Despedidas são tristes

Por 10 Comentários


Tenho que confessar a vocês que, se há algo nessa vida com a qual não sei lidar muito bem, são as despedidas. Não sei dizer adeus sem uma tristezinha na alma, sem os olhos cheios de lágrimas, sem deixar o coração do tamanho de uma ervilha.

Infelizmente, porque, quando se tem um filho, você quer parecer forte, que mostrar que tudo ficará bem em um piscar de olhos, que todas as mudanças são positivas. Mas eu sou uma daquelas mães que tenta não chorar e chora, mesmo na expectativa de que muita coisa boa está por vir.

Imagem: Arquivo Pessoal. A reprodução não está autorizada. Fotografia: Grazi Ventura.

Imagem: Arquivo Pessoal. A reprodução não está autorizada. Fotografia: Grazi Ventura.

Antes que vocês me perguntem, o blog não está acabando (aliás, por mim ele ainda durará um bom tempo!). Não essa é a despedida que começo a fazer hoje. Ou que já comecei há tempos, mas que agora está definida, com data para acontecer. Estamos mudando de casa, de bairro, quase de cidade. Estou me despedindo da varanda rodeada de árvores, que por anos foi o meu escritório do dia. Estou me despedindo do canto dos passarinhos pela manhã, do ritmo de quem mora quase no interior, e do parquinho que viu a pequena deixar de ser um bebê e se transformar em uma menininha. Da loja de bolo caseiro na esquina, na qual Catarina adora comer um pedacinho na volta da escola, olhando o movimento dos carros pela janela. Me despeço dos passeios no fim da tarde com a filhota pela nossa rua, e dos bancos onde sempre paramos para tomar um sorvete, ou um suco geladinho.

Despedidas são tristes porque trazem a sensação de que você sempre está perdendo algo. Quer ver? Quando você se despede do cadeirão onde seu filho comeu por tanto tempo, sabe que está deixando para trás um pedacinho da infância do seu filho, que não volta mais. Quando manda embora o berço, a cadeira de amamentação, o móbile e o carrinho de passeio, aposto que você sentiu o mesmo.

Hoje eu começo oficialmente a me despedir da minha casa. Dos adesivos que meu marido colou na parede da Cacá, enquanto eu a amamentava (sim, o quarto só ficou pronto depois que ela nasceu). Me despeço do armário onde marcamos sua altura quando ela nasceu, e que continuamos marcando em cada um de seus aniversários. Me despeço das janelas por onde via o nascer do sol, quando a pequena me mantinha acordada durante as madrugadas. Me despeço até do chão riscado pelo patinete, e das torneiras que eram tão difíceis de serem alcançadas pela pequena, e que hoje ela já maneja com perfeição. Nem vou falar das pessoas para não chorar, e porque tenho certeza de que as levarei de alguma forma comigo.

Quando se é muito feliz em um lugar, dá um medo danado de deixa-lo. Você olha para a frente e se pergunta: “será que vai dar tudo certo?”. Sorte que algumas coisas não mudam: a família, os amigos do peito, as boas memórias sempre nos acompanham, para onde quer que nos mudemos. Sorte ter vocês aí do outro lado da tela, torcendo para que sejamos felizes na nova casa.




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Comentários (10)

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  1. Mariane disse:

    Nívea! Com certeza vai dar tudo certo!!! É normal a gente ter medo das mudanças, mas elas vem para que possamos seguir em busca da felicidade, da nossa verdadeira felicidade!!! Fiquem com Deus, e tenha certeza que lindos momentos e grandes descobertas estão por vir nessa nova empreitada!
    Com carinho,
    Mariane

  2. Ceila disse:

    Eu te entendo, Nivea. Como te entendo…pois sou péssimas com despedidas também, seja minha ou de outras pessoas. Se vou viajar, choro porque vou deixar alguém; se sou eu quem fico, choro pela falta que vou sentir daquela pessoa que vai…Mas, o certo mesmo, é respirar fundo, erguer a cabeça e seguir em frente. As lembranças são coisas que não poderão ser tiradas, e dessas a gente não precisa se despedir. Não é vergonha chorar, ser apegada as pequenas coisas, a pessoas…isso é prova da sensibilidade que há em nós. Boa sorte na sua nova morada, com certeza lá vocês também farão histórias e viverão ótimos momentos. E quando a saudade bater, vale voltar pra fazer uma visitinha, né?
    Beijos!!!

  3. Laudenire disse:

    ai meu Deus, pensei que o blog ia acabar kkkkkkkk…
    ainda bem que você explicou…
    vai mudar que pena, e que bom, você vai conhecer lugares e pessoas novas…
    tenho certeza que vai ser uma benção a nova casa, com o tempo bem curtinho você vai se adaptar…
    boa sorte e nos mantém informada…
    como você mesma disse vai levar boas lembranças…
    e eu continuo orando para ter um bebê…
    loguinho o Senhor vai me dar… amém

    bom dia a todos…
    amo seu blog.

  4. Tatiana disse:

    Ai, Nívea, despedidas são realmente tristes, mas lembre-se que um novo mundo vai se abrir pra vc, e os ganhos serão imensuráveis!
    Estou também em fase de despedidas…Estou me mudando de país em breve, e já começo a me desfazer de coisas e a nutrir sentimentos antagônicos, de ansiedade e tristeza pelo que deixarei… Já sou uma “forasteira”, e passei 13 anos de aprendizado e alegrias nessa nova cidade. Mas o tempo não para, e é preciso realizar os sonhos. Vou em busca deles, agora com a filhota de 5 anos a tiracolo, e sei que vou realizar. A vida é pra ser aproveitada, e todos os sentimentos são bem-vindos. Curta a “tristeza”, mas não esqueça de abrir caminho para o novo! Você vai se surpreender! Beijo carinhoso, Tati

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Tati,

      Para onde você vai? Deve estar sentindo esse mesmo frio na barriga, mas em dobro, não é?

      Boa sorte para você também, e que sua filha curta muito esse novo local!

      Beijos!

  5. Daniela Almeida disse:

    Mas tem mesmo que se mudar? Me pareceu o paraíso! To quase perguntando se já vendeu rsrs. De todo modo muitas felicidades na nova jornada!! 😉

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