Vamos falar (sinceramente) sobre sexo depois do parto?

Por 0 Comentários


Existe um assunto que é de grande interesse das mães que acompanham o blog, embora não haja muitos comentários sobre ele: o sexo no pós-parto. Eu sei disso porque recebo várias mensagens de leitoras que gostariam de conversar sobre a questão, de uma maneira mais reservada. E foi por isso que eu resolvi fazer esse post, porque tenho certeza de que ele pode ajudar muitas mulheres nessa fase tão delicada, que ocorre depois do nascimento do bebê.

Dúvidas como “quando poderei retomar minha vida sexual?”, “É normal sentir algum desconforto?”, “Como meu marido pode ajudar nessa etapa, para que eu me sinta melhor?” são muito comuns – ou seja, não se sinta mal por pensar assim também, é absolutamente normal! E para nos ajudar com as respostas, conversei com uma especialista no assunto, a Dra. Graziela Artico, médica ginecologista e sexóloga, em um papo muito franco. Venha conferir (talvez em nenhum outro lugar você encontrará informações tão diretas e esclarecedoras):

Imagem: 123RF

Imagem: 123RF

Conversando com diversas mães, percebi que nem sempre é fácil retomar a vida sexual após o nascimento do bebê. Muitas de suas pacientes chegam a conversar sobre isso?

Dra. Graziela: Sim, no dia a dia do médico sexologista, ouvimos muitos relatos das dificuldades sexuais. E percebemos que elas têm várias causas: crenças errôneas, tabus, medos e até mesmo certas patologias. O que nem todo mundo sabe é que o pós-parto, assim como a menopausa, é um período que evidencia problemas sexuais: ao longo do período puerperal, até 86% das mulheres apresentam queixas relacionados ao sexo, sendo mais frequente a dor durante o ato sexual.

Com a maternidade, ocorrem diversas mundanças na mulher e no seu relacionamento com o parceiro. Acontecem alterações anatômicas no seu corpo, psicológicas e sociais, e um turbilhão emocional. Num contexto geral, ocorre uma reestruturação familiar, que, por vezes, inclui a perda e/ou diminuição da intimidade do casal, que de certa forma agrava a dessexualização da mulher, agora mãe.

 

Quanto tempo depois do parto essa mulher pode retomar sua vida sexual? E quais as maiores dificuldades que encontra?

Dra. Graziela: Geralmente por volta da 6a semana do pós-parto, findado o puerpério (42 dias,) pode-se retomar ao ato sexual propriamente dito. E nessa fase muitos são os medos e as dúvidas!

A dor durante o ato sexual/dispareunia é a principal disfunção sexual no puerpério, comprometendo o desejo, a satisfação sexual e a frequência das relações sexuais. Ela ocorre devido às alterações hormonais da gestação, puerpério e da amamentação, podendo ser somada a agravos da via de parto – e pode até levar à perda do interesse pela atividade sexual.

 

A percepção sobre o próprio corpo muda muito depois do parto. A barriga demora a voltar ao normal, há flacidez, algumas vezes estrias e a cicatriz de uma cesárea. O que pode ser feito para que a mulher se sinta à vontade com isso e com a reação do parceiro a essas mudanças? 

Dra. Graziela: Explicar e abordar essas mudanças corporais desde as consultas do pré-natal e desmistificar o conceito de que tudo volta a ser como antes após a quarentena é indispensável e diminui o risco de depressão pós parto.

É fundamental conversar sobre os sentimentos, as inseguranças e os receios, o que pode ser feito, inclusive, em consultas com o médico. Esclarecer as dúvidas comportamentais e sexuais fortalece os laços entre o casal.

O mais importante nesse período, do ponto de vista emocional, é resgatar e incentivar a intimidade erótica do casal, a assertividade e proporcionar para a mãe momentos de relaxamento, além de favorecer sua retomada dos exercícios físicos.

 

Algumas mulheres relatam ter sentido ressecamento vaginal após o parto. Isso é normal? Por que ocorre? Como impacta a vida sexual? Há tratamento?

Dra. Graziela: Sim, o ressecamento vaginal é habitualmente visto no pós-parto e ocorre devido às alterações hormonais. A diminuição da lubrificação é facilmente resolvida com o uso de um hidratante íntimo, como o Vagidrat, que é livre de hormônios. Deve ser aplicado a cada três dias, independentemente da ocorrência do ato sexual. Ele propicia um conforto e segurança para a mulher, não apenas na parte física (vaginal), mas também em âmbito psicológico.

Muitos homens ainda acreditam que o único parâmetro para averiguar a excitação feminina é sua lubrificação. Percebendo que sua parceira não lubrifica, podem confabular e interpretar como desinteresse sexual e sentirem-se culpados. Geram-se abismos no relacionamento e se este já era fragilizado, os desajustes afloram.

 

Há alguma dica específica para o pós-parto, para que a mulher se sinta bem durante o sexo? E alguma prática que não seja recomendada, por causar desconforto?

Dra. Graziela: O ato sexual é uma conjunção de sensações e sentimentos e para incrementá-lo faz–se necessário erotismo e intimidade. Um corpo saudável, bem hidratado, uma boa parceria e uma mente ativa, capaz de fantasiar são os segredos para vivenciar a sexualidade de forma plena.

 

O marido pode ajudar a mulher de alguma forma na retomada da vida sexual? Qual é o seu papel nessa fase?

Dra. Graziela: O marido é peça fundamental nesta etapa de vida, e deve investir sempre no seu relacionamento com a mulher. Desde o pós-parto imediato é importante a presença efetiva do parceiro, seja com carinhos, companheirismo e afetividade e/ou com ajuda nos cuidados com o lar e o recém nascido. A mãe precisa de amparo!

E como fazer esse investimento? Seduzindo e conquistando a parceira, que está tão envolvida em um novo elo de amor com seu filho.

* Dra. Graziela Rech Artico (CRM-RS 33339) é médica formada pela Universidade de Caxias do Sul, com especialização em Ginecologia e Obstetrícia pela UCS e em Sexualidade Humana pela Universidade de São Paulo. É membro da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana/SBRASH. Contato: https://www.facebook.com/CentrodeSaudeCaxias/

selo




Arquivado em: PublieditorialSaúde Tags:

Deixe seu comentário

Receba nossas dicas por e-mail