Porque é sempre a mãe quem segura o rojão

Por 29 Comentários


Muitas vezes, quando vejo aqueles comerciais de televisão de retratam a maternidade, fico pensando nas pessoas que os criaram. Será que são homens, que nunca viverão na pele a realidade de uma mãe? Ou são mulheres, ainda jovens, que acreditam nas cores pastéis com que pintam o papel de uma mãe? Ou ainda, será que são mães reais, que já passaram pelo turbilhão de sentimentos que uma mulher com filhos pequenos conhece bem, mas que já tiveram a loucura dos momentos difíceis apagada pelo tempo? Eu não sei, mas certamente se eu fosse produzir essas cenas, elas seriam bem diferentes (um tanto engraçadas, no melhor estilo “ria para não chorar”!).

Por favor, não me entendam mal: eu amo ser mãe. Aliás, a maternidade é certamente uma das coisas mais importantes da minha vida, se não a de maior importância atualmente. Não há dinheiro no mundo que pague a felicidade de olhar docemente um filho, todos os dias. Muito menos de sentir sua mãozinha, seu abraço, seu coração batendo pertinho do seu. O que estou querendo dizer é que há dias em que você cansa – porque, fatalmente, você sabe que o rojão vai estourar na sua mão.

mae segura rojao

Como? Ah, eu poderia fazer uma lista com cem itens, só para começar! Quem é que passa os primeiros meses do bebê praticamente sem dormir, comendo e tomando banho em cinco minutos (se tanto!), olhando-se no espelho e se achando acabada? A mãe, claro! E quando o filho fica doente, quem é que acorda de hora em hora para ver se a febre abaixou, que precisa explicar para o chefe que vai sair mais cedo para levar o pequeno ao médico, e que acaba pegando todas as viroses possíveis e imaginárias porque seu corpo também está no limite do cansaço? Pois é, a mãe também.

E vocês acham que melhora quando o tempo passa? Então vou contar um segredinho: não passa não, só muda o foco! Porque se a criança faz qualquer coisa errada (ou que fuja dos padrões de quem a está observando), foi a mãe quem não soube educar (mas ninguém pensa que aquele comportamento pode ser típico da idade – como a birra -, ou que ela pode estar apenas cansada, com fome ou doentinha; o julgamento prévio já aconteceu, e foi colocado na conta materna, num piscar de olhos).

Isso sem falar na guerra da rotina. Você sempre é a mãe chata que precisa pegar no pé para que o filho durma na hora certa, coma de forma saudável, escove os dentes, não fuja do banho… Porque se não for assim, você sabe muito bem que quem vai aguentar o filhote chorando de cansaço ou de fome é você (é ou não é?). Se você segue a “linha dura”, aos olhos dos outros é estressada; se tenta levar as coisas de forma mais leve, é uma mãe “banana” que vai criar uma criança que faz o que quer.

E tem também o peso das escolhas, que acabam sobrando para a mãe. Se você decide tratar seu filho com alopatia, sempre vai aparecer alguém para dizer que homeopatia é muito melhor (e vice-versa). Se você resolve montar um quarto montessoriano, porque acredita que dessa forma o bebê se desenvolverá com muito mais autonomia, vai ter que ouvir que está “inventando moda” – afinal, “por que você não compra tudo clássico, como todas as suas primas fizeram? É muito mais elegante! ”. Se você decide levar seu filho na festa do amiguinho da escola (aquela que o pequeno espera há um mês, porque é do colega de quem ele mais gosta), corre o risco de ser cobrada porque não foi ao almoço de família. Ou seja, não importa o quanto você se esforce: provavelmente vão achar, em algum momento, que você está fazendo tudo errado.

E sabe o que talvez seja o mais incômodo de toda essa situação? É que, no fundo, você só está tentando acertar, conciliar o que é melhor para todos, mas sem abrir mão do que considera o melhor para o filho. Porque mãe é mãe (e digam o que quiserem) – vai sempre colocar a felicidade do filhote em primeiro lugar.




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Comentários (29)

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  1. Flavia disse:

    Nossa isso e tudo o que eu gostaria de gritar para o mundo nesse momento,sou mae de 4. dois bebes e dois adolescentes.amooo ser mae, mais e facil msmo nao.so Deus para nos sustentar. e seus textos para nos confortar de que nao estamos so.que na casa do vizinho tbem e exatamente do msmo jeito. parabens

    • mariluce disse:

      Adorei seu comentário, críticas sempre vem como enxurrada, sou mãe de 3 menina e estou na quarta gestação, aí vem os comentários ah só pode estar ficando louca, mais um filho. .. meu deus. . Sou quem realmente ama seus filhos acima de tudo sabe bem o que passamos.

  2. Erika disse:

    Parabéns pelo post! Você disse tudo, me vejo totalmente nessa situação.

  3. Carol disse:

    Perfeito demais!!

  4. Viviane Almeida disse:

    Muito Obrigada! Post ABSOLUTAMENTE PERFEITO, FANTÁSTICO…Resume todo o sentimento do que é a maternidade.

  5. Luiz disse:

    Pela forma que o texto foi escrito, Pai só serve para varrer chão e engravidar. De resto, educação e aprendizado, tem mais é que calar a boca e não dar um pio. Texto feminista demais e escrito por alguém que se acha a mãe mais injustiçada do mundo. Ridículo!

    Faz parte do casal segurar as broncas da responsabilidade de se ter um filho.
    Se a mãe que escreveu esse texto, e tantas outras, se acham injustiçadas porque dizem que só elas podem aguentar o tranco das situações do dia a dia com filhos, porque optaram por tê-los? Acham que são as únicas mães do mundo que amamentam de madrugada ou apartam choros e afins?

    Desse jeito o pai vira apenas um doador de esperma. Péssimo texto!

    • Regina disse:

      Acho que você não entendeu o sentido do texto. Em momento nenhum foi falado que o pai é desnecessário na educação do filho ou em qualquer momento da vida dele.

      • Carlos disse:

        Não está escrito explicitamente, é verdade. Entretanto, quando a autora coloca que “quem aguenta o rojão é a mãe”, está excluindo toda e qualquer outra pessoa que segure rojões.

        E sim, aqui estou ampliando o espectro. Além de exlcuir os pais, exclui avós, tios, tias, primos e outras pessoas que tem contato com a criança e que EVENTUALMENTE, em uma escala muito menor que a mãe, também tem que lidar com rojões (desaforos, gritos, desobediências, malcriações etc) da criança/bebê.

        Desculpem mães, mas apesar de vocês serem maravilhosas e aguentarem muita coisa, essa vitimização da maternidade é rídicula.

        Infelizmente não possuo dados suficientes, porém afirmo com bastante confiança que a maioria esmagadora das mulherer que comentam aqui (e incluo a autora do texto aqui, é claro) sabiam da maioria das consequencias de se ter um filho ANTES de tê-lo.

        Desabafar é necessário, claro. Porém, lembrem-se que o seu filho/a e o universo NÃO giram ao redor do umbigo de vocês.

        É tragicômico como o papel do pai é esquecido.

        DUVIDO que as mães tenham trocado TODAS as fraldas do filhos.
        DUVIDO que as mães tenham dado TODOS os banhos.
        DUVIDO que as mães tenham disciplinado os filhos sozinhas.
        DUVIDO que as mães tenham feito TODAS as refeições dos filhos.
        DUVIDO que as mães tenham acordado em TODAS as noites necessárias para dar mamadeira.

        E por aí vai.

        Se o texto foi desabafo, tudo bem. Desabafo lido. Esse foi o meu.

    • Tatyeli disse:

      Caro Luiz,
      Interpretação de texto não é o seu forte, definitivamente. Aprenda a ler e interpretar antes de fazer um vomentarrio. Ela jamais falou algo dos pais, so exemplificou como a sociedade sempre julga as mães, sempre a culpa é nossa. Então para de frescura.

    • Maria disse:

      Luiz,

      Concordo com tudo o que você diz, menos que esse texto eh feminista, pelo contrário, eh totalmente machista, pois o pensamento de achar que a mulher eh obrigada a cuidar sozinha de um filho vem da visão paternalista.

      Os homens também tem que compartilhar da criação do filho e as mulheres que não dividem isso com seu marido, seja por que “preferem” fazer tudo sozinha ou por medo de pedir mais ação por parte deles foram criadas dentro desse sistema! Se dividissem as tarefas a maternidade não seria esse fardo como aparenta o texto!

    • Mari disse:

      Varrer chão??
      Tu nao sabes quanto és feliz….

    • Mari disse:

      Ops é um homem e ó é dodoizinho que nem os outros
      Nada feminista porem a visão da mãe mesmo… a gente fica chata de tanto cansaço e ao inves de ajudar ficam cobrando mais ainda… quem ta sendo machista entao?

  6. Simoni disse:

    E por esses posts q eu não deixo de seguir esse blog

  7. Isllany disse:

    Texto perfeito! Descreve a vida de muitas mães onde a sociedade as cobram cada dia mais! Parabéns!!

  8. Má Francisco disse:

    Do fundo do meu coração… É muito bom saber que não estou sozinha.
    Super confortante o texto.

  9. Jaqueline Chaves disse:

    Amooo seu blog e sempre me identifico com seus posts.. Me ajudam demais!!
    Deus te abençoe!!
    Bjim.

  10. Miriam disse:

    Nossa!!! Post perfeito,tudo que você fala é a realidade, me vejo na maioria deles.obrigada!

  11. Aminaro Raiferer disse:

    Vocês não têm marido não? São mães solteiras? Parem de chorar feito crianças e ajam como mães!

  12. Anny Joyce disse:

    Tudo verdade,
    Amo seus artigos. Fica as vezes achando q acontece só comigo e quando na realidade acontece com todas nós.
    Somos mães e estamos no mesmo barco.

  13. Indyra disse:

    Texto perfeito,usei como meu desabafo!Obrigada.

  14. Rosilei disse:

    Gente, salvo algumas exceções (mães solteiras, maridos q viajam muito, etc), todas essas tarefas podem e devem ser divididas com o pai. Não só para a mãe ter um descanso, mas para q a criança se acostume com ambos os cuidados, se sinta segura com qualquer dos dois e não sofra em caso de uma ausência necessária (se a mae ficar doente, viajar a trabalho ou ate mesmo dar uma atenção especial para o irmãozinho). Mães, incluam os pais nessas tarefas diárias e vcs não se arrependerão, pois cria.se um lindo vinculo entre vcs três. Bjs

  15. Karina disse:

    Parabéns pelo texto…
    É exatamente pelo q estou passando. As pessoas acham q tenho q fazer do jeito delas tudo, ignoram o fato q eu sou a mãe das minhas filhas e as escolhas são minhas. Ajudar ninguém quer, mas atrapalhar….

  16. Monica disse:

    Vivo totalmente nesta situaçao grandes palavras e verdadeirasvque escreveu

  17. Kelly disse:

    Caro Luiz, por sua indignação, pode-se inferir que você é um pai moderno, coparticipativo com os cuidados básicos e educação de seus filhos e tem amigos igualmente atenciosos. No entanto, infere-se, também, sua ignorância quanto à realidade da maioria das famílias brasileiras, cujos pais exercem seus limitados papéis culturalmente construidos. Sua agressividade ao criticar um texto escrito num blog notoriamente dedicado às mães nos permite ter a mesma má vontade que você demonstrou para compreender e comentar o texto, e, portanto, dizer que é a mãe, sim, a que segura o rojão na maioria esmagadora dos casos. É ela que engravida, que pare, que amamenta; é ela que sofre com as variações hormonais; que fica inchada; que tem dores físicas; que tem que amamentar mesmo com os mamilos em carne viva; que acorda milhões de vezes na madrugada; que é criticada pela mãe, irmã, prima, sogra, vizinha, cachorro, papagaio, pelas escolhas que faz; e que tem que ouvir desaforos de homens que aparecem em um blog que se chama Mil Dicas de MÃE! Ninguém está aqui reclamando de nada. Só trocamos figurinhas para não nos sentimos as merdas que nos fazem sentir quando algo dá errado, porque a fulana disse que com ela foi super tranquilo, e porque no comercial de fralda descartável as mães estão sempre lindas, arrumadas, penteadas e com um sorriso no rosto. É inegável a importância do papel do pai na vida de uma criança, porque sabemos as consequências negativas na vida das pessoas quando um homem age como mero “doador de esperma”. Mas aos pais que se sentirem injustiçados com a forma como sua super paternidade é desvalorizada por “feministas”, sugiro que criem um blog Mil Dicas de Pai e troquem figurinhas entre si. Vir aqui detonar um texto sobre o qual não se tem a menor empatia só faz reforçar o desserviço que a maioria dos homens prestam para as mães de seus filhos.

  18. Elisabete Antunes disse:

    Parabéns pelo artigo e pelo blog. Como mtas já disseram, nos ajuda mto e faz ver que não estamos sós.

  19. Karin disse:

    Amei o texto.
    Fiquei chocada com o comentário agressivo do Luiz, e adorei a resposta da Kelly… hahah… por essas e por outras que tenho que dizer: o blog me ajuda muito, consola, faz rir e só constrói. Super me identifico com vc e sua pequena, há muitas coincidências tb.
    Bjs e bênçãos pra vcs sempre!

  20. Jaqueline disse:

    Super me identifiquei!

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