Amamentação cruzada: entenda por que essa prática é contraindicada pelos pediatras!

Por 3 Comentários


Recentemente, bombou na internet a foto da apresentadora Daniela Albuquerque amamentando o filho de uma telespectadora. E acompanhando os comentários nas redes sociais sobre o assunto, fiquei bastante preocupada com o que vi: algumas mães apoiando o ato, elogiando-o e dizendo que liberariam totalmente a amamentação por outra mulher, caso não conseguissem amamentar seus próprios filhos.

Por melhores que sejam as intenções da mulher que dá o peito a outra criança, que não a sua, acho importante explicar por que essa prática não deve ser realizada. Aliás, é fundamental ressaltar que ela pode ser muito mais prejudicial do que benéfica aos pequenos! Tanto é que a amamentação cruzada (que é justamente quando o bebê recebe leite de outra mãe) é vetada aqui no Brasil por uma Portaria do Ministério da Saúde e, ainda, desaconselhada pela Organização Mundial de Saúde. Para entender melhor o assunto, você confere abaixo os riscos que a atitude pode oferecer à criança e quais são as medidas seguras a que você deve recorrer caso tenha alguma restrição para amamentar seu filho. Vem dar uma espiadinha – é informação de utilidade pública!

Imagem: Reprodução/ Instagram

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Por que amamentar outra criança pode ser arriscado?

Os pediatras batem na tecla: a amamentação cruzada deve ser evitada, e o motivo disso é que existem doenças transmitidas ao bebê pelo leite humano. Vírus de enfermidades graves como AIDS, hepatites B e C, mononucleose infecciosa, herpes, sarampo, caxumba e rubéola são só alguns exemplos de patógenos que podem infectar a criança, caso ela receba o leite de uma mulher doente. Lembre-se de que o pequeno ainda está desenvolvendo seu sistema imune e nem, ao menos, tomou todas as vacinas! Portanto, seu corpinho não está protegido contra a exposição a essas doenças.

Outro detalhe é que o leite materno carrega muitas substâncias que passam pela corrente sanguínea da mulher. Tanto é que, enquanto a mãe amamenta, deve evitar o consumo de alguns itens, como álcool e drogas (inclusive cigarro) e mesmo de determinados alimentos, como os que contêm cafeína. Em alguns casos, há uma restrição maior ainda, com a remoção total de leite e derivados da dieta, que podem causar alergia em alguns pequeninos. O uso de certos medicamentos também impede que a mãe amamente, justamente por conta das substâncias que podem ser transmitidas.

E então vem a pergunta: como saber que a mulher que amamenta seu filho está respeitando esses cuidados? Além disso, mesmo que ela aparente estar saudável, alguns desses problemas que podem ser passados aos pequenos são assintomáticos (ou seja, nem mesmo ela sabe que tem!). E mais: se seu filho for infectado, pode transmitir algumas dessas doenças para outros membros da família, como os irmãos (já imaginou todo mundo doente, e você no meio, tentando contornar o caos?). Não vale a pena correr o risco, não é mesmo?

 

Mas e se a mulher for minha parente e saudável?

Mesmo que você conheça intimamente a possível ama-de-leite do seu filho (uma irmã sua, por exemplo), consulte o pediatra antes de deixar as mamadas do filhote por conta dela. Só o profissional que acompanha a criança poderá indicar, com segurança, o melhor caminho para que seu filho seja alimentado, caso você não possa fazê-lo (e provavelmente ele te lembrará de todas as informações faladas anteriormente).

 

E o leite do Banco de Leite? Não é de outra mãe?

É, sim. Contudo, o leite do Banco de Leite Humano (BLH) não oferece riscos ao bebê, pois passa por uma série de processos, para que se tenha certeza de que é seguro para ser ofertado. Para começar, a mãe doadora deve ser cadastrada e, para isso, ela deve apresentar seus exames de pré-natal (neles podem ser detectadas doenças transmissíveis através do leite, ou alguma outra possível restrição). Se a mulher for aprovada, ela então recebe instruções para retirar o leite em casa (pois o líquido não pode vir com pelos ou pedaços de pele) que, ao chegar ao BLH, será analisado físico, químico e microbiologicamente.

Caso o leite seja aprovado em todas essas fases, acontece então o processo de pasteurização. Aqui, o leite passa por uma rápida variação de temperatura, para que todos os possíveis microorganismos sejam inteiramente eliminados. E só depois de tudo isso é que o alimento chega aos bebês. Esse controle e a higienização do material são necessários para garantir que o leite não ofereça qualquer risco à criança, e que garanta a ela, de fato, todos os nutrientes, anticorpos e demais benefícios que o leite humano proporciona.

 

E se eu não puder amamentar?

Caso isso aconteça, existem outras medidas realmente seguras para alimentar o filhote. A primeira delas é recorrer ao Banco de Leite Humano (informe-se na sua cidade sobre o mais próximo à sua residência), onde o seu filho pode ser amamentado sem custo algum. Contudo, infelizmente, nem sempre esses locais estão abastecidos com quantidade suficiente para suprir a demanda. Caso isso aconteça, outra opção são as fórmulas infantis, que devem ser prescritas pelo pediatra.

Vale destacar que o Ministério da Saúde não recomenda o consumo de leite de vaca para crianças menores de um ano, pois a bebida possui baixo teor de ferro (o que pode originar um quadro de anemia) e ainda oferece risco de desenvolvimento de alergia alimentar e, posteriormente, predisposição ao excesso de peso.




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Comentários (3)

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  1. Pris Saber disse:

    Eu sempre fui contra esse tipo de amamentação e eu nem sabia que chamava amamentação cruzada! Sempre tive receio por causa das doenças que são transmitidas! Muito boa a matéria!

  2. Juliana disse:

    Nívea muito obrigada por esse post. Sou pediatra, mãe e acompanho seu blog faz tempo.
    Está muito comum na internet essa prática do aleitamento cruzado, inclusive estimulado e mostrado por outras blogueiras de maternidade.
    Bom ver que existem blogueiras sérias, inteligentes e que utilizam sua visibilidade para passar dicas e orientações seguras. Parabéns.

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