Como é difícil ser mãe e não ter ajuda

Por 17 Comentários


Desde que Catarina nasceu, eu não consigo olhar para outras mães com os mesmos olhos. Nem para as outras crianças. Nesses dias, por exemplo, está um frio de trincar em São Paulo, e me dá um apertinho no coração quando vejo aqueles bebês tão pequeninos enrolados, sendo carregados nas ruas por suas mães.

Eu sei que a maior parte dessas mulheres que sai com o filho no frio, às 7 horas da manhã, não tem a opção de ficar em casa, cuidando dele. Elas agasalham seus filhotes da melhor forma que podem, e os levam para as creches, geralmente usando o transporte público. Você nota que muitas dessas crianças estão com o narizinho escorrendo, com o olhinho caído, mas vão do mesmo jeito – afinal, suas mães não podem faltar novamente no trabalho, sob o risco de perderem seus empregos. E aí eu penso: “como é difícil ser mãe e não ter ajuda nesse mundo”.

Imagem: 123RF

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Eu sei também que, depois de levantarem mais cedo para deixar seus filhos na escolinha, essas mães trabalham duro. Ralam o dia todo e fazem o caminho de volta correndo, porque não têm com quem contar para pegar essa criança na hora da saída. Ou ela está lá, ou ela está lá, não tem jeito! Faça chuva, sol, geada, neve, ela sabe que precisa dar um jeito na sua rotina para cuidar do filho.

Em uma escala muito menor, eu tenho passado por essa experiência, e posso dizer que é difícil pra caramba! Moro em um bairro muito distante de onde meus pais estão, por isso, no dia a dia, não posso contar com eles para ficar com a pequena. Levo pelo menos uma hora, de carro, para fazer o trajeto entre nossas casas, o que me impede de ligar e pedir: “pai, pega a Catarina na escola, por que vou me atrasar? Mãe, você dá almoço para a pequena, porque tenho uma reunião mais cedo?”. Não, tudo tem que ser milimetricamente calculado, porque sei que posso ficar presa no trânsito e não conseguir chegar na hora certa para pegá-la depois da aula (e se eu não estiver lá, quem estará? E antes que me perguntem, o marido está trabalhando mais do que eu).

Se você não tem ajuda, o pior acontece quando o filho fica doente, e você se percebe entre a cruz e a espada: “trabalho e o deixo doentinho na escola? Ou mando tudo para o alto e encaro a possibilidade de perder um emprego realmente bom, que demorei tanto para conquistar? Desmarco aquela reunião que poderia mudar minha carreira?”. Ou talvez quando é você quem fica doente! Porque você precisa levantar para cuidar do pequeno, mesmo que seu corpo inteiro está latejando. Você pensa: “mas como é que eu vou conseguir?”. Mas você consegue, simplesmente porque não tem opção. Porque nos dias de hoje, muitas vezes você não pode contar com sua mãe para cuidar da neta, porque ela ainda trabalha (e vai ter que trabalhar até o final da vida, porque não consegue viver bem com a aposentadoria). Porque o resto da sua família mora longe, ou porque eles também estão trabalhando tanto quanto você.

Não se trata de querer terceirizar o filho, não é isso. Mas é a simples constatação de que, se você não tem uma babá, um motorista, etc, vai ter que repensar toda a sua vida para conseguir dar conta da sua rotina, e da do seu filho. Infelizmente não vivemos mais como há algumas décadas, em que nós, mulheres, tínhamos muito mais ajuda de quem estava próximo. Vivemos cada vez mais isoladas, em cidades cada vez maiores, e onde o deslocamento urbano caótico nos impede de podermos contar com os outros. E não temos a infraestrutura de países que apostaram na paternidade/maternidade, ampliando tempo de licença pós-parto, estimulando turnos flexíveis de trabalho, tanto para a mãe quanto para o pai, para que esse possa, de fato, estar presente.

Não vivemos mais em aldeias, em que todos olham e cuidam de todas as crianças. Precisamos dar conta sozinhas. E mesmo que você tenha alguém para te auxiliar, saiba: o problema pode não estar na sua casa, mas ele existe (já parou para pensar onde estão os filhos da sua babá?). Precisamos pensar sobre isso e buscar alternativas. Porque é muito, muito difícil ser mãe e não ter ajuda.




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Comentários (17)

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  1. Jéssica Kuester disse:

    Estou passando por esse momento agora. Meu filho com 9 meses, voltei ao trabalho quando ele tinha 5 meses e meio. De uns meses pra ca ele vive com alguma coisa, uma bronquite, um nariz entupido e por ai vai! Me pego pensando: não será melhor largar o emprego e cuidar dele!? Fora que o sono dele esta desregrado, acorda varias vezes na noite e muitas dela chorando, o marido não ajuda e eu tenho que me virar! Não importa se estou com dor, se consegui comer, tomar um banho, tenho que estar ali pronta pro meu filho e pronta para encarar mais um dia de trabalho! A unica vontade que tenho hoje e chorar, chorar por não saber o que fazer!

    • Mônica Zavan disse:

      Força Jessica. Eh uma fase. Depois que eles completam 1 ano começam a ficar mais resistentes (pelo menos aqui em casa aconteceu com os dois). Pela minha experiência dupla; não eh fácil, mas eh possível. Não se sinta culpada. Os filhos precisam de mães cuidadosas e carinhosas, e isso vc demonstrou ser. Fique bem. Beijos.

  2. gabriela disse:

    Eu que tenho ajuda, ja passo muito perrengue de manha e de noite, fora final de semana. Imagina quem nao tem. Por isso que a pessoa tem que poensar muito antes de ter um filho! Sou casada há 13 anos e só tive meu filho ano passado, por essas coisas.

  3. Helena disse:

    Tudo o que voce esta relatando neste post estou sentindo na pele Nivea, é realmente o maior desafio da minha filha:Dar conta dessa jornada tripla. Que Deus nos ajude.

  4. Michele disse:

    Texto incrível Nívea… super me identifico… o pior é escutar reclamações de quem tem toda ajuda necessária, todo suporte… Vida que segue!! Felicidades pra nós!!

  5. Vanessa Ricarty disse:

    Como me identifiquei com esse post. Tipo bem o que eu passo todo dia com meu pequeno. E quando fico doente então, nem se fala. Infelizmente isso é o que nós mães que muitas vezes somos julgadas passamos. Cheguei a ficar emocionada com o seu post, pois pareceia que estava realatando minha vida diaria. bjo. obrigada

  6. Vania disse:

    Só uma pergunta: seu marido não faz a função de pai? Buscar na escola, cuidar da criança, cancelar uma reunião pq o filho tá doente não deveria ser função só sua.
    Se não fosse este trecho “E antes que me perguntem, o marido está trabalhando mais do que eu”, seu texto seria perfeito. Vejo nele as mães solteiras. Se as casadas estão se virando sozinhas, na minha opinião, tem algo errado.
    Mas é isso: é muito difícil ser mãe e não ter ajuda.
    Bjos!

    • Patricia disse:

      Concordo, os homens tem a impressão , ainda, que nós mulheres devemos ser responsáveis por tudo que é relacionado aos nossos filhos. Só nós podemos desmarcar compromissos profissionais para ficar com eles e não deveria ser assim! Eu tb aceito isso porque não tenho opção , mas sempre que posso converso sobre o assunto e já consegui alguns avanços.

  7. Eliana disse:

    Nossa, seu post me emocionou demais… Assim como a maioria das mães, tenho uma rotina puxada. Meu filho fica com a vó paterna, porque não consigo busca-lo no horário de funcionamento da creche (chego em casa 20:30), mas mesmo assim é difícil. Hoje mesmo, ele vai dormir com os avós, pois vou ter que sair de casa 5 horas da manhã e o carro está quebrado. Quero muito sair do emprego, mas neste momento minha renda é muito importante. Estou repensando minha vida profissional e, espero que ano que vem eu consiga mudar algumas coisas. Tem horas que não me sinto mãe… Quero ser mãe, cuidar dele e da minha família. Enfim, me identifiquei muito com o texto e está me fazendo refletir ainda mais…

  8. Priscila disse:

    Olá Nivea

    No documentário O Começo da Vida este tema é bastante abordado, sobretudo por especialistas como economistas, psicólogos e médicos. E confesso que também passei a refletir mais sobre essa fase da vida tão importante para a família e para os pequenos, e da precariedade que muit@s encontram em suas rotinas.

  9. Audrey disse:

    Nossa, me identifiquei totalmente com esse texto!!! Família mora longe, em outra cidade, marido viaja a semana toda e trabalho das 07:30 as 17:00. Ou seja, Ester depende exclusivamente de mim! Será que estou cansada??? Impossível descansar, mas sou a mulher mais feliz e realizada do mundo. Minha filha é feliz, saudável e faria tudo de novo por ela. Sempre por ela…

  10. Camila kavano disse:

    Sabe Nivea eu moro no Japao, aqui se vc co segue a licença maternidade sai pra 1 ano e 6 meses com possibilidade de prorrogar para 3 anos, que a idade obrigatoria por lei de uma criança entrar na pré-escola… Porem algumas mamaes nw conseguem pq infelizmente somos terceirizados aqui, entao depende da boa vontade das empreiteiras q nos contratam. Mas aqui existe uma ajuda que a lrefeitura da para todas as criança ate 15 anos de idade, conta por mes mas eles pagam a cada 4 meses…. Bom mas falando do assunto aqui de cima, eu tbm nw tenho ajuda nenhuma, meu espiso trabalha só a noite e trabalha 14 horas por dia, aqui como ai no brasil agente vive rodeado de lessoas mas ao mesmo tempo muito solitaria, meu maior medo de voltar a morar no brasil é esse alem da solidao as dificuldades com a locomoçao pq pelo q vejo lela TV o transito e o transporte publico estao cade vez mais complicados, eu era tbm de São Paulo, capital.
    Um grande beijo boa sorte e adoro seus posts, Mil Dicas de Mãe!!!

  11. Luciana Ceron disse:

    Bom dia! Escrevo para expor uma ideia: Creche Parental! É uma grupo de famílias, com bebês em idade próxima, que se unem para cuidar de seus próprios filhos. Não é tão difícil, nem precisa de tanta dedicação. E cria uma grande “família” ! Pode ser com vizinhas, amigas, irmãs…enfim. Isso ajuda muito neste isolamento que as mães estão passando nos dias de hoje!

  12. Alexandra disse:

    Oi !!!!
    Eu li o texto!!!

    Pois é triste realidade

    Sou mãe e
    Trabalho de diarista em tempo integral .
    Moro no sul onde creio ser mais frio que São Paulo
    Não tenho marido .
    O pai do meu filho resolveu ir embora com outra família quando meu filho era uma bebê .
    Tudo isso escrito no texto kkkkkk parece pouco diante da dura realidade .
    Já faz um tempo que ando de saco cheio de limpar chão dos outros
    Resolvi estudar ,passei no vestibular de direito hoje estou no sexto semestre .
    Meio filho hoje tem 7 anos e vai junto para faculdade .
    É sofrido .kkkkkk mas se não tem jeito o jeito está dado .
    Será apenas uma fase .
    Mas sinto cheio de vitória !!!!
    Abraços mamães !!!

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