Síndrome de Bartter: conheça o problema que pode afetar os rins dos bebês

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Gosto muito de compartilhar aqui no blog depoimentos de mães que passaram por momentos marcantes na maternidade. Por isso hoje eu abri espaço para a história de uma leitora, que divide conosco sua luta com seu pequeno de dois anos, portador de uma doença renal: a Síndrome de Bartter. Eu nunca havia ouvido falar sobre o problema, e com esse depoimento percebi que os sintomas podem facilmente ser confundidos de início, pois a maioria das crianças manifesta alguns deles nos primeiros anos de vida (associados a outras doenças, passageiras). Ou seja, sempre vale a pena ficar atenta (e dividir informação com outras mães, quando você desconfiar de que há algo errado).

Imagem: 123RF

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Considerados órgãos vitais, os rins precisam estar em pleno funcionamento para garantir o bom desempenho de todo o organismo – afinal, eles possuem as importantes funções de filtrar e eliminar toxinas, manter o equilíbrio hídrico e produzir hormônios para o nosso corpo. Não à toa, quando algum problema acomete os rins, os sintomas logo aparecem (e são os mais variados). No caso do pequeno Miguel, filho da leitora Suélia de Macêdo, os primeiros sinais de que algo não ia bem nos órgãos filtradores apareceram ainda aos 4 meses de vida. O bebê dormia demais, sentia muita sede, tinha o intestino preso, parou de ganhar peso e ainda apresentava febre alta e vômitos frequentes. E o diagnóstico, que foi dado meses depois, apontou Síndrome de Bartter Neonatal (você já ouviu falar?). O problema, considerado raro pelos médicos, afeta os rins e resulta na perda de potássio, cloro e sódio pela urina (e consequente na diminuição dessas substâncias e de cálcio no sangue), bem como no aumento da produção de hormônios relacionados ao controle de pressão.

As causas ainda não são bem conhecidas pela medicina, mas os sinais aparecem logo na infância (nos dois primeiros anos) e os mais comuns são desnutrição e desidratação (como o Miguel apresentou, consequência das manifestações citadas acima). Outro detalhe é que o problema não tem cura, mas é possível oferecer uma rotina quase normal ao pequeno portador, apenas com algumas restrições e cuidados. E é importante saber a respeito da Bartter, pois, assim como em todas as síndromes, os efeitos negativos são menores quando o problema é descoberto cedo. Se você quiser saber mais, confira nesse post informações úteis sobre a disfunção.

Aos quase 3 anos, o fofo Miguel convive com a Síndrome de Bartter desde os 4 meses (Imagem: Arquivo pessoal)

Aos quase 3 anos, o fofo Miguel convive com a Síndrome de Bartter desde os 4 meses (Imagem: Arquivo pessoal da família)

Quando eu devo desconfiar da Síndrome de Bartter?

Além de quadros de desnutrição e desidratação, pode-se desconfiar da Síndrome de Bartter nos rins caso a criança apresente fraqueza muscular, febre, vômitos, muita sede, aumento do volume da urina e ainda retardo mental e no crescimento. Para confirmar o caso, é necessário encaminhar o paciente a um nefrologista pediátrico, que pedirá um exame de sangue (para detectar se existe alteração nos níveis de potássio e hormônios) e de urina (para verificar a quantidade de cálcio. Os portadores apresentam hipercalciúria, que é o excesso da substância no xixi). A Síndrome de Bartter também pode ser verificada por meio de características físicas, como olhos grandes, orelhas voltadas para frente, face triangular e testa saliente.

 

Como tratar a Síndrome de Bartter?

A disfunção pode ser controlada por meio do uso de medicamentos e suplementos minerais. “O Miguel também precisa tomar todos os dias um regulador intestinal e manter uma alimentação super calórica, por conta da dificuldade de ganhar peso”, conta Suélia. A mãe completa que também foi necessário deixar o trabalho para se dedicar exclusivamente ao pequeno, porque a síndrome afeta a resistência e, por isso, ele não pode frequentar creches (pois é muito fácil pegar um simples resfriado, uma vez que a imunidade dele é muito baixa). E ainda é necessário seções com o ortopedista para estimulá-lo, porque o problema também provoca retardo no desenvolvimento. “O Miguel só começou a engatinhar com 1 ano e 2 meses, e a andar com 1 ano e 9 meses”, afirma a mãe. Mas para ajudar nesse aspecto, o tratamento também pode incluir certos anti-inflamatórios durante a fase de crescimento da criança, para possibilitar que esse processo aconteça normalmente.

 

O tratamento correto ajuda a melhorar

Realizar o diagnóstico precoce da Síndrome de Bartter é fundamental para dar início ao tratamento e controlar os efeitos da doença. Feito isso, a maioria das crianças reage muito bem e acaba avançando bastante. “Meu filho era acompanhado a cada 30 dias pela equipe médica. Depois passou para 90 e agora as consultas são a cada 6 meses”, conta Suélia.

Pois é: a Bartter não tem cura, mas o tratamento proporciona aos pequenos uma vida com a dos demais. E além de remédios e suplementos, claro, não podem faltar altas doses de dedicação, apoio e amor da família!




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