentes! Só para assegurar que um volta para ficar com a pequena (neura de mãe! Depois você segue em frente e dá tudo certo!).

4 – Eu deixei de me importar (muito) com uma casa bagunçada. Porque das duas, uma: ou você morre louca, tentando colocar os brinquedos do filhote em ordem, eu aceita que uma certa “baguncinha” faz parte da felicidade de ter um criança pequena em casa.

5 – Eu parei de comer junk food duas vezes por semana. Pois é, minhas caras, eu comia muita besteira antes de ser mãe! Tinha dois empregos, e entre um e outro passava no drive-thru sem peso na consciência! Mas depois que a filhota nasceu, parei de fazer esses absurdos, por vários motivos. Em primeiro lugar, porque o corpo muda (e sua barriga passa a acumular uma quantidade de gordura que você duvidava ser possível!). E depois pelo exemplo, porque você sabe que, para seu filho comer bem, você precisa mostrar a ele como fazer!

6 – Eu deixei de olhar apenas para o meu umbigo. E acredito que esse seja o maior presente da maternidade! Se você tem filhos, pense bem: quantas vezes colocou outra pessoa em primeiro lugar, e realmente se sacrificou por ela? E depois que o pequeno nasce, não passou a fazer esse exercício diariamente?

7 – Eu deixei de me irritar com as crianças dos outros. Seja em um restaurante, dentro de um ônibus, ou mesmo quando você vê um pequenino fazendo birra dentro do shopping: você adquire uma capacidade formidável de deixar o som entrar por um ouvido e sair pelo outro. É questão de sobrevivência, porque do contrário você não aguentaria os primeiros meses (ou anos) do seu filho.

8 – Eu parei de assistir à novela. E olha que eu era a maior noveleira desse planeta! Mas com uma criança pequena em casa, como deixar passando na TV cenas que estão cada vez mais quentes? Perdi mesmo o hábito, e acabei substituindo por séries do Netflix, que eu ligo e desligo quando o tempo extra-maternidade me permite!

9 – Eu deixei de tirar férias. Porque, cá entre nós, descanso é coisa para quem não tem filho. Se você trabalha em casa, com filhos passa a trabalhar dobrado. E se trabalha fora, descobre que ficar em casa cuidando de criança pode ser MUITO mais cansativo do que ir para o escritório!

10 – Eu deixei de duvidar de mim mesma! Porque quando você tem um filho, há horas em que precisa se virar sozinha. E não importa se é para decidir se você leva ou não para o hospital, se dá ou não o remédio, ou se precisa carregar carrinho, bolsa do bebê, a criança e mais quatro pacotes escada abaixo, sem ajuda. Você descobre que é forte, e que é capaz de ir até o fim do mundo para fazê-lo feliz, e esse aprendizado é duro, mas incrivelmente importante!




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Comentários (8)

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  1. Tatiane disse:

    Realmente ficar em casa com os filhos cansa muito mais que trabalhar fora.
    E não importa a idade dos pequenos cada fase é um tipo de cuidado, são muitas coisas que nem imaginamos até que chega a hora, como tarefa de escola e coleguinhas maldosos, isso vai muito além dos 5 anos deles, mas é realmente maravilhoso.

  2. Tatiana disse:

    Adorei o texto. Todos os itens enumerados são super reais, principalmente o sono, que se torna incrivelmente leve, e as férias com as crianças, que de férias mesmo têm pouco! O ideal seria tirar férias depois das férias, rsrsrs.
    Obrigada pelo texto que, de certa forma, é confortante, como o amor que sentimos pela nossa cria. Um beijo!

  3. Giselle disse:

    Olha, concordo com tudo, inclusive com a parte lá em cima sobre ir ao banheiro sozinha. Em alguns sábados consigo que o marido fique com a bebê para eu tomar um banho sozinha. É a minha hora “minha”na semana. Aliás… Hora não. 15 minutos e ele já está batendo na porta e reclama se lavei os cabelos (demora pra pentear). Mas ok.
    Mas ressalto um ponto no seu texto. Descobrimos que somos fortes. Fisicamente. Psicologicamente. A gente vira super herói se necessário. A gente não sabia dessa capacidade antes. E isso vale ouro.

  4. Cláudia disse:

    Suuuper adorei seu texto! Estava pensando exatamente isso! Como a gente muda, e o que parece para uma pessoa que ainda não tem filhos uma loucura, para nos, não Trocamos por nada! Viva a maternidade !

  5. Viviane disse:

    Eu deixei de ter hora para tudo. Antes tudo na minha vida tinha um tempo determinado para acontecer, agora eu não tenho mais hora para nada, já me vi jantando a meia noite escovando os dentes só após o meio dia e tomando banho só no dia seguinte por falta de tempo com o bebê, kkkkkkk.

  6. Re disse:

    Esse texto me trouxe muito conforto psicológico, sou mãe e às vezes me achava egoísta por sentir tanta falta das coisas que eu fazia antes, hoje não durmo sem acordar durante a madrugada, não saiu para jantar fora, não vou viajar com tanta frequência, não assisto à novela, não vou ao cinema, rsrsrs são muito coisa que me ajudava a relaxar, e repetindo eu me sentia muito mal por sentir falta de tudo isso, mas eu sempre procuro pensar quando eu chegar do trabalho vou ganhar muitos sorrisos, beijos e abraços. Eu tenho um grande companheiro ao meu lado mas não temos como revezar pois sou mãe de gêmeos.

  7. Luciana disse:

    Gente, perfeito!
    Me identifiquei!

  8. Daniela Cerdeira disse:

    Bem verdade tudo isso aí
    Não entendia como maternidade era o sonho p alguém se implicava em tanta renúncia pessoal
    Mas a transformação que acontece na gente é inexplicável
    Eu adicionaria na lista que depois de um tempo julgamos um pouco menos, eu acho pelo menos, mas acabamos nos culpando mais

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