A verdade sobre o baby blues

Por 13 Comentários


Hoje fui à casa de uma amiga que acaba de ter seu primeiro filho. Como já faz algumas semanas que ela voltou da maternidade, e por termos bastante intimidade para dividir os momentos do pós-parto sem a necessidade das convenções sociais do cafezinho, do pedaço de bolo a quem visita, me senti à vontade para passar meia horinha ao seu lado. E saio com o coração leve, por ter dado a ela o mesmo presente que recebi quando Catarina nasceu: o desabafo de uma outra grande amiga, que me contou a verdade sobre o baby blues.

Pode ser que para você tenha sido fácil viver os primeiros meses do seu filho, mas para uma grande parte das mães, essa é uma das fases mais difíceis da vida. E não estou falando de depressão pós-parto: essa, um quadro grave, precisa de acompanhamento médico, porque impossibilita a nova mãe de executar suas tarefas diárias e os cuidados com o bebê. Mas mesmo para aquelas que não a desenvolvem, pode surgir uma tristeza até então desconhecida – eu a senti e digo por experiência própria: por vezes me perguntei se realmente tinha condições de cuidar da minha pequena, se aquele sentimento passaria, se havia feito a escolha certa quando decidi ser mãe. Não, não é exagero (você pensa tudo isso e mais um pouco).

Imagem: 123RF

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Muitos médicos atribuem esse período à queda hormonal que ocorre logo depois do parto – e com certeza essa montanha-russa de hormônios, que sobem a níveis estratosféricos durante a gravidez para depois despencarem de uma só vez, tem forte relação com o baby blues. Mas já tendo passado por ele, sinto que aquele aperto no peito pode ser explicado por vários outros fatores. É a impossibilidade de sair de casa por dias (há mães que ficam mais de um mês assim!), que parece sufocar quem sempre teve liberdade para ir e vir. É a falta de sono contínuo, que tritura seu cérebro e ativa um botãozinho lá dentro – o das lágrimas, que aparecem sem avisar, sem se explicar, quase uma válvula de escape para a tensão de assumir a responsabilidade por um serzinho tão frágil e que foi confiado a você. É a frustração pela incapacidade de identificar o motivo do choro, e que parece repetir nos seus ouvidos: “meu filho está sofrendo, e eu não sei como parar isso”.

Foi assim comigo, e eu agradeço a coragem de uma amiga que me fez uma confissão naquela época: a de que ela também se sentiu totalmente incapaz. Entre risadas e olhos marejados, lembro que ela me disse: “é como se você pensasse em devolver seu filho, se isso fosse possível. Não porque você não o queira, porque é tudo o que você mais quer, mas porque não acredita que você é a mãe que ele precisa que você seja”.

Mas tudo o que eu posso garantir é que isso passa. Aos poucos seus hormônios voltam ao normal, já é possível ver o sol batendo na pele – na sua e na do pequeno (bendito sol, obrigada por você existir!). Você vai percebendo que embora não saiba todas as vezes a razão pela qual seu filho chora, seus olhos dizem que ele te ama, o que te torna uma boa mãe. A tristeza, que aparecia quase todos os dias, vai cedendo lugar a uma força e uma alegria que não cabem no peito. Então você se olha no espelho e se descobre feliz.




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Comentários (13)

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  1. Por que ninguém fala sobre o Baby Blues? : Mil dicas de mãe | 2 de dezembro de 2015
  1. Verdade verdadeira, Nívea. Não é exagero mesmo. Eu chorei os 30 primeiros dias de vida do meu filho.
    Também acho super importante falar sobre isso. Na época, fiz até uma poesia sobre o caos da chegada de um filho.
    Se te interessar, publiquei no meu blog: http://somelhora.com.br/index.php/2015/10/01/primeiro-mes-do-bebe-o-caos-da-chegada-de-um-filho/

  2. Melissa Cortez disse:

    Descrição perfeita! Senti tudo isso também, os primeiros dias são tão difíceis, que eu queria ter tido essa palavra amiga na época. Tive todo o apoio do mundo, mas não esse desabafo, que eu tanto necessitava. Me sentia culpada pelos sentimentos tão contraditórios e por não estar nas nuvens com meu tão desejado bebê em casa. Mas é isso mesmo… passa… e que bom que você pôde dar esse conforto pra sua amiga, quero muito poder fazer isso com alguém também. =)

  3. Daniela disse:

    Nunca li algo com o qual eu me identificasse tanto, meu Deus!!!

  4. Nívea Salgado disse:

    Oi, meninas,

    Bom saber que vocês se identificaram com o post 🙂

    Beijos!

  5. malu danhoni disse:

    È bem assim mesmo, Baby Blues é tão avassalador me sentia tão culpada por nao me entender, só hj depois de 5 anos penso em ter outro filho kkk mas graças a Deus passa e hoje vejo que passou té rápido… porém nunca mais quero te-lo em minha vida…

  6. Daiana Tavares disse:

    Li e me emocionei. Não podia deixar de comentar. Eu sofri muito na primeira semana de vida da minha filha. Mas nunca ouvi falar de baby blues e achava que eu era o pior ser humano do mundo por sentir coisas horríveis ou simplesmente por não estar totalmente feliz com a maternidade. Felizmente resolvi compartilhar com uma amiga e ela me contou que passou pela mesma coisa, o que me deixou aliviada. Hoje por fim isso passou e amo demais a minha princesa.

  7. Gabrielle disse:

    Nivea, acredito que muitas mulheres tem vergonha de falar sobre isso. Passei por tudo isso que você descreveu e infelizmente, não tive uma amiga para dividir algo tão importante. Eu só consegui começar a me sentir melhor e mais confiante depois que meu filho completou 3 meses.
    Obrigada por compartilhar isso conosco!

  8. Jhonatas disse:

    Por duas vezes escrevi um texto enorme parabenizando todas vocês, gostaria muito que vocês lessem, mas as duas vezes o site se auto-atualizou e perdi o que estava escrevendo antes de enviar.
    Uma pena, tenham certeza que era um lindo elogio a todas as mães.

  9. Pri Xavier disse:

    Ótimo post. O baby blues é uma verdade que nós mulheres escondemos das outras. Nem nossa mãe, nem nossas amigas, nem a nossa sogra falam sobre essa fase pós parto. Um fase difícil, momento que estamos tão sensíveis. Acho que não tocam nesse assunto por vergonha, pois todos fantasiam a maternidade como um momento mágico, único, de muito amor etc. Sim, é um momento com todas essas características e também é uma fase difícil, nova, cheia de desafios, muito cansaço físico e mental. Um turbilhão de hormônios dentro de nós. Eu passei pelo baby blues, chorava muito, me sentia decepcionada com a maternidade, pois não via esse mundo maravilhoso que sempre ouvi e li a respeito. As pessoas me perguntavam: “não é o maior amor do mundo?” e eu pensava comigo “onde eu devolvo esse pacotinho que só chora”. E o tempo foi passando, fui ficando mais experiente, os hormônios se acalmando e minha filha chorando menos, dormindo melhor, recebendo elogios de todos que nos visitavam “nossa, que bebê boazinha”, “ela é um anjo, não dá trabalho”. E todo o sentimento negativo passou. Hoje prestes a completar 1 ano que sou mãe, nem me lembro dos momentos difíceis, até parecem que nem existiram. Quando olho minha pequena, penso “como pude gerar essa coisa tão linda”. Quando ela está dormindo, sinto até saudades dela e morro de vontade de acordá-la para ficarmos juntas. E hoje tenho certeza que esse é o maior amor do mundo! Bendita seja a natureza que é perfeita!

  10. Priscilla disse:

    Ai que alivio! Estou 6 dias do pós parto e passando por isso.. Minha primeira filha foi ha 10 anos atras e eu nao senti nada de baby blues, dai me deparei com isso agora e nao estava preparada pra isso.. Qnd minha bolsa estourou fiquei tao feliz, pois meu pequeno estava a chegar, mas 1 dia depois veio angústia trsiteza, sentimento de incapacidade, preocupação extrema com a saúde dele.. Sendo que é perfeito e saudavel.. O choro vem sem avisar mesmo. Nao desgrudo nem um minuto dele.. E ja to sofrendo so de pensar em voltar a trabalhar.. O pior de tudo é que minha familia nao entende, e fala que é frescura.. Me sinto sozinha e aflita.. Mas ler isso me deu um grande alivio.. VAI PASSAR!! Obrigada!

  11. Graziella disse:

    Eu me identifiquei muito com esse post. Tive um grave baby blues quando tive a minha primeira filha. Chorava muito e estava muito triste. Durou alguns anos. Pois não conseguia esquecer o parto difícil que tive. Para a segunda tb estou tendo , mas com menos inintensidade que a primeira vez. Mas sei que o baby blues é real em minha vida e muitas mulheres são descriminadas por sentir tristeza num momento dito tão feliz de suas vidas.

  12. sara queiroz disse:

    Nívea seus posts são demais. Me identifico com vários e fico feliz em ver que não estamos sós! Super!!!!!

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