Inteligência emocional: dicas práticas para ajudar seu filho a desenvolvê-la

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Com certeza você já ouviu falar sobre inteligência emocional, não é mesmo? Mas já parou para pensar se está ajudando seu filho a desenvolvê-la? No post de hoje, da nossa colunista Daniella Calderon, muitas e muitas dicas de como estimular essa habilidade nos pequenos, desde a infância. Não deixe de conferir, pois o post está delicioso!

Por Daniella Calderon

 emocional

Olá, queridas leitoras! Hoje vim falar sobre um assunto que considero muito importante no desenvolvimento das nossas crianças. Em todos esses anos de trabalho e estudo, na clínica, em abrigo e em escolas, percebi na prática o valor da educação socioemocional.

Sabemos que a vida de uma criança começa antes mesmo de seu nascimento, pois criamos expectativas em relação à concepção, gravidez, sobre seus relacionamentos com outras pessoas, suas fases de vida… Sonhamos em dar o melhor a um filho, e que ele seja feliz! Mas o que podemos fazer para ajudar os pequenos a identificar suas emoções e lidar com elas? Para que saibam trabalhar suas frustrações, desenvolver a resiliência, persistir em objetivos profissionais e pessoais, desenvolver empatia e compaixão por si e pelos outros, tomar decisões responsáveis? A educação socioemocional engloba todas essas habilidades e atitudes – por isso, a grande importância de colocar atenção nesse aspecto desde a primeira infância.

Nos EUA, diversas pesquisas (conduzidas principalmente pelo psicólogo Daniel Goleman) trazem resultados interessantes sobre a inteligência emocional. Um desses estudos, realizado com adultos, mostrou que pessoas com habilidades socioemocionais mais desenvolvidas apresentam resultados pessoais e profissionais melhores durante a vida, principalmente quando comparadas a indivíduos que possuem altos QIs. Por isso vale a reflexão: até que ponto devemos valorizar tanto o desempenho acadêmico de um filho, deixando de lado o desenvolvimento de outras habilidades que serão importantes não só na infância, como também na adolescência e vida adulta?

A educação socioemocional tem sido estudada em 5 grandes aspectos: Autoconhecimento, Autocontrole, Sociabilidade, Competências de Relacionamento e Tomada de Decisões com Responsabilidade. A seguir, seguem dicas práticas de como estimular as crianças para o desenvolvimento de cada um deles:

Autoconhecimento

  • Estimule a criança a identificar suas emoções/sentimentos e a nomeá-los. Por exemplo: quando seu filho estiver triste, mostre que ele pode chamar o que sente de tristeza; quando estiver alegre, de alegria. Reconhecer o que se sente é importantíssimo para se conhecer e aprender a lidar com esse sentimento.
  • Estimule a criança a lembrar o que estava pensando quando se sentiu de tal forma e teve tal comportamento. Já percebeu que seu filho pode ficar triste, mas sem saber o porquê? Repasse com ele os momentos de uma determinada situação, para que ela possa identificar exatamente o que causou determinado sentimento (e reação) – seja ele positivo ou negativo.
  • Incentive o reconhecimento de facilidades e dificuldades. Deixe que seu filho descubra o que acha fácil e difícil executar, e mostre que todos nós nos sentimos assim sobre as tarefas do dia-a-dia.
  • Normalize as emoções – é fundamental para o pequeno entender que todos os seres humanos sentem as mesmas emoções que ele sente. Assim, estamos dando suporte para seu reconhecimento.
  • Ensine seu filho a se acalmar quando necessário, fazendo a respiração abdominal (ela pode ser muito útil em momentos de perda de foco, raiva, medo e estresse). Peça que ele respire bem fundo, até levantar sua barriguinha – faça vários ciclos de inspiração e expiração, até que ele se acalme.
  • Cuidado com julgamentos de emoções. Desvalorizar sentimentos como o medo, dizendo que quem tem medo de monstro é bebezinho/quem chora é bobão, não é uma boa saída. Tente compreender o que está gerando aquela emoção em seu filho, coloque-se em seu lugar, para então ajudá-lo a superar o que está sentindo.

 

Autocontrole

  • Ensine a criança a se acalmar, a se distrair em situações de medo ou raiva. Mudar o foco pode ser de grande ajuda para lidar com essas situações.
  • Não estimule a criança a se defender com violência física ou verbal. Incentive-o a resolver o problema de forma justa e segura (cuidado mais uma vez com os julgamentos – “se você não bater no seu amigo que te bateu, é porque você é um frangote”).
  • Elogie quando a criança consegue se acalmar e focar na resolução do problema. Isso é o que chamamos de reforço positivo do autocontrole e comportamento – com o elogio, seu filho vai entender que realizou um bom trabalho e saberá que esse é o caminho para resolver a próxima dificuldade semelhante que aparecer.
  • Dê ideias à criança do que fazer quando algum amigo ou situação a tirar do seu controle – por exemplo: fale com a professora, converse com seu amigo e peça que ele pare de agir daquela forma.
  • Ajude seu filho a criar estratégias para controlar comportamentos não-adequados e impulsivos. Vale contar até 20 antes de reagir, respirar profundamente várias vezes…

 Sociabilidade e Relacionamento

  • Incentive a convivência com diferentes amigos e estimule a criança a compreender as diferenças de cada um. Sim, cada amigo gosta de uma determinada brincadeira, prefere uma comida diferente, se veste de uma determinada maneira – e tudo bem!
  • Estimule-o a fazer novas amizades e se comunicar assertivamente. Quando aparecer uma nova criança no ambiente de convívio de seu filho, estimule-o a sociabilizar com ela – com o exercício, seu filho aprende a se colocar diante de pessoas que ainda não conhece, a se desinibir, e entende que essa nova convivência pode ser extremamente positiva!
  • Incentive e tenha atitudes solidárias e de compaixão. Você pode não perceber, mas seu filho está de olho em tudo o que você faz. E é com seu exemplo que ele aprenderá naturalmente a se portar em muitas situações.
  • Ensine a criança a descrever o problema sem julgamento. Por exemplo: mostre que ele deve dizer “meu amigo tirou meu lápis e eu fiquei irritado” – o que é diferente de “meu amigo roubou meu lápis, ele é um…”.
  • Quando elogiar ou criticar a criança, fale do comportamento, atitude e ou situação – não generalize dizendo que o problema está nela. É muito comum que os pais digam: “você é feio, porque cometeu esse erro”; quando, na verdade, o melhor é dizer: “isso que você fez é feio, não faça mais”.
  • Ensine a criança a prestar atenção quando outra pessoa fala com ela e ouvir atentamente. Primeiro, porque ouvir é sinal de respeito. E depois, porque é ouvindo que ela poderá responder e estabelecer uma conexão com o outro.
  • Estimule a criança a se colocar no lugar do outro, entender outras perspectivas e opiniões, e respeitá-las. Isso é o que chamamos de empatia – uma habilidade fundamental para a boa convivência, tanto nas relações pessoais como profissionais no futuro.

Tomada de decisão com responsabilidade, persistência, resiliência:

  • Estimule a criança a se responsabilizar por seus atos e coisas desde cedo, de acordo com o grau de entendimento de sua idade. Sempre que possível, peça sua ajuda em casa, quando ela tiver condições de executar uma determinada tarefa.
  • Não faça por ela o que é esperado para sua idade. Mostre que está ao seu lado para dar suporte caso ela precise – oriente, supervisione e estimule (assim a criança se sente capaz e aprende a lidar com suas frustrações).
  • Mostre que nossas escolhas têm consequências: utilize exemplos do seu cotidiano para que ela entenda com maior facilidade esse conceito.
  • Elogie suas atitudes de responsabilidade e persistência, descrevendo claramente o porquê do elogio. Ou seja, foque na importância do seu esforço, e não no resultado da tarefa em si.

selo daniella




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Comentários (8)

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  1. Leiturinha | Inteligência emocional: dicas práticas para ajudar seu filho a desenvolvê-la | 8 de junho de 2015
  1. Fernanda Padilha disse:

    Excelente post!
    Um conteúdo importantíssimo na educação dos filhos, trazido de forma completa e com uma linguagem acessível aos pais!!
    Parabéns Daniella Didio!!!

  2. Obrigada querida Nivea pela oportunidade de troca e por eu poder compartilhar com voce e seus leitores um pouco do meu dia a dia!

  3. Fabiana Dourado disse:

    Importantíssimo tema e excelente texto!
    Parabéns para nossa querida Nívea e sua parceira Daniella.
    Abraços, Fabiana

  4. Nívea Salgado disse:

    Oi, Fabiana, que bom que gostou do texto!

    Também adorei o conteúdo que a Dani trouxe:)

    Grande beijo,

    Nívea

  5. Paula disse:

    No item que incentiva a dizer que o que a criança fez é feio ao invés de dizer que ela é feia eu discordo. As duas formas são processadas da mesma maneira por uma criança que ainda não tem maiores capacidades de discernimento como por volta dos 8 anos (segundo pesquisas da mente infantil). No meu programa eu estimulo os pais a banirem ambos. Em situação como esta dizer algo como: “o que você fez nao é permitido em nossa família porque bater machuca”. e seguir dizendo o que espera que ela faça em situações como aquela. (Varias sugestões mas em suma explicar o porque aquilo não e permitido/correto/ou aceitável, e sempre enfatizar o que espera usando o positivo). Dizer o que achamos sobre o que ela fez (ser uma coisa feia por exemplo e julgamento).
    E sobre o autoconhecimento eu faço uma atividade no espelho com a criança que estimula ela reconhece seus atributos físicos, morais e emocionais, gostos e de origem… Super legal ver os pequenos aos 4 ou 5 anos ja sabendo falar quem são eles!

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