O menino e o mundo: por que vale a pena conferir o brasileiro do Oscar?

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A indicação ao Oscar de “O menino e o mundo”, obra brasileira que concorre como melhor animação no grande prêmio do cinema neste ano, tem estampado as manchetes nos últimos dias. Dirigido por Alê Abreu, o filme encantou o júri hollywoodiano e tem, de fato, motivos de sobra para encher os olhos do público infantil e da família toda.

Desde o lançamento, em 2014, a animação já percorreu festivais de cinema do Brasil e de outros países, tendo alcançado milhares de espectadores e arrematado vários prêmios importantes na categoria. Mas se por acaso você e o filhote ainda não conferiram a obra que está dando o que falar, saiba que realmente vale a pena incluir nas atividades das férias um tempinho para assisti-la. E, a seguir, eu te conto o porquê!

Temas importantes

“O menino e o mundo” narra a história de um garotinho que sai em busca do pai. A família mora na área rural e o homem um dia se despede para ir à cidade trabalhar. Cheio de saudade, o pequeno não tem dúvidas e embarca atrás dele, ponto em que começam as suas aventuras. Temas como a civilização desenfreada (das cidades e do campo), a família, o trabalho, a inversão de valores e as questões sociais são colocadas ao longo do filme de maneira muito delicada (afinal, a trama acontece sob os olhos curiosos do protagonista, uma criança) e começam a chamar a atenção do público infantil para esses aspectos humanitários, tão importantes de serem debatidos desde cedo. Como nem sempre sabemos como abordá-los de maneira adequada à idade, o longa pode ser um ótimo ponto de partida!

 

Asas à imaginação

Ao contrário da maioria das animações do cinema, o filme brasileiro é uma obra inteiramente composta por desenhos simples, com traços de giz de cera (que parecem mesmo ilustrações de criança). A começar pelo protagonista, um menino com uma cabeça redonda e mãos e pés “de palitinhos” (como a criançada costuma representar as pessoas nos seus primeiros desenhos). E mais ou menos assim são todos os personagens e cenários. Resultado? Uma empatia logo de cara (pois são desenhos que o próprio pequeno espectador poderia fazer) e uma brecha para imaginar as expressões dos intérpretes e ver como formas simples podem virar desenhos incríveis!

Além disso, nas poucas vezes em que aparece uma fala durante o filme, ela é incompreensível (as falas são compostas por palavras invertidas, como “Airgela”, que aparece em uma das músicas. Se trocarmos a ordem das letras, veremos que dá “Alegria”). Isso desperta nas crianças a atenção, que será necessária para compreender as ligações entre as cenas, os movimentos, as atitudes dos personagens e a trilha sonora. Em outras palavras, a trama não vem pronta, mas cabe ao espectador imaginar, para traduzir o seu desenrolar e o sentido que cada cena transmite.

 

Ilustrações criativas

Outro aspecto que chama a atenção no filme é como o enredo se desenvolve por meio das ilustrações. Uma árvore, de repente, vira outra coisa que completa a história, e assim sucessivamente. Isso acontece em várias cenas e é mais uma ajuda para o despertar da criatividade dos pequenos (e grandes) espectadores.

 

Prêmios e mais prêmios

Como se não bastasse a indicação ao Oscar, “O menino e o mundo” já arrematou 44 prêmios, com destaque para dois (o principal e de público), ganhos no Festival de Annecy (a principal premiação de animações, que acontece na França) em 2014, ano de seu lançamento. A obra levou também prêmio especial no Festival de Animação de Ottawa, no Canadá, e foi aclamada como melhor filme de animação em festivais de Havana, Lisboa e, claro, do Brasil, no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.

 

Ficou curiosa? Então confira o trailer abaixo para sentir melhor o gostinho! E você pode encontrar o filme completo em algumas salas de cinema, que voltaram a exibi-lo até a premiação do Oscar, que acontece dia 28 de fevereiro – ou ainda em alguns sites na internet:

 

Também vale a pena ouvir uma das músicas que compõem a trilha sonora do filme, do Emicida, que transmite bem a mensagem proposta (a trilha completa é assinada por Ruben Feffer e Gustavo Kurlat). O clipe traz mais cenas incríveis do longa (e aumenta a vontade de assistir!):

* Opinião pessoal: eu recomendo a partir dos 5 anos de idade.




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