A maneira certa (e a errada) de usar cereais na alimentação do seu filho

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O sonho de toda mãe de bebês pequenininhos é que eles durmam a noite inteira, não é verdade? Só quem é mãe sabe o quanto é desgastante levantar duas, três vezes por noite, e ter o sono todo “picotado”, para acordar no dia seguinte e dar conta de todas as tarefas. Por isso, uma das dúvidas mais frequentes que recebo das leitoras do blog é a seguinte: “se eu engrossar a mamadeira do meu filho, ele deixará de acordar durante a noite?”.

Em primeiro lugar, é necessário explicar que, nos primeiros meses de vida, é natural que um bebê acorde mais de uma vez durante a madrugada – isso faz parte do amadurecimento de seus ciclos de sono, e também tem relação com o tamanho de seu estômago: como é pequenininho, a quantidade de leite materno que ele consegue conter em cada mamada também é pequena, o que faz com que acorde para mamar. E isso é bom para a criança, pois dessa forma ela terá os níveis de nutrientes no sangue sempre mantidos pela amamentação (até que não precise mais desse mecanismo – e, naturalmente, passará a dormir por mais tempo sem acordar).

texto cereais

E qual é a conclusão disso? É que, ao contrário do que a geração de nossas mães fazia (adicionar cereais,  açúcar e leite de vaca, tornando a refeição uma bomba calórica), não é recomendável que você prepare uma mamadeira engrossada com cereais (mesmo porque, até os 6 meses de vida, a Organização Mundial de Saúde preconiza a amamentação exclusiva no peito – que, se não é possível para todas as mães, deve, sim, ser perseguida e tentada a todo custo por aquelas que têm uma boa produção de leite e não apresentam problemas de saúde para amamentar).

Mas, se os cereais infantis não devem ser usados para engrossar a mamadeira, então existe outra forma de utilizá-los? Considerando que algumas marcas contêm substâncias como probióticos (que auxiliam nas defesas do organismo), ferro (uma das maiores carências nutricionais da população brasileira) e diversas vitaminas, você deve conversar com o pediatra do seu filho, para que ele recomende de que forma e em que momento da introdução alimentar eles podem ser utilizados (nunca antes dos 6 meses) – em geral, na forma de mingau, oferecido com colher e como opção de lanche da manhã ou da tarde.

Acho importante falar sobre a composição dos cereais infantis, para que possamos conhecê-los um pouco mais:

– Cereais propriamente ditos: eles são a base dos cereais infantis (aveia, arroz, milho, na forma de farinha) e fazem parte da recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria para a alimentação do bebê a partir dos 6 meses de idade.

– Ferro: pode ser adicionado aos cereais infantis, para ajudar na prevenção de anemia. O ferro é um dos minerais mais importantes para o desenvolvimento da criança, já que atua na formação neurológica dos pequenos, e é um componente essencial da hemoglobina – que fica dentro das células do sangue e é responsável pelo transporte de oxigênio para todo o corpo. A falta de ferro torna a pessoa anêmica (em crianças, os sintomas iniciais são fraqueza, desânimo, cansaço, palidez – e podem evoluir para algo mais grave, como falta total de apetite, e, até mesmo, atrasos no crescimento).

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a suplementação de ferro (com medicamentos ou alimentos fortificados) na primeira infância – justamente porque o risco de anemia é muito comum nessa faixa etária – nas seguintes situações:

  • Bebês que nasceram a termo com peso esperado para a idade gestacional: após os 6 meses de aleitamento materno exclusivo ou assim que introduzido outro alimento complementar ao peito, até os 2 anos de idade, a menos que utilizem fórmulas infantis fortificadas com ferro.
  • Recém-nascidos com baixo peso ou prematuridade: a partir do 30º dia de vida e durante 2 meses. Depois desse período, com esquema igual ao dos bebês que nasceram na idade gestacional e com peso ideais.

– Probióticos: são as chamadas “bactérias do bem”, que também podem ser adicionadas aos cereais infantis. Sua função principal é a de melhorar as defesas do corpo, já que diversos trabalhos os relacionam com uma menor chance de crianças desenvolverem diarreia severa e dermatite atópica. Existem também indícios de que os probióticos possam auxiliar na melhora de outros processos alérgicos.

– Vitaminas: atuam em diversas funções do corpo dos pequenos e são importantíssimas para o bom crescimento e desenvolvimento do filhote. A vitamina D ajuda na absorção do cálcio, e por isso interfere na formação de ossos e dentes. As vitaminas do complexo B atuam no metabolismo dos nutrientes e na formação de células cerebrais. Já a vitamina C é reconhecida por sua capacidade de melhorar o sistema imune, mas não é a única que auxilia nesse sentido – a vitamina A, por exemplo, auxilia na regeneração de tecidos como a pele e mucosas, impedindo a entrada de invasores, e atua diretamente na formação de células de defesa (mas, assim como o ferro, é muito comum ocorrer carência desse nutriente na população brasileira).

Enfim, espero ter trazido informações novas e interessantes sobre o assunto! Lembrando que a conversa com o pediatra do seu filho é fundamental para guiá-la no processo de uma alimentação saudável e que irá beneficiar o filhote agora e para o resto da vida!

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Comentários (1)

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  1. Dulci disse:

    Adorei o texto. Muito bom saber que este mingau oferece tantos nutrientes importantes. Principalmente o Ferro que precisei suplementar nos 6 primeiros meses. Eu adoroooo Mucilon e minha filha também!!!!!

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