Filhos são feitos de sonhos

Por 0 Comentários


Sabem que, todos os dias, eu dou uma zapeada pela minha timeline do Facebook. Já virou rotina: dou uma passada rápida de olho para saber as notícias dos amigos, ver aquela foto interessante daquela gente que não é tão amiga assim (mas como a foto chama a atenção, você fica curiosa para ler a legenda), e para saber um pouco das notícias do mundo. Engraçado pensar que o que eu acabo lendo, em parte, fica condicionado ao que meus amigos leem e acabam compartilhando! Mas, enfim, hoje me deparei com um texto muito bacana de um site português, no qual o autor dizia: “filhos são feitos de sonhos“.

Ao ler essa expressão eu parei tudo o que estava fazendo para entender melhor o que ele tentava dizer. Talvez porque, lá no fundo, eu já concordasse com suas palavras apenas por ler o título. Ao longo da matéria, ele falava sobre como não temos deixado espaço para a infância pura e simples, para o brincar livre, para a criatividade. Porque tudo isso acaba sendo sufocado por exigências cada vez maiores, em prol de um suposto sucesso na vida adulta. Porque precisamos (será mesmo?) educar nossos pequenos para o mundo hostil desde cedo.

Imagem: 123RF

Imagem: 123RF

O texto citava o exemplo de crianças inglesas, que aos cinco anos são preparadas para prestar um exame de seleção, que dirá em qual escola ela estudará, aos seis anos de idade. Claro que as vagas nos melhores colégios são determinadas por notas, e assim os pequeninos de lá passam pelo seu “primeiro vestibular”, antes mesmo de trocar os dentes. Mas não se enganem: algo parecido também acontece no Brasil, nas melhores escolas dos principais centros urbanos. Vocês poderão me dizer: “mas não tão cedo, só quando eles já são bem maiores!”. Pois é, até onde sei, em casos específicos crianças pequeninas são treinadas para terem um portfólio de excelência, para serem aceitos pelos colégios mais renomados. Com direito a professora particular e tudo!

Pois eu também acho que crianças são feitas de sonhos. Que devem ter o direito de subir em árvores, de descobrir sabores, de desenhar coisas sem pé nem cabeça (aos nossos olhos, que já perderam a habilidade de enxergar fora da caixinha, com o tempo). Que devem, antes de saber ler, ouvir mil e uma histórias, aninhados no colo dos pais (com direito a reprise sendo contada da última página até a primeira). Que devem ter seus corações fortalecidos pela alegria do crescimento sem pressa, sem exigências.

Mas, como muitos pais que eu conheço, também tenho um certo receio dessa escolha. Porque ao mesmo tempo em que minha filha brinca na areia, ou descobre a música pelos sons que é capaz de tirar do próprio corpo, batucando, outras da mesma idade já sabem ler, escrever e tocar violino. Ao mesmo tempo em que estou preocupada com o seu desenvolvimento como ser humano, nessa mesma etapa de suas vidas outros pequeninos já são educados para a carreira dos sonhos. E um dia, lá na frente, tenho plena consciência de que eles poderão estar disputando as mesmas vagas.

Pode ser que eu mude meu jeito de pensar, pois a verdade é que nunca sabemos o que nos espera. Mas hoje, mesmo com esse pequeno conflito, prefiro pensar que minha filha terá um grau de autonomia, de desenvoltura enormes, que foram desenvolvidos nos momentos de brincadeira livre (em que ela teve que exercitar sua capacidade de escolher, de convencer os amigos, de ceder, de conviver). Prefiro que ela ainda não saiba ler (porque eu sei que em breve, dando tempo ao tempo, ela certamente aprenderá!), mas que tenha um amor enorme pelos livros, pelas histórias, que saiba criar os seus próprios enredos, que tenha curiosidade em conhecer novas palavras. Prefiro que ela tenha tido esse tempo de sonhar sem limites, para que suas asas cresçam até onde sua imaginação for capaz de moldá-las.

Estou curtindo cada dia dessa infância que escolhi para minha filha. E me despedindo lentamente, porque sei que um dia uma nova realidade se apresentará. Na qual, sim, ela terá maiores responsabilidades e será mais exigida.

Eu me emociono em ver como suas asas estão crescendo fortes. Eu me emociono em perceber como ela já sabe tanto sobre o mundo!




Arquivado em: Desenvolvimento Tags:

Deixe seu comentário

Receba nossas dicas por e-mail