Diabetes tipo 2 na infância: como proteger (ou ajudar) seu filho

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Aqui no blog já falamos sobre diversas doenças que, embora sejam mais comuns em adultos, também atingem os pequenos. Hoje o assunto é mais um desses exemplos e, assim como os demais, merece a nossa atenção: especialmente porque o Brasil já possui 1 milhão de crianças portadoras da famosa diabetes.

O surto da doença crônica (em especial do tipo 2, que não é o genético e era considerado comum apenas em adultos) tem deixado os médicos atentos – e os pais devem ficar também, porque, entre as causas para o aumento do número de pequenos diabéticos, estão a alimentação desregrada (em especial o alto consumo de alimentos industrializados, ricos em açúcares) e o sedentarismo. E essas práticas, infelizmente, constituem a rotina de muitas famílias. Por isso o post de hoje é direcionado para o perigo da doença (até porque muitos diabéticos ainda não sabem que possuem a enfermidade, e chegam a passar até 3 anos sem tratamento) e contém informações úteis para saber lidar com o mal desde o aparecimento dos primeiros sintomas – o que leva a uma melhor qualidade de vida e à prevenção de complicações mais sérias. Vale a pena conferir:

Imagem: 123RF

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Meu filho pode estar com diabetes tipo 2?

Se seu pequeno segue o estilo de vida que descrevemos acima, fique atenta! E se o filhote apresentar também sobrepeso, o cuidado deve ser redobrado. Isso porque a diabetes é uma doença ligada à obesidade (tanto é que o aumento de crianças acima do peso é mais um fator que contribui para os números alarmantes de diabéticos no país). Entre os fatores que relacionam os dois problemas está a resistência maior dos obesos à ação da insulina (hormônio que promove a entrada da glicose nas células, para que elas obtenham energia) e aos efeitos da lepitina (proteína que age no cérebro, promovendo a saciedade e inibindo o apetite). Ou seja, o pequeno come, continua com vontade de comer (não se sente saciado), e não consegue usar direito os açúcares que comeu, ficando doente.

E mais do que se atentar a esses (maus) hábitos cotidianos, deve-se desconfiar da doença se a criança apresentar bastante cansaço, dores nas pernas, fome excessiva (justamente pela resistência à lepitina) e ainda perda de peso. Também fique atento se o pequeno passar a beber bastante água e ir muito ao banheiro, mais do que o de costume.

Tudo isso acontece por conta da hiperglicemia, pois no organismo do diabético a insulina não consegue cumprir sua função de levar glicose às células, aumentando os níveis desse açúcar no sangue. Assim, se notar esses sintomas, a primeira verificação da doença pode ser feita em casa, usando uma fitinha que calcula o nível de açúcar (encontrada em farmácias). O produto deve ser colocado em contato com a urina da criança e comparado com o modelo descrito na embalagem. Se der positivo, consulte o pediatra que, confirmando o caso, o encaminhará a um endocrinologista, para dar início ao tratamento.

 

Como funciona o tratamento?

Alimentação equilibrada e prática de exercícios físicos são dois itens básicos que constituem o tratamento da diabetes tipo 2, pois estimulam a ação da insulina. Remédios também podem ser prescritos, mas isso varia de criança para criança. Contudo, a parte mais difícil talvez sejam as restrições alimentares, especialmente a diminuição do consumo de açúcares. Para os pequeninos, que frequentam ambientes cheios de alimentos açucarados, eles são uma tentação e tanto!

Se o filhote já tiver experimentado essas comidinhas, é provável que goste muito delas. Por isso, a dica é alinhar a dieta do pequeno às recomendações do pediatra e de outros profissionais da saúde que o acompanham (como nutricionistas e psicólogos). Se for liberada uma quantidade mínima de doces, saiba trabalhar com seu filho essa ingestão, para que ele não se descontrole na primeira oportunidade em que estiver longe da sua supervisão.

Vale lembrar que o uso de insulina pode fazer parte do tratamento. Embora essa prática seja mais indicada para pacientes que apresentem o tipo 1 da diabetes, em algum momento pode ser necessário que quem possua a segunda variação da doença precise tomá-la também. Isso não significa que o tratamento com dieta e remédios tenha sido ineficaz – o fato é que as células do pâncreas (que produzem insulina) tendem a perder a função, naturalmente, com o passar do tempo, sendo necessária a aplicação, para não piorar o quadro.

 

Você pode obter os medicamentos gratuitamente

Se o médico prescrever o uso de remédios, saiba que o programa do governo federal “Aqui tem Farmácia Popular” oferece essas medicações sem custo algum. Para ter acesso ao benefício, você deve ir a uma das farmácias credenciadas ao programa (você pode encontrar uma unidade aqui) levando CPF, receita médica com prescrição dos medicamentos (válida por 120 dias) e documento com foto.

 

Outras dicas

É muito importante que as pessoas que convivam com o seu filho saibam que ele apresenta o problema. Deixe a escola avisada e, quando deixar o pequeno sob a supervisão de alguém, faça o mesmo. Esse cuidado é necessário para que todos tenham ciência caso a criança precise ir mais vezes ao banheiro ou apresentar cansaço, sintomas típicos do problema.

Outra precaução bacana que os pais podem tomar é frequentar grupos de apoio aos pequenos diabéticos. Esses locais contam com equipes médicas de várias especialidades para ajudar não só no tratamento, mas na aceitação da doença pela criança, uma vez que ela passará a ter alguns hábitos diferentes dos colegas (conheça esses grupos aqui). E lembre-se de manter sempre o diálogo aberto com o seu filho e ter paciência, pois conviver com restrições na fase adulta não é simples – precisar passar por isso na infância pode ser ainda mais complicado. A boa notícia é que seguir corretamente o tratamento evita complicações mais sérias do diabetes e oferece uma ótima qualidade de vida ao paciente.




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