Tudo o que você precisa saber para usar repelente em bebês e crianças

Por 7 Comentários


Todo mundo sabe que estamos vivendo uma fase bem complicada em nosso país, com relação aos mosquitos e às doenças transmitidas por eles. Inicialmente a dengue se alastrou, e agora um novo inimigo ameaça nossas famílias: o vírus Zika. E não tem muito jeito: temos que apelar para o uso de repelentes, para promover uma maior proteção.

Mas confesso a vocês que, até bem pouco tempo atrás, eu não sabia diferenciar uma marca da outra. Por isso resolvi fazer esse post, para ajudar as leitoras que possivelmente têm as mesmas dúvidas que eu: qual o melhor princípio ativo para cada fase das crianças? Qual o tempo de duração de cada produto? A seguir, um resumo das orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) sobre o assunto. São informações importantes, que merecem ser compartilhadas!

Imagem: 123RF

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Proteção aos bebês

Se o filhote for menor de 6 meses, o uso de repelente não é indicado. Inclusive, não existem estudos que comprovem a eficácia do produto nessas crianças, sabia? Para proteger nesse comecinho de vida, o recomendado é isolar a pele do pequeno com óleo infantil natural, e deixá-la bem oleosa. Essa medida ajuda a disfarçar o cheiro de suor e despistar o mosquito (que é atraído pelo cheiro das pessoas). O óleo de capim-limão é o mais efetivo em ação repelente, contudo, evapora muito rapidamente e precisa ser constantemente repassado. Outro detalhe é que, apesar de natural, o líquido pode causar alergia (por isso, nas primeiras vezes em que usar, o ideal é aplicar em uma pequena parte da pele, e ficar de olho para notar alguma alteração). Para evitar o problema e garantir a proteção, o ideal é usar com cautela e orientação do pediatra.

Depois do sexto mês, o filhote pode usar o repelente à base de IR 3535, que oferece menos riscos de alergia e intoxicação. Mas é importante observar na embalagem a concentração, que deve ser igual ou superior a 20% para ser eficaz (se não encontrar no mercado, é possível encomendar uma fórmula em farmácias de manipulação). Vale lembrar que a proteção desse repelente dura apenas cerca de 4 horas.

repelentes

Crianças acima de 2 anos

Nessa fase, está liberado o uso de repelentes à base de DEET e Icaridina. Este último, derivado da pimenta, tem se mostrado o mais eficaz em relação à proteção contra o Aedes Aegypti (embora o DEET também proteja). Se usado em concentrações de 10%, a Icaridina protege por 3 a 5 horas; já se for de 20%, de 8 a 10 horas. Mais uma vantagem da Icaradina em relação ao DEET é justamente esse maior tempo de ação: os repelentes à base de DEET devem ser repassados de 4 em 4 horas para garantir sua eficácia. Além disso, aqui no Brasil a maioria deles possui concentração inferior a 10%, o que faz com que o efeito dure ainda menos (se o repelente possui 5% de DEET na formulação, por exemplo, a proteção dura somente 90 minutos).

Outra opção disponível para afastar a pele da criançada dos insetos é o uso de vitamina B1 (tiamina) via oral, disponibilizada na forma de xaropes, por exemplo. O que acontece aqui é que a vitamina é absorvida pelo organismo e liberada pelo suor, gerando um odor que não é tolerado pelos insetos. Contudo, é necessário orientação do pediatra para verificar a possibilidade de uso, pois ainda não são muitos os estudos que comprovem a eficácia desse repelente.

 

Orientações para uso seguro

Independentemente da base de repelente escolhido para o filhote, é necessário utilizar o produto da forma correta para manter a real eficácia. Para isso, vale saber que a versão mais segura é em loção cremosa (mas sem hidratante e protetor solar, pois, nessas combinações, os efeitos de todos os componentes acabam sendo reduzidos. O que você pode fazer é utilizar dois produtos separadamente: primeiro o protetor, aguardar alguns minutos, e então aplicar o repelente).

Um cuidado extremamente importante é nunca aplicar o repelente na mão do seu filho, para que ele mesmo espalhe pelo corpo. Isso porque a criança pode esfregar nos olhos ou levar a mão à boca. Inclusive, mais uma recomendação fundamental é não aplicar o produto próximo à boca, nariz, olhos ou machucados na pele, pois pode provocar efeitos adversos (é importante também guardar a embalagem do produto para, no caso de ocorrer algum problema, saber como tratar). Para passar no rosto do filhote, coloque um pouco de loção da sua mão (do adulto) e então espalhe uma pequena quantidade na testinha e bochechas.

Leia muito bem as instruções de uso do repelente que comprar, para saber a frequência recomendada de reaplicação. E, assim que a proteção não for mais necessária, é preciso dar banho na criança, para que o produto seja totalmente removido com água e sabonete. Inclusive, não é recomendado deixar o filhote dormir com repelente (para garantir a proteção à noite, você pode recorrer às mosquiteiras ao redor do berço ou da cama, método seguro e que não agride o pequeno).

 

Como última mensagem, acho fundamental recomendar que toda mãe converse com o pediatra do filho sobre o assunto, para que ele faça a orientação do repente mais indicado para o pequeno. Afinal, trata-se de uma substância química que pode, em alguns casos, causar reações alérgicas e intoxicações. Também vale destacar que o uso deve ser feito com cautela, poucas vezes por dia. Espero que as informações tenham sido úteis, e que o post seja um mini guia para essa fase tão preocupante que vivemos no país, com doenças transmitidas por mosquitos!




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Comentários (7)

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  1. Cassia disse:

    O pediatra dos meus trigemeos de1 ano e 8 meses recomendou a utilização ant4s de dormir também.

  2. liliane disse:

    Adorei as dicas, nao tinha a menor ideia sobre os principios ativos. Aqui em Londres eles nao ligam para esses detalhes.
    Beijocas
    Li

  3. Karine disse:

    Já foi descoberto um repelente que pode ser usado em bebês sim! Foi aqui em Pernambuco e foi indicado pela Pediatra do meu bebê ele usa desde os 2 meses. Segue matéria!

    http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2016/01/24/casal-se-inspira-em-indios-e-cria-repelente-natural-aprovado-pela-anvisa.htm

  4. Carol disse:

    Excelente post, Nivea! Obrigada por esses esclarecimentos! Aproveito para compartilhar a experiência com a minha filha. Hoje ela tem 1a3m, mas na época que surgiram as notícias sobre o mosquito, ela tinha menos de 6m. Confesso que fiquei bastante desconfiada de usar barreiras físicas e passar óleo na pele… Não parecia efetivo. A pediatra dela recomendou uma alternativa: complexo B dissolvido no hidratante! Desde então, é o que usamos como repelente. Funciona demais! Passa na pele normal, o hidratante é absorvido mas o cheiro do complexo B afasta os mosquitos, como você mencionou no texto. Já fui pra fazenda com ela e sequer foi picada! Agora usamos todos os dias: aplico de manhã e mando pra escola passar a tarde. Se você quiser postar, me avisa que eu te envio o passo-a-passo de como fazer. Não é dificil! Obrigada de novo! Bjs

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