Alguma coisa vai muito mal quando se gasta mais com cabeleireiro do que com educação

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Eu acho que vale a pena discutirmos alguns assuntos aqui no blog. Eu não me considero uma pessoa extremista – tento optar pelo caminho do bom senso, e acho que cada família tem sua dinâmica. Por isso mesmo, tento ao máximo não fazer julgamentos: acho que cada mãe e pai sabem o que é melhor para seu filho. Mas algumas informações não devem passar batidas, porque elas contam muito sobre a nossa sociedade, em geral. O que valorizamos, as escolhas que fazemos, e que um dia terão influência no que nossos pequenos se tornarão.

Pois bem, ontem eu li uma matéria do site Pequenas Empresas, Grandes Negócios, que eu gostaria de compartilhar com vocês. Nela, uma série de números contavam algo que, para mim, é estarrecedor: que no Brasil se gasta mais com cabeleireiro (e aqui incluímos serviços de cabeleireiro, barbeiro, e também de manicure e pedicure) do que com educação (considerando custos da pré-escola ao segundo grau). O que nos leva à seguinte pergunta: que tipo de valores estamos ensinando aos nossos filhos?

cabeleireiro

Está certo que, nesse estudo, não estão contabilizados os gastos que o sistema público tem com a educação de nossas crianças – apenas a parte do orçamento que as famílias dizem gastar com esses itens. Mas, se formos pensar bem, já vi muitas pessoas pagando R$300,00 (ou mais, muito mais!) para fazer uma escova progressiva, mas que se recusam a gastar o mesmo com uma parcela de um curso de inglês para o filho.

Indo mais fundo: a matéria diz também que o que nós, famílias brasileiras (das classes A a E, viu? Não é um fenômeno localizado em apenas uma!), gastamos com cabeleireiro é mais do que o montante usado para comprar alimentos básicos, como aves e ovos. Concordam comigo que não faz sentido?

Estou querendo dizer que uma mãe, ou um pai, não tenha o direito de se cuidar, de se sentir bem com a própria imagem? Claro que não! Acho que cuidar do físico é parte do que precisamos para levantar a autoestima, e até para nos colocar profissionalmente – ou alguém tem a ilusão de que não somos julgados pelo que aparentamos? Mas ao mesmo tempo, penso em países muito mais desenvolvidos do que os nossos, em que somente uma parcela minúscula da população utiliza serviços de beleza com frequência (simplesmente porque são impagáveis! Fazer a mão é só de vez em quando, e olhe lá!). E as pessoas sobrevivem! Coincidentemente ou não, são esses mesmos países aqueles que têm os sistemas de educação tidos como os melhores do mundo.

O recado dessa pesquisa, para mim, é que estamos nos alimentando muito mal, e tendo uma educação medíocre, em muitos aspectos. Mas talvez isso passe despercebido, porque no Facebook está todo mundo com o cabelo lindo!




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Comentários (1)

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  1. Olá Nívea,
    Gosto muito do seu site, leio sempre!
    Muito interessante e triste essa estatística.
    Acrescento que além de gastar mais dinheiro, muitas famílias gastam mais TEMPO com cuidados estéticos do que com seus filhos.
    As mesmas mães que reclamam horrores do tempo gasto auxiliando os filhos no dever de casa são capazes de ficar horas no salão numa boa!
    Muito triste!
    O que será dessa geração que está crescendo com valores tão invertidos?

    um beijinho,

    Raquel

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