Síndrome Nefrótica: o relato de uma mãe que enfrenta o problema com o filho

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Já falei aqui no blog sobre algumas doenças cujos sintomas parecem indicar algo simples, mas que, infelizmente, se tratavam de quadros mais graves. Foi assim que aconteceu com uma dor de ouvido do pequeno Heitor, filho da leitora Márcia Alecrim. O que para alguns médicos não passava de um resfriado era, na verdade, Síndrome Nefrótica. Essa doença (comum em crianças e especialmente em meninos) atinge os rins e precisa de um longo tratamento para ser totalmente curada. Conversei com a mamãe Márcia para entender melhor a síndrome e, a seguir, compartilho com vocês algumas informações úteis sobre ela:
Imagem: 123RF

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Como surge o problema?

De maneira geral, a Síndrome Nefrótica aparece quando há excesso de proteínas na urina, ao mesmo tempo em que há falta no sangue. Isso acontece por danos aos vasos sanguíneos dos rins (os glomérulos), que podem ser decorrentes de lesões, defeitos genéticos ou ainda consequências de outras doenças (inclusive crônicas, como diabetes e lúpus – que afetam diretamente os rins). O consumo contínuo de anti-inflamatórios também pode desenvolver o problema, assim como a portabilidade de algumas infecções, como HIV e hepatite.

 

Como detectar a doença?

No caso do Heitor, a doença se manifestou ainda no seu primeiro ano de vida. Tudo começou com uma dor de ouvido, mas logo vieram outros sintomas. “Por conta da infecção nos ouvidos, ele teve febre e convulsionou. Após o tratamento com o neurologista, na semana seguinte, ele pegou uma nova infecção, na garganta. Ele tinha febre diariamente (que não baixava mesmo com medicação) e muita secreção pelo nariz”, conta Márcia. Ela completa que esse quadro persistiu durante quatro meses, e o que ela ouvia dos médicos é que se tratava de um resfriado.

A desconfiança da mãe de que era algo mais sério aconteceu em função da recorrência do problema, que não se resolvia com os remédios receitados. “Chegou uma hora em que eu não aguentei mais e disse que não sairia do hospital sem um diagnóstico preciso. E foi aí que o meu filho foi internado, e uma médica finalmente percebeu o edema, que já havia se espalhado por todo o corpinho dele. Ela pediu para fazer exames, para ter certeza do diagnóstico – que infelizmente se confirmou”, lembra.

Além desses sintomas apresentados pelo pequeno Heitor, pode-se desconfiar da Síndrome por meio de outros sinais, como a retenção de líquido, caracterizada por inchaço em algumas partes do corpo (como abdômen, olhos, tornozelos e pés) e ganho de peso. Outro sintoma comum é apresentar xixi com bastante espuma (causada exatamente pelo excesso de proteína).

Os profissionais que podem diagnosticar o problema são desde um clínico geral até os mais específicos, como nefrologista, endocrinologista ou hematologista (especialidade médica que trata doenças do sangue). O diagnóstico, assim como aconteceu com Heitor, é feito por meio de exames (de sangue e de urina) ou ainda por uma biópsia do rim.

 

Há alguma consequência?

A Síndrome Nefrótica pode desenvolver outras complicações no organismo, como a formação de coágulos sanguíneos, aumento dos níveis de colesterol e triglicérides, hipertensão, insuficiência renal e má nutrição. Por isso é essencial seguir à risca as recomendações prescritas pelo médico.

 

E como tratar?

O tratamento vai desde medicamentos para a doença propriamente dita até remédios para tratar os sintomas mais incômodos. Outra parte muito importante da terapia é a alimentação, que precisa passar por algumas restrições, como a retirada do sal e de gorduras. Isso é necessário para evitar o aumento da retenção de líquidos e controlar o colesterol. “O Heitor hoje é adepto de uma dieta sem sal e sem nada industrializado. Ele também precisa evitar contato com pessoas com qualquer tipo de infecção”, conta Márcia. Segundo ela, há outro ponto essencial para acompanhar o tratamento do filho: “é preciso que os pais tenham muita sabedoria pra lidar com o problema, pois é muito difícil”, completa. Contudo, o pequeno Heitor vem reagindo bem à nova rotina – e nós torcemos para que a cura realmente próxima!




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