Os 7 alimentos mais alergênicos para bebês e crianças

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Como eu já comentei aqui no blog, um dos meus maiores pontos de preocupação com Catarina em seu primeiro ano de vida foi uma possível alergia a leite de vaca. A pequena chorava muito (mas muito mesmo!), tinha um certo grau de refluxo, e, por conta desses fatores, começamos a investigar o problema. Na época ela mamava no peito e tomava complemento, por isso eu fiz a dieta de exclusão desse alimento e de seus derivados por um tempo, substituímos a fórmula que ela tomava pela permitida às crianças alérgicas, mas mesmo assim não tivemos modificação nessas condições. A alergia não se confirmou, mas a experiência me mostrou o quanto pode ser difícil detectar um quadro alérgico relacionada à alimentação do bebê (até porque, nessa fase, entre a ingestão do alimento e o aparecimento dos sintomas, podem acontecer cerca de 3 dias! Imagine você tendo que lembrar o que seu filho comeu nesse intervalo de tempo, é muita coisa!).

Imagem: 123RF

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Eu não sei se vocês conhecem essa informação mas, no último Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar (de 2007), feito pela Sociedade Brasileira de Pediatria e pela Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia, foi apontado que a alergia alimentar é bem mais comum às crianças: estima-se que 6% dos pequenos até 3 anos apresentem reações do sistema imunológico a alguns alimentos, contra 3,5% dos adultos. E, entre elas, as mais suscetíveis ao aparecimento do problema são as que já possuem outro tipo de alergia, como asma ou dermatite atópica. Mas a boa notícia é que algumas dessas reações ficam restritas somente à infância, e acabam sumindo ao longo do tempo.

Para detectar se há algo errado em relação ao que o filhote ingere, a dica é ficar atenta a sintomas como inchaços, urticária (manchas vermelhas pelo corpo), dores abdominais, náuseas, vômitos e diarreias (isso porque a alergia nada mais é do que uma resposta do sistema imunológico contra alguma substância e, assim, ele tende a eliminá-la naturalmente, pois a interpreta como uma doença). Outro sintoma aparente, embora menos comum, é a dificuldade respiratória (caso ela apareça acompanhada de algum outro problema em outro sistema do organismo, o quadro é considerado grave e um médico deve ser procurado com urgência). E, como eu já citei acima, é preciso prestar atenção no que seu pequeno comeu nos últimos dias, e não apenas horas antes dos sintomas (ter um caderninho onde você anota a dieta do bebê durante a introdução alimentar, fase em que seu filho terá contato com muitos alimentos diferentes, é muito importante!).

Também vale lembrar que a alergia pode não aparecer logo na primeira vez em que o pequeno ingere o alimento e que pode não ser hereditário (caso você tenha alergia a amendoim, por exemplo, isso não significa necessariamente que o seu filho a desenvolva).

Ficou desconfiada de que seu filho pode ser alérgico a algum alimento? Então veja abaixo a relação dos mais alergênicos às crianças, segundo dados do Consenso, e como cada alergia se manifesta:

Leite de vaca

A alergia acontece em relação a uma ou mais proteínas contidas no leite. A chamada APLV (Alergia à Proteína do Leite de Vaca) é mais comum em crianças até um ano de idade (e estima-se que 5% dos bebês até os 3 anos apresentem a disfunção). Nesse post, eu conto mais sobre o diagnóstico, o tratamento e a diferenciação entre a APLV e a intolerância à lactose (vale a leitura, porque está tudo explicadinho lá!).

Caso o seu filho tenha o problema, você pode adquirir gratuitamente pelo SUS uma fórmula para alimentá-lo, que substitui o leite de vaca. Ou ainda você pode incluir na dieta do filhote leites vegetais feitos em casa (alguns possuem até mais cálcio que o leite de vaca).

 

Ovo

Além dos sintomas comuns às alergias alimentares, uma criança com alergia ao ovo pode apresentar um sinal mais grave: a anafilaxia (caracterizada por dificuldade de respiração, aceleração da frequência cardíaca e queda de pressão), que pode ser fatal. Se isso acontecer, procure um médico com urgência. Caso seja detectada a alergia, será necessário uma profunda reeducação alimentar, pois todas as receitas que incluem ovos deverão sair da dieta (apesar da alergia estar associada a proteínas da clara, mesmo pratos que contenham somente a gema devem ser evitados, pois ela tem contato direto com a clara).

Um cuidado importante é avisar a escola, para que evitem servir lanches ao pequeno com ovos. Outro detalhe é que essas crianças não poderão tomar a vacina contra a gripe, pois ela é cultivada em ovos de galinha (a dica aqui é conversar com o pediatra para que encontre a solução mais indicada).

 

Trigo

Ao contrário de outras alergias alimentares, a provocada pelo trigo muitas vezes persiste durante a vida toda do paciente. Uma pessoa alérgica a esse componente combate a proteína gliadina (e não o glúten; por isso é importante frisar que alergia ao trigo não corresponde necessariamente à doença celíaca, caracterizada pela intolerância ao glúten).

 

Milho

Os pequenos com alergia ao milho provavelmente sofrerão enxaqueca (graves dores de cabeça) ao ingerir a leguminosa ou qualquer tipo de derivado (como amido de milho, xarope, óleo, etc), além de sofrer alterações no humor. E para tratar o problema será necessário eliminar todos esses itens do cardápio (mais uma vez, avise a escola, pois a presença de derivados de milho nas receitas é muito comum, especialmente em lanches).

 

Amendoim

A reação alérgica ao amendoim não é rara, pois esse alimento possui alto índice de proteínas (e as alergias alimentares geralmente estão associadas a elas). E a alergia ao amendoim merece atenção especial, pois também pode ter, entre os sintomas, uma grave anafilaxia. Caso o problema seja detectado, o amendoim deve sair da dieta, mas as demais oleaginosas, muitas vezes, podem permanecer (uma alergia não está ligada a outra; contudo, como as oleaginosas em geral possuem bastante proteína, merecem atenção quando ingeridas).

 

Soja

Esse é um dos alimentos com maior índice de pequenos alérgicos e, inclusive, não é recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria para menores de 2 anos (exatamente pelo alto potencial alergênico e também por ser considerado incompleto nutricionalmente para crianças). Se o filhote apresentar alergia à soja, você deve ficar muito atenta aos alimentos que comprar, pois se trata de um ingrediente comum em bolachas, cereais, chocolates, bebidas e outros produtos (especialmente os industrializados). Preste atenção não somente na lista de ingredientes do rótulo, mas também se alguma parte da embalagem do produto possui algum aviso sobre a presença de soja (pois ele pode ter passado por máquinas por onde passaram outros alimentos com soja, o que, muitas vezes, resulta em contaminação cruzada). Outro detalhe é que a soja é muito utilizada nas rações para gado e algumas carnes podem conter traços dela (e resultar em reações).

 

Frutos do mar

Não é muito difícil encontrar alguém que seja alérgico a camarão, não é mesmo? E, além dele, outros crustáceos encabeçam a lista de alimentos alergênicos, como caranguejo e lagosta. Inclusive, não é raro que uma pessoa alérgica a camarão, por exemplo, seja também alérgica a todos os tipos de crustáceos, moluscos e frutos do mar, pois a aversão mais comum é contra a tropomiosina, uma proteína presente em todos esses animais.

Quem vive em regiões litorâneas está mais propenso a desenvolver o problema, pois a dieta nesses locais costuma ser mais rica nesses ingredientes. Outro detalhe é que essa alergia é mais dominante em adultos.

 

E o que fazer?

Dada a suspeita, a recomendação é retirar o alimento por um tempo do cardápio da criança – e colocar de volta aos poucos, sempre observando os sintomas. Caso os sinais reapareçam, consulte um alergista (que fará a comprovação da alergia por meio de exame de sangue ou testes na pele, dependendo do tipo) que indicará o tratamento necessário, além de prescrever uma dieta adequada (e livre do alimento alergênico).

Espero ter ajudado com essas informações! Conhecimento é sempre a chave para que possamos estar atentas com a saúde dos pequenos!




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