7 brincadeiras indígenas para ensinar ao seu filho!

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Seu filho já cansou das mesmas brincadeiras? Aqui em casa eu vivo esse desafio: Catarina não para um minuto, e haja criatividade para criar novas formas de entretê-la. Brincamos com bonecas, princesas, esconde-esconde, pega-pega, e minha impressão é que o dia não chegou nem na metade! Também já ensinei algumas formas de brincar da nossa infância (quem se lembra de corre-cotia, passa anel, gato mia? Escrevi um post com todas elas, se você não viu, vale a espiada!).

Mas se a ideia é ir ainda mais longe, que tal ensinar ao filhote algumas brincadeiras indígenas? Pois eu acho que essa é uma forma muito bacana de valorizar a nossa história, a nossa cultura, o nosso país. Ricos em aspectos como respeito à natureza, à família, arte e culinária, os índios ainda possuem riqueza no brincar. O arco e flecha e a peteca são dois dos principais brinquedos que utilizavam e que se popularizaram na cultura ocidental – mas existem muitas outras formas de divertir as crianças, praticadas pelas tribos em jogos (só entre os pequenos ou envolvendo também os adultos).

Imagem: 123RF

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Como os índios vivem em comunidades, algumas dessas atividades precisam de um bom número de crianças para acontecer, e as de dois participantes são feitas sob os olhares curiosos dos outros pequenos, que se divertem assistindo, enquanto aguardam para ser a dupla da vez. Com isso, algumas dessas brincadeiras podem cair muito bem, por exemplo, em festas de aniversário, para animar a criançada e transportá-las para uma cultura que tem muito a nos ensinar! Conheça a seguir alguns desses jogos:

Toloi Kunhügü

Típica da tribo Kalapalo, habitante do sul do Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, essa brincadeira costuma ser praticada à beira do rio, onde as crianças desenham uma árvore com vários galhos, e cada uma escolhe aquela que será o seu ninho, para fugir do gavião (é como se fosse um pega-pega, em que o pegador é o gavião e os demais são os passarinhos). Para a brincadeira começar, os passarinhos devem ir até um ponto comum, localizado à mesma distância de todos os ninhos, para bater os pés, chamando pelo gavião. O gavião se aproxima aos poucos dos pequenos, agachado e, quando chega bem perto, levanta em um pulo e sai correndo para tentar pegá-los. Os passarinhos podem se proteger em seus ninhos, mas, se forem pegos, são levados para o ninho do gavião, de onde não podem mais sair. O vencedor é o último passarinho restante que, como prêmio, vira o próximo gavião e o jogo recomeça! A brincadeira pode ser reproduzida na terra ou mesmo no chão, onde a árvore pode ser desenhada com giz.

Heiné Kuputisü

Também da tribo Kalapalo, essa brincadeira é bem simples e consiste em uma corrida com um pé só. É escolhida uma distância, em que é traçada uma linha, e o desafio é que os participantes cheguem até ela correndo como um saci (e não vale trocar de perna!). Aquele que aguentar ir ainda mais longe é o grande vencedor. Nessa brincadeira, o que vale não é a velocidade, mas a distância percorrida.

Briga de galo

Nesse jogo o objetivo também é permanecer em uma perna só, mas, ao contrário do anterior, os participantes devem ficar parados. Lembra-se da briga de galo na piscina, em que cada um sobe nos ombros de outra pessoa e tenta derrubar o adversário? Na versão indígena em terra firme (eles também brincam nos rios, como nós) são dois competidores e cada um deve se equilibrar sobre uma perna e deixar os braços cruzados no peito. O objetivo é tentar fazer o outro perder o equilíbrio, utilizando os ombros.

Outra variação da briga de galo comum entre os índios Manchineri, que vivem no Acre, é imitar mesmo um galo. Cada participante (são dois) deve ficar com o tronco inclinado até a linha da cintura e permanecer com as mãos dadas atrás das coxas. Deve ser feito um círculo na terra (ou no chão com um giz) e o objetivo é, usando o tronco, empurrar o adversário para fora do círculo. Apesar do nome do jogo ser “briga”, essa e outras lutas praticadas pelos índios desde pequenos não envolvem violência – o que vale, assim como nas artes marciais, é o treino da concentração e do pensamento rápido.

Adugo

Esse jogo, comum entre os Bororos (índios do Mato Grosso), também precisa de apenas dois competidores e lembra uma disputa de damas. O tabuleiro é desenhado no chão e as peças são pedras, sendo 14 pequenas (que serão os cachorros) e uma grande (que será a onça). Uma criança manipula os cachorros e a outra a onça. Quem estiver com os cães, deve se esforçar para deixar a pintada encurralada e, quem estiver com a fera, tem o objetivo de comer o maior número de cachorros, pulando pelo tabuleiro como no jogo de damas.

Derruba toco ou Luta do Maracá

Praticada pelos Pataxós, de Minas Gerais e da Bahia, e também pelos Tupinambás, que habitavam boa parte do litoral brasileiro, essa luta consiste em tentar derrubar um pedaço de toco (daí o nome) usando uma parte do corpo do adversário. É possível reproduzir em um tatame, por exemplo, para ninguém se machucar, e o objetivo pode ser virar uma garrafa pet (mas cheia de areia ou de algum outro conteúdo, para ficar mais difícil de derrubá-la), derrubando o oponente, para que ele cause a queda do objeto.

Marimbondo

Em muitas florestas, é comum o aparecimento de marimbondos, e eles acabaram servindo de inspiração para essa brincadeira, que costuma ser feita à beira do rio. As crianças são divididas em dois grupos, um que fica brincando entre si (geralmente são de meninas, que aproveitam para fazer beiju, a nossa tapioca), enquanto o outro usa terra ou areia para construir uma grande casa de marimbondos. Quando o primeiro grupo vê que a casa está quase pronta, deve sair correndo para tentar destruí-la. Já o segundo grupo deve impedi-los, “picando-os” como se fossem marimbondos.

Tobdaé

Essa é como a nossa queimada, mas se joga em duplas; e, ao invés de uma bola, usam-se petecas. Com algumas petecas para cada criança (podem ser umas três, ou usar a mesma várias vezes), uma deve atingir a outra, ao mesmo tempo em que tenta desviar dos lances do adversário. Quem for queimado, sai da brincadeira e outro pequeno entra no lugar. Esse jogo é comum em boa parte das tribos indígenas, como entre os Xavantes, do Mato Grosso.




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