Mãe, eu sei o que você sentia…

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Mãe, hoje preciso te falar uma coisa, sobre a qual venho pensando há algum tempo. A verdade é que por muito tempo eu não te entendi, e só com a maternidade pude descobrir suas motivações para agir e pensar de determinadas maneiras. E nem posso dizer que quando minha filha nasceu, eu passei a te compreender por inteiro: apenas com o passar do tempo, com as experiências que uma mãe vive, com as cabeçadas e com o sofrimento que, eventualmente, vemos um filho sentir, é que pude admirar sua forma de conduzir a vida.

mae eu sei sentia

Eu me lembro de um dia, em especial: quando Catarina tinha apenas um ano e meio, e seu narizinho começou a escorrer. Nunca me esquecerei de sua testa franzida, de seu olhar de preocupação, de sua vontade de abraçar e protegê-la, enquanto eu dizia: “mas, mãe, é apenas um resfriado, não faça tempestade em copo d´água!”. E naquela mesma semana minha filha foi internada, ficou três dias na UTI com uma crise de bronquiolite. Isso faz exatos três anos, mas eu nunca me esquecerei de seu corpinho que mal respirava, quase 24 horas por dia sobre mim; das noites em claro olhando o oxímetro, para saber se ela estava respirando uma quantidade suficiente de oxigênio; de meu pânico com a possibilidade de que ela piorasse. E você, que tinha criado três filhas, pôde antecipar tudo isso – e, ao invés de me falar: “bem que eu te avisei!”, você esteve ao meu lado firme, me dando força, porque sozinha provavelmente eu não aguentaria aquele peso.

Hoje eu entendo o que você sentia nas noites de febre, em que você programava o despertador para não correr o risco de dormir, com medo que eu piorasse. Eu entendo porque até hoje você não pode ouvir uma criança tossir, sem perguntar se está tudo bem e se você pode ajudar de alguma forma. Eu entendo sua aflição quando eu voltava com um arranhão para casa (e apesar de ser algo pequeno, eu sei que passava por sua cabeça que eu poderia ter me machucado mais). Eu entendo a fera que saía de você sempre que sentia alguma das filhas em situação de ameaça. Eu entendo as broncas em relação a coisas mínimas, porque eu entendi que a firmeza de caráter se forma também nos detalhes.

Eu sei que ainda descobrirei muitas coisas sobre você, nos próximos anos de maternidade. Que, por vezes, eu tomarei as mesmas decisões que você tomou, enquanto em outras decidirei por outros caminhos. E tenho certeza de duas coisas: que eu me guiarei pelo amor, assim como você fez; e que você estará ao meu lado, com esteve desde o dia em que cheguei aqui.




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Comentários (2)

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  1. Kamille Patricio disse:

    Texto maravilhoso!você escreve muito bem e com muito amor!Passei a enxergar minha mãe assim também,depois que minha Eloísa nasceu!amo seus textos leio sempre que tenho um tempinho! Continue. Bjo

    • Flávia Romanha disse:

      Amei o que você escreveu, é assim mesmo que me sinto em relação a minha mãe, depois que me tornei mãe do Bento.Só sentimos e compreendemos de verdade quando nos tornamos. É muito complexo expressar o que sentimos quando temos um filho. Abração.

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