Dói pensar que seu filho vai sofrer

Por 12 Comentários


Vou pedir licença a vocês para compartilhar algo muito pessoal no post de hoje. Por aqui estamos pensando em mudar de casa; ou melhor, tomamos essa decisão e acredito que, em poucos meses, estaremos morando do outro lado da cidade.

Aqui em São Paulo, mudar de bairro é praticamente como mudar para outro município. Não, não é exagero: o trânsito é tamanho, que dificilmente você consegue manter suas atividades nas proximidades da casa antiga. Não mudam apenas os vizinhos, os amigos do prédio, as crianças que você está acostumada a ver todos os dias, e que viu crescer nos últimos anos. Mudam também a padaria, o açougue, o supermercado, e até a escola do seu filho.

Imagem: 123RF

Imagem: 123RF

Por isso eu não me engano: Catarina sentirá muita saudade dos anos em que viveu aqui. Sentirá falta de brincar entre as árvores no fim do dia, junto com os amiguinhos que gritam seu nome, até que ela apareça na varanda e diga que vamos descer. Sentirá falta dos meninos que conhece desde que nasceu e que moram na porta ao lado da nossa, e que a fazem rolar de rir com suas brincadeiras. Sentirá falta dos pés de jabuticaba, que ela acompanha de perto, para não deixar a fruta madura escapar. Sentirá falta dos caminhos mágicos que ela inventou, dentro do condomínio, e que para ela são absolutamente secretos.

Ainda não falamos mais concretamente sobre a mudança da escola, mas me dói no fundinho do coração todas as vezes em que ela chega em casa e diz como está feliz lá. E mesmo sabendo que no ano que vem ela terá que deixar o espaço (pois eles só têm educação infantil), me dá uma pequena (enorme) tristeza pensar que poderemos antecipar a despedida.

Todos me dizem que as crianças se adaptam rapidamente, que em pouco tempo ela terá novos amigos, que mal perceberá a mudança. Mas me pego pensando se realmente os pequenos viram a página com uma facilidade maior do que a nossa, ou se só não sabem exatamente como verbalizar, o que faz com que seus sentimentos acabem passando despercebidos.

A cada dia que termina, sinto como se fosse um a menos nessa casa que nos fez tão feliz, nesses dez anos. Me despeço lentamente dela: o local que abrigou minha filha, quando ela chegou ao mundo. Dou adeus ao quarto que decorei com carinho, do jardim de flores que montamos em sua parede para que ela se sentisse rodeada de alegria. Da sala em que ela deu seus primeiros passos, do banheiro onde lhe dávamos banho, dos trajetos que seu carrinho sabia de cor, para fazer a filhota dormir.

Eu não gosto de despedidas, nunca gostei. Ao mesmo tempo, preciso sentir profundamente o processo de deixar para trás, vivenciá-lo entre lágrimas e sorrisos, para que fique bem resolvido. Não é fácil para mim pensar que vamos embora, mesmo que ainda demorem alguns meses para que isso aconteça (e mesmo querendo demais a mudança). Mas o que certamente mais me aflige é saber que minha filha vai sofrer, pelo menos por um tempo.

Talvez seja mais fácil do que parece. Talvez eu só esteja exagerando, como toda boa mãe.




Arquivado em: Papo de mãe Tags:

Comentários (12)

Trackback URL

  1. Thaiene disse:

    Nívea, sei que não serve de consolo mas sim, a Catarina vai sofrer. Provavelmente não vai conseguir verbalizar e pode ser que apresente febre e tosse sem motivos aparentes, sintomas psicossomáticos. Aconteceu comigo quando eu era pequena. Mas a boa notícia e que a mudança trará grande aprendizado pra ela. Ela vai aprender a lidar com a saudade, vai entender que mudanças têm sempre um lado positivo. Vai crescer. Esse aprendizado foi fundamental na minha vida e será muito importante pra sua pequena. Desejo que você saiba mostrar a ela essa oportunidade de crescimento e amadurecimento. Boa sorte! Que Deus abençoe seu novo lar!

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Thaiene,
      Super obrigada pela mensagem. Pela sinceridade e pelo carinho, que me confortaram e me trouxeram alegria, tenha certeza!
      Grande beijo!

  2. Telma Teixeira disse:

    Olá Nivea! Eu qdo era pequena mudei de casa algumas vezes e de fato sofremos mas tbm nos adaptamos com facilidade sim. Hj em dia tenho duas meninas, gêmeas de 05 anos e uma delas passou por este sofrimento, a melhor amiga da escola mudou de Estado, foi para Pernambuco! Ana Luiza sofreu muito com a ida da amiguinha e qdo a saudade aperta ela chora bastante, de dar dó. Para consolá-la eu mostro fotos, digo q podemos mandar msg pelo celular e internet e ela se acalma.
    Não deixe de manter contato com os amiguinhos que ficarem, pois eles tbm sentirão saudades…rs
    Bjos e boa sorte !

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Telma,
      Sabe que penso muito nos amiguinhos que ficarão? A mãe de um deles me disse que o filho sentirá muita falta da Cacá, e eu fiquei com dor no coração também por ele.
      Manterei contato com esses bons amigos que fizemos, com certeza! Obrigada por me lembrar do valor disso!
      Beijos!

  3. Nívea, entendo esse sentimento.
    Há um tempo atrás, até sugeri que “mudança” fosse tema de um post aqui no MDM, lembra?
    Nos mudamos no começo do ano passado e tudo o que eu pensava era: “eu estou causando um sofrimento para o meu filho deliberadamente”.
    A adaptação foi difícil sim, mas meu colo estava sempre disponível para o carinho e afago que ele precisou.
    Espero que tudo corra da melhor forma por aí também.

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Talita,

      Verdade, você tinha sugerido esse post!

      Obrigada por me lembrar que colo de mãe é o melhor remédio nessas horas 🙂

      Grande beijo, querida!

  4. Ana Claudia disse:

    Oi Nívea, ao ler seu post me emocionei. Me emocionei porque em breve vou passar por isso aqui em casa. Mas vamos mudar de cidade. Apesar do meu filho ser pequeno ele fala e convive muito com os amigos da escola. As mães se tornaram muito amigas e sempre fazemos coisas juntas. Picnic, cinema, viagens e etc.
    Sim eu sei que ele vai sofre e me dói sabe disso. Por outro lado ao passar por um sofrimento criamos casca, o que nos torna mais fortes para enfrentar os muitos desafios e sofrimentos que ainda virão.
    Falar parece fácil mas viver isso é bem difícil.
    Bom, desejo que você seja ainda mais feliz no lugar onde escolheu e que possa diminuir o sofrimento da sua filha da maneira que for possível.
    Um beijo,

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Ana, acho que você tocou em um ponto importantíssimo: a casca! Sim, são experiências como essa que nos preparam para o que enfrentaremos no futuro, até para despedidas muito mais difíceis, como a perda de um ente querido.
      Grande beijo, obrigada pelo carinho, e que sua mudança traga muita felicidade para toda a sua família.
      Nívea

  5. Silvia Mariele de Borba Budag disse:

    Oi Nivea…eu sempre leio seus posts, mas dificilmente tenho tempo de escrever.
    Hoje, sinceramente, quero te dizer que estou morrendo de inveja de você. Faz dois anos que coloquei minha casa a venda para ir morar mais perto da família do meu marido, dos nossos amigos amigos e dos dois trabalhos dele…mas cada vez fico mais desanimada, cada pessoa que demonstra interesse e depois some me deixa mais triste…
    Mas quando penso na minha pequena, me aperta o coração em sair daqui. Essa é a casa onde ela nasceu, onde está acostumada com seu quarto, suas coisas, onde conhece cada espaço…sei que quando for hora de mudar vai ser mais difícil para ela do que para mim e marido. Mas vou deixar para contar só o dia que acontecer…até lá você já terá feito outro post contando como foi sua mudança e como a Catarina ficou…
    Parabéns pelo blog…Você é maravilhosa!

    • Nívea Salgado disse:

      Silvia, querida, muito obrigada pelo seu carinho.
      Sabe o que eu queria te contar? Que coloquei minha casa à venda, mas ainda não vendi, exatamente como você! Faz pouco tempo que tomamos a decisão, mas já estou me despedindo: há horas em que acho que essa espera vai demorar muito, mas também sei que tudo pode mudar de um segundo para o outro. Depois de alguns dias desanimada, volto a ser uma grande otimista, que acredita que a venda se concretizará em breve (no meu caso, para morar próximo ao trabalho do marido e da casa da minha mãe).
      Desejo que você consiga vender sua casa e concretizar o seu desejo. Acredite, acredite, acredite! E quando estiver para desanimar, pense que tudo acontece na hora certa.
      Grande beijo, volte para me contar quando vender sua casa, combinado? Estarei aqui torcendo, todos os dias!
      Nívea

  6. Juliana disse:

    Passamos este ano por uma mudança radical. Cidade escola, professores, amigos… Tudo novo!!! Achei que seria horrível e já sofri mesmo antes de chegar a hora…
    E, sabe que não foi tão difícil como imaginei???
    A adaptação foi bem tranquila… Ainda bem….
    Adorei o post!!!
    Abraço, Juliana

Deixe seu comentário

Receba nossas dicas por e-mail