Precisamos falar com nossas filhas

Por 8 Comentários


Eu sei que escrevendo esse post eu corro um grande risco: o de ser chamada de machista, de atrasada, de boba até. Mas sabem quando você vê as coisas ao seu redor acontecerem, e acha que precisa dar sua opinião, por mais que ela possa não ser entendida por todos? Pois tenho pensado muito sobre a maneira como as meninas têm crescido, como são tratadas na infância, e como têm chegado à adolescência. E posso dizer que estou muito preocupada com o futuro da minha filha.

Imagem: 123RF

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O que eu tenho visto, infelizmente, são meninas que chegam cada vez mais precocemente à puberdade. Que se envolvem com “questões” do mundo dos adultos muito cedo. Elas perdem uma parte considerável de sua infância, perdem a oportunidade de brincar de bonecas até seus 12 ou 13 anos, como nós, mães, brincamos quando éramos pequenas. Com essa idade, atualmente, garotas se preocupam quase que exclusivamente com os garotos. Até aí, tudo bem, se apenas exercitassem suas paixões platônicas, se vivenciassem esses “amores” como nós fazíamos, em nossas cabeças. Mas me preocupa saber que muitas acabam iniciando sua vida sexual sem terem conhecimento do seu corpo, sem terem maturidade psicológica para lidar com a questão.

Quando uma menina vai atrás de um menino e diz que ele precisa provar sua masculinidade tendo uma relação com ela, isso é um sinal de alerta. E não adianta tapar o sol com a peneira, não, isso está acontecendo! Para mim, isso mostra que não estamos conversando como deveríamos com nossas filhas. Não estamos explicando a elas que é preciso cuidar do próprio corpo, que é preciso levar o sexo muito a sério, porque ele produzirá efeitos em seu físico e em sua cabeça.

Desculpem, eu sou das antigas. Que quando fala de uma relação sexual, também está falando de amor, de sentimento, de envolvimento. E quando vejo que hoje o sexo é encarado mais como um jogo entre adolescentes do que qualquer outra coisa, isso me parte o coração. Porque tentarei passar outro conceito para minha filha, mas sei também que a pressão de um grupo é algo muito forte na adolescência.

Não estou dizendo que apenas as mães de meninas precisem fazer sua lição de casa. Claro que cabe às dos meninos ensinar aos filhos que é preciso respeitar essas garotas, mostrando que seus direitos são iguais. Que meninas não são “fáceis”, “piranhas”, etc, enquanto meninos são “garanhões”. Que eles, os meninos, também precisam encarar o sexo como um processo de desenvolvimento pessoal, que nada tem a ver com as regras que a “turminha” coloca como sendo bacanas. Mas, infelizmente, se não falarmos abertamente com nossas filhas sobre auto-respeito, são elas quem “pagarão o pato”, em uma sociedade machista como a nossa.




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Comentários (8)

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  1. Ionara disse:

    Olá Nívea!!! Acho que você não está sendo nem um pouco machista, quanto a tocar neste assunto! Tenho uma menina de três anos e já estou preocupada quando chegar a adolescência! O assunto sexo se tornou tão banal, que os jovens não estão dando a devida importância à ele! Acho que sou da mesma fase que você e também ainda brincava quando tinha 12, 13 anos! Como as coisas mudaram!!! E infelizmente não foram para melhor! Estamos juntas na preocupação e na opinião! Criaremos nossas filhas deste jeito, mas quantas irão ser criadas de outras formas, e quantas serão amigas de nossas filhas no futuro! Mas acho que temos que fazer nossa parte e o diálogo em família é tudo o que temos! Um beijo!

  2. Oi, Nívea!
    Não considero que essa forma de pensar seja “das antigas” não! Também penso assim e acredito que DEVEMOS passar esses conceitos para nossas filhas como algo que sempre será atual. São valores que devem perdurar pelas próximas gerações de nossas famílias.
    Também fico triste ao ver que as relações sexuais têm sido feitas cada vez mais cedo entre os jovens, sem envolvimento emocional algum.
    O mínimo que podemos fazer é, realmente, passar nossos valores para nossas crianças e criá-las com autoconfiança elevada, para que elas não se sintam mal se perceberem que o grupo de amigos está fazendo diferente delas.
    A Amanda, minha filha mais velha, está com 11 anos e eu e meu marido estamos muito satisfeitos com a abertura que ela tem pra falar sobre qualquer coisa conosco (e ela fala com ele também, o que é ótimo!).
    Ficamos muito felizes por perceber que ela ainda é criança (apesar de não gostar de brincar de bonecas – mas disso ela nunca gostou muito. Heheheh!) e está muito longe de pensar em sexo. 🙂
    Beijos!

  3. Gislaine disse:

    Olá Nívea!
    Boa tarde!
    Concordo plenamente com você, sendo mãe de um menino e agora de uma garotinha me preocupo muito como tem se destruído a infância de nossas crianças com modismos e novos “padrões” de modernidade, você não está sozinha no quesito “a moda a antiga” em minha casa fazemos questão dessa educação, que foi tão criticada e hoje está esfacelada nessa sociedade desequilibrada. Conversar, orientar, dirigir… são verbos que fazem parte da base educacional das crianças, e infelizmente quem tem os usado são as mídias com seus enredos idiotas… Mostram uma imagem de uma menina tendo um bebê de um outro menino, crianças sendo protagonistas de romances, onde na verdade todos sabemos que a realidade é bem diferente! Colocam tudo em cor de rosa e esquecem que as meninas são reais, os problemas são reais, as mortes são reais… as famílias sofrendo são reais!
    Desculpe, acho que escrevi demais… só apoio você! E que Deus permita que mais famílias concordem conosco e voltem a dialogar com seus filhos e mostrar que a vida é algo único e decisões erradas comprometem todo o futuro!
    Grande abraço! Adoro seus posts!!

  4. Nívea Salgado disse:

    Ionara, Mônica, Gislaine, tão bom saber que não estou sozinha! Que outras mães compartilham da mesma visão!
    Mônica, saber que sua filha de 11 anos ainda não deixou a infância me tranquilizou, sabia? Me esforçando por aqui para que Catarina siga o mesmo caminho!
    Beijos!

  5. Marcia Cardoso disse:

    Olá Nívea 🙂
    Eu tenho uma bebê menina, e tenho me questionando muito sobre esse assunto, e me acalenta o coração saber que não sou a única a “sofrer” com isso, pois este “sofrimento” pode trazer a mudança! Não estamos satisfeitas… Logo podemos mudar!
    O que me preocupa, é que a maioria das mães a se preocupar, geralmente são de menina… Não estou generalizando, sei que há casos e casos.
    Mas o que muitas vezes ocorre com pais de menino, é que eles precisam que os filhos provém para a sociedade que são “homens” e muitas das vezes para isso, na concepção deles, precisam ser “machos” (foi a palavra mais próxima da minha linha de raciocínio)… Outro dia ouvi um rapaz falando para o filho menor de 2 anos: “onde as novinhas vão sentar?” E o garotinho, obediente que era bateu no pipi, e disse: aqui! E todos sorriram satisfeitos, exceto eu que fiquei abismada! :/
    Se essas atitudes em casa não mudarem, continuaremos alimentando este ciclo machista e opressor, triste!

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Marcia,

      Concordo totalmente com você! Enquanto atitudes assim continuarem dentro de casa, o ciclo machista infelizmente permanece.

      Beijos!

  6. Genara Limeño disse:

    Ótimo texto!! Compartilhando em 3..2..1…

  7. Ivonete disse:

    Gostei muito de tudo que escreveu e espero conseguir direcionar minha filha também !! obrigada

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