Vacina de H1N1: todas as dúvidas que você ainda tem sobre o assunto!

Por 11 Comentários


Como vocês sabem, estamos vivendo um surto de H1N1 no país. Pais e mães estão muito preocupados, as clínicas de vacinação estão superlotadas, e o número de casos já supera em muito os do ano passado. Em 2009, não sei se vocês se lembram, tivemos uma epidemia no Brasil (e no mundo) dessa gripe, que é causada por um tipo específico de vírus Influenza A. Depois de alguns anos de retração, a doença voltou com mais força – só entre 3 de janeiro e 19 de março desse ano houve o relato de 305 indivíduos infectados no país, com 46 mortes, segundo boletim do Ministério da Saúde.

O método mais eficaz de prevenir a H1N1 é a vacinação (mas é claro que ninguém pode descuidar dos cuidados básicos, como lavar as mãos sempre, evitar o contato com pessoas doentes e a permanência em locais de grande aglomeração, sobretudo com as crianças). E, apesar de tanto se falar sobre o assunto, vejo que muitas mães continuam com dúvidas importantíssimas sobre a vacina – a partir de qual idade ela é recomendada, qual a diferença entre a trivalente e a tetra, entre a dada no sistema público e nas clínicas privadas. Por isso resolvi fazer esse post, com tudo o que você, pai ou mãe, precisa saber sobre a vacinação contra o H1N1. São informações importantíssimas, que valem a pena ser compartilhadas – afinal, é uma questão de saúde pública!

Imagem: 123RF

Imagem: 123RF

Trivalente ou tetravalente? Quais os tipos de vacina contra H1N1 e qual é a melhor?

A vacina contra H1N1 protege contra outras variações de gripe também, e existem dois tipos: a trivalente, que protege contra H1N1, H3N2 (que é outro tipo de vírus Influenza A) e Influenza B; e a tetravalente (que garante a imunização contra os três tipos da trivalente e mais outra variação de vírus Influenza B).

Aqui cabe um comentário pessoal: quando cheguei à clínica para vacinar Catarina, muitos pais estavam voltando para trás, sem vacinar os filhos, porque a tetravalente havia acabado. Mas é importantíssimo lembrar que ambas, a trivalente e a tetravalente, protegem contra o H1N1 (que é a grande preocupação no momento). Por isso, se você não encontrar a tetra para dar ao seu filho, vacine com a trivalente! Ouvi, inclusive, uma entrevista com o Dr. Drauzio Varella (que você vê aqui), na qual ele dizia que a proteção adicional dada pela tetra não deve ser uma grande preocupação, uma vez que o vírus a mais que ela cobre é pouco circulante no Brasil (tanto é que apenas a vacina trivalente será fornecida pelo sistema público!).

 

Quem pode tomar a vacina contra H1N1?

Qualquer pessoa com mais de seis meses de idade (mas é importante salientar que algumas vacinas disponíveis na rede particular só podem ser dadas a crianças acima de 3 anos! Por isso é fundamental perguntar qual é o tipo de vacina disponível, ao ligar para uma clínica, e para qual idade ela é recomendada!).

Na rede pública estão sendo vacinados (gratuitamente, claro) apenas os chamados grupos vulneráveis, que são: crianças de seis meses a cinco anos (incompletos), pessoas com doenças crônicas (ou seja, mesmo que seu filho tenha cinco anos ou mais, poderá tomar se for portador de alguma doença crônica, como a asma. Só não se esqueça de pedir uma indicação do médico por escrito alegando a doença e indicando a vacina, e levá-la à unidade de saúde), gestantes, mulheres que tiveram filhos nos últimos 45 dias, idosos, índios e profissionais da saúde.

Se você ou seu filho não pertencem a um desses grupos (nem os vulneráveis e nem os “proibidos”), o caminho para conseguir a vacina é a rede particular. Nesse caso, é importante saber que muitas clínicas privadas estão oferecendo lotes de 2015 da vacina, inclusive a preços mais em conta. Mesmo sendo referente ao ano anterior, essa imunização é eficiente contra H1N1. O único problema aqui é que a proteção fica comprometida em relação à H3N2 e à Influenza B, pois a vacina muda todos os anos e, no caso dessas doenças, aconteceram alterações (sobre o vírus da H1N1 não).

Também vale destacar que quem já tomou a vacina em anos anteriores e apresentou reações alérgicas, ou ainda quem teve a Síndrome de Guillain-Barré ou possui alergia grave ao ovo deve consultar seu médico antes de tomar a vacina, pois podem ocorrer efeitos colaterais e, por isso, a imunização pode não ser recomendada. No caso dos alérgicos ao ovo, o que acontece é que a vacina possui traços da proteína presente no alimento (devido ao próprio processo de fabricação), o que pode prejudicá-los. Já sobre a Guillain-Barré algumas pesquisas apontam que a vacina da gripe pode ocasionar a síndrome (em um número muito baixo, sendo duas pessoas para 1 milhão de doses). Contudo, os próprios autores de um desses estudos, feito no Canadá, acreditam que os benefícios da vacina compensem o risco.

 

Rede pública ou particular: as diferenças na vacina

Como já comentei anteriormente, na rede pública estará disponível apenas a vacina trivalente, recomendada a partir dos 6 meses de vida. Na particular você pode encontrar a tri e também a tetravalente (lembrando que algumas marcas podem ser ministradas apenas a partir dos 3 anos de idade). Em relação ao H1N1, ambas são igualmente eficazes (eu, por exemplo, dei a trivalente para Catarina e estou tranquila quanto à proteção que ela está recebendo).

 

E se meu filho já tomou a vacina no ano passado?

A vacina produzida nesse ano de 2016 tem a mesma cepa de H1N1 (ou seja, é feita para combater o mesmo tipo de vírus) que a do ano passado. Em relação aos outros vírus cobertos a vacina é diferente.

Mas se em relação ao H1N1 a vacina é similar, por que vacinar novamente quem foi vacinado no ano passado? Porque a quantidade de anticorpos que o corpo produz cai ao longo dos meses, e depois de um ano ela já não é suficiente para impedir a contração da doença (a proteção dura entre seis e oito meses). 

Se você ou seu filho tomaram a vacina contra a gripe há mais de seis meses (para quem tomou pela rede pública certamente faz mais tempo, porque a campanha nacional aconteceu em maio de 2015), terão que tomar novamente, porque o período de imunização já passou. Se seu filho está tomando pela primeira vez terá que tomar duas doses para ficar imune.

 

Quem não pertencer a grupos de risco deve tomar?

Se for uma pessoa que tenha contato com pessoas pertencentes a esses grupos, como idosos ou crianças (daí entram pais, cuidadores e professores, por exemplo) é importante tomar, sim. Dessa forma ela contribui para a não-propagação da doença, que é causada pela transmissão do vírus de uma pessoa a outra.

 

Início da campanha nacional contra H1N1

Em todo o país, a campanha na rede pública estava prevista para o dia 30 de abril, mas está sendo adiantada, na medida do possível, para cobrir os grupos de risco. Em algumas cidades do país (inclusive em São Paulo) a campanha já começou (lembrando que apenas para uma parcela da população). No resto do país, é possível encontrar a vacina na rede particular, para todos os públicos. Vale saber também que o efeito da vacina não é imediato, leva de 14 a 30 dias para ocorrer – portanto, o quanto antes se vacinar, melhor!

* Se você ainda tem alguma dúvida sobre a vacina contra o H1N1, me conte nos comentários! Terei o maior prazer em ir atrás da resposta para você!

Veja também: Onde encontrar a vacina de H1N1 (lista atualizada em 05/04/2016)




Arquivado em: Saúde Tags:

Comentários (11)

Trackback URL

  1. Marcia disse:

    Boa tarde! Recebi um email dizendo.que essa vacina está causando mortes e que estão escondendo essa informaçãO. É verdade?

  2. Eliane disse:

    Oi eu gostaria de saber se minha bebê que tem 1 aninho e 6 meses tem que tomar está vacina ?

  3. Ana Carolina de Araujo Dias disse:

    Oie. Adoro seu blog.
    Gostaria de saber como fica a imunização dos menores de 6 meses já que estes não podem tomar a vacina? Eu tomei a vacina qdo estava gestante. E tomei novamente hoje com meu bebê com 3 meses. Ele mama exclusivo no peito, gostaria de saber se ele fica imune.

  4. Maíra disse:

    Gostaria de saber se eu, que tive meu filho há 15 dias, tomando a vacina, transmito anticorpos para meu bebê através da amamentação!?

  5. Sthefanne Ferrão disse:

    Olá! Muito interessante a matéria. Gostaria de saber se tomando a vacina imunizo meu bebê que mama no peito não exclusivamente, ele vai fazaer 3 meses ainda e porque os menores de 6 meses não podem ser vacinados.

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Sthefanne,

      Realmente para os bebês menores de 6 meses que ainda são amamentados no peito a melhor recomendação é que a mãe tome a vacina. Os anticorpos são passados ao filhote pelo leite materno.

      Beijos!

  6. MARIA REGINA MORAES HUGUENIN disse:

    Gostaria de saber se corro algum risco em me vacinar uma vez q acabei de sair de uma infeccao por citomegaloviru epstein_barr..aguardo resposta ansiosamente… obrigada

  7. Luely disse:

    Olá! De onde vem a informação de que “Os anticorpos são passados ao filhote pelo leite materno.”?

    A bula da vacina diz que:
    A segurança da administração a lactantes não foi avaliada. Não se sabe se é excretada no leite humano.

    obrigada!

  8. Valdirene disse:

    Oi, tomei a vacina h1n1 dois dias atrás e quero muito engravidar. Caso eu contraia a zika e ocorra a gravidez, meu filho nascerá com microcefalia?

    • Nívea Salgado disse:

      Oi,Valdirene,

      As duas coisas não têm relação. A vacina de H1N1 protege contra a gripe, e não contra a Zika. Como estudos vêm demonstrando, se uma grávida tiver Zika durante a gravidez, é possível que o bebê nasça com microcefalia (mas não é certeza!).

      Espero ter ajudado.

      Abraços!

Deixe seu comentário

Receba nossas dicas por e-mail