Epilepsia: será que seu filho tem e você não sabe?

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Com certeza você já ouviu falar sobre epilepsia, certo? Eu ouço falar sobre a doença desde que era criança, uma vez que venho de uma família de médicos, na qual os assuntos de saúde são frequentes. Mas eu não sabia que o diagnóstico da doença nem sempre é fácil, e que uma criança pode ter como alguns dos primeiros sinais crises de ausência (nas quais você fala com o pequeno e ele não tem reação! Fica paradinho por alguns minutos, sem falar, mexer, como se não estivesse ali!). Já pensou?

Acabei descobrindo isso por meio de um relato gentilmente cedido por uma leitora, que passou pela experiência com sua filha. Depois de muita demora (que só terminou porque a mãe seguiu uma dica recebida em um hospital – veja ao fim do post), ela foi diagnosticada com epilepsia. Por isso resolvi reunir em um post essa história e outras informações sobre a doença, para que mais mães possam ter acesso a elas.

É importante se informar, pois as crises que uma pessoa com epilepsia apresenta duram períodos bem curtos e, às vezes, podem passar despercebidas (o que dificulta o diagnóstico e atrasa o tratamento). E, quanto antes começar a tratar o filhote, melhor (estima-se que 90% dos pacientes têm cura, e os sintomas desaparecem por completo). Vem dar uma espiadinha (e aproveita para compartilhar com as amigas que têm filhos!).

Imagem: 123RF

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O que é epilepsia e quais os sintomas

A epilepsia corresponde a um conjunto de sintomas que, se observados com frequência, passam a ser considerados como um quadro da síndrome. Os sintomas mais comuns são as convulsões (que é quando a pessoa cai e começa a fazer movimentos repetitivos e sem controle, com os braços e pernas) e as ausências (quando a pessoa simplesmente fica parada). “Com apenas sete meses minha filha teve a primeira crise: ela se mexia de forma involuntária e não fazia qualquer barulho, não piscava, nada, simplesmente se batia. Ela estava brincando de pular e teve a crise”, recorda a leitora. “Depois disso se passaram seis meses sem ter nada, até que em outro dia ela estava no meu colo e de repente amoleceu e perdeu os sentidos, ficou com os olhos parados, eu falava com ela e nada de resposta, tentava colocá-la em pé, o corpo todo mole. E, em um instante, pronto, ela já estava bem, como se nada tivesse acontecido”.

Outros sintomas comuns são sensações de formigamento e abalos nos braços, interrupção da respiração com alguns segundos, ou ainda percepções de cheiros estranhos, seguidos de desligamento com o meio exterior. Mas, nas crianças, os sintomas mais comuns são os de convulsão e ausência, como a situação descrita por essa mãe.

As crises costumam acontecer durante três a cinco minutos e, por isso, especialmente quando se trata de uma ausência, elas podem passar despercebidas, dificultando o diagnóstico. Elas acontecem devido a descargas repentinas de energia elétrica no cérebro (na verdade, isso acontece o tempo todo no cérebro de todas as pessoas, mas, às vezes, esses impulsos de energia podem ficar alterados – e daí acontece uma crise epilética). Em alguns casos, a epilepsia tem base genética, mas em outros pode ser uma resposta a traumas, como acidentes, ou outras doenças. No caso dos pequenos, aqueles que tiveram lesões ou infecções cerebrais quando bebês, ou mesmo durante a gestação, também podem desenvolver epilepsia.

 

Como acontece o diagnóstico de síndrome epilética

Quando se nota um desses sintomas é importante procurar um neuropediatra, bem como o pediatra do filhote. Mas como as crises são curtas (e a criança volta ao normal logo em seguida, como se nada houvesse acontecido), o diagnóstico pode não ser fácil. No caso da leitora, inclusive, foi difícil descobrir do que se tratava. Logo que sua filha apresentou os primeiros sintomas, o que ela ouviu da pediatra é que provavelmente se tratava de uma crise no labirinto. Na segunda vez, quando a pequena sofreu ausência, a resposta foi que poderia ser falta de oxigênio. Ela fazia exames, e não havia nenhuma alteração. “Em um hospital em que eu fui, me orientaram a procurar todos os especialistas possíveis e fazer exames: oftalmologista, neuropediatra, otorrinolaringologista. E lá fui eu a todos e a resposta era sempre a mesma: ‘sua filha está ótima’”, conta a mãe.

Com isso, os meses foram passando e as crises da pequena se tornaram mais frequentes e com maior duração. Até que a mãe lembrou que, naquele mesmo hospital, recebeu a orientação dos médicos de filmar sua filha quando ela passasse por mais uma crise. E, após mostrar o vídeo para a pediatra e um neuropediatra, enfim veio o diagnóstico: epilepsia. Além da análise do quadro clínico, é necessário fazer alguns exames específicos, como tomografia ou ressonância de crânio, para comprovar a síndrome.

 

Qual o tratamento para epilepsia

Existem vários tipos de epilepsia, dependendo da área do cérebro que é afetada, e, para cada uma, um tratamento mais adequado. No caso da filha da nossa leitora, assim como da maioria dos pacientes, o tratamento é feito com medicamentos. Em relação a esses remédios, vale destacar que a medicina avançou bastante, e a grande maioria apresenta pouco ou nenhum sintoma colateral, o que leva o paciente a ter uma vida normal  (com o único cuidado de tomar o remédio corretamente).

O tratamento com medicamentos pode levar anos, mas os pacientes costumam responder bem e não apresentar mais crises (o custo é baixo e existe distribuição pela rede pública). “Vai fazer um ano que a minha filha teve a última crise e já são sete meses de medicação controlada e sem problemas”, relata a nossa leitora.

Em casos raros o paciente pode não responder bem à medicação, e então uma cirurgia pode ser recomendada. Mas as técnicas cirúrgicas também evoluíram muito, e o paciente agora tem uma recuperação ainda melhor durante o período pós-operatório.

 

Cuidados importantes sobre epilepsia

Você já ouviu falar que quando alguém tem uma crise epiléptica com convulsão é necessário segurar sua língua, para o indivíduo não mordê-la? Pois é, esse é mais um dos mitos que cercam a epilepsia. Na verdade, se você presenciar seu filho, ou alguém, passando por uma crise, o indicado é que você retire objetos cortantes ou que quebrem de perto. E que, ao invés da língua, segure sua cabeça, para evitar que a pessoa a bata demais no chão e se machuque seriamente (aproximar a mão da boca é totalmente contraindicado, pois você pode ser mordido. Quando acontece a crise, o adulto ou a criança passam a demonstrar movimentos involuntários, ou seja, sem controle – inclusive sobre a força exercida).

Oferecer algo para o filho beber durante uma crise também não é recomendado. O que deve ser feito de fato é segurar a cabeça, e esperar que a crise passe. Também tenha o cuidado de contar quantos minutos o episódio dura, pois, se for mais do que cinco, é necessário chamar ajuda profissional.

Além da ajuda médica para tratar os sintomas físicos, pode ser interessante contar com outros profissionais de saúde, como psicólogos, para receber orientações de como lidar com a criança. O pequeno não pode crescer com medo da condição que possui, muito pelo contrário (para isso, a ajuda da Psicologia pode ser muito válida). Ainda vale saber que a epilepsia não é contagiosa e muito menos está relacionada ao retardo mental (outros mitos frequentes sobre a síndrome) – portanto, não duvide da capacidade do filhote, ok? O que ele precisa, especialmente após as crises, é de apoio, compreensão, paciência e muito, muito amor.




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Comentários (1)

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  1. Silvia Souza disse:

    Muito bom seu artigo, mas quero fazer uma ressalva, 70% tem controle de suas crise de epilepsia, 30% não tem controle com nada, nem com medicação. Então esse dado de 90% está equivocado.

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