Aulas extra-curriculares: qual é o limite para não estressar seu filho?

Por 3 Comentários


Ultimamente tenho pensando muito sobre as aulas extra-curriculares de Catarina. A pequena tem feito ballet e inglês desde o ano passado, e acredito que sua rotina tenha sido um pouco mais cansativa do que eu considero a ideal.

Na escola de ballet em que ela está (e que escolhi em função da qualidade dos professores e das aulas – por isso não penso em mudá-la para outro local), não há a opção de apenas um dia de atividade por semana (o que, segundo a minha percepção, deixaria a rotina da pequena mais tranquila). Por isso, às terças e quintas, Catarina tem seus momentos de bailarina; e às sextas, faz uma hora de aula de inglês com uma grande amiga minha, que é uma excelente professora particular e praticamente uma “tia” para a pequena.

Pensamos muito antes de estabelecer esse ritmo, e confesso que, para uma criança de três anos, tenho minhas dúvidas se foi a situação ideal. Agora, aos quatro, vejo Catarina muito mais feliz com as atividades, e menos cansada ao fim do dia (mas não considero nem ao longe a possibilidade de encaixar uma terceira aula em sua rotina – apesar de saber que a maioria de seus coleguinhas ainda tem aulas de natação).

menina chorando natação

Eu sei que há pais que consideram uma rotina como essa muito pesada para uma criança pequena – e outros que a acham perfeitamente normal, ou mesmo “vazia”. Também sei que há crianças menores do que Catarina que ficam na escola em período integral (portanto, com mais horas de aula), e que isso é comum nos dias de hoje. Mas meu sentimento de mãe diz que existe um limite tênue entre o que é bom, de fato, para a criança, e o que nós, adultos, consideramos que seja bom para ela.

Não tenho dúvidas sobre os benefícios que algumas aulas extra-curriculares trazem aos pequenos – vejo que Catarina tem uma boa expressão corporal (muito melhor do que a que eu tinha com sua idade), e que a introdução de uma língua estrangeira nos primeiros anos de sua vida já dá frutos (como o pouco sotaque nas palavras que a filhota pronuncia). Mas acho que colocar mais uma atividade em sua vida, nesse momento, seria extrapolar o limite do que é saudável (também tenho certeza de que esse limite varia de criança para criança, e que vai aumentando conforme ela fica mais velha).

Por experiência própria, sei que quando colocamos nossos filhos em aulas extra-curriculares, temos como objetivo desenvolver ao máximo suas potencialidades (e nos cansamos de ouvir que os primeiros anos da criança devem ser aproveitados, porque são uma fase “de ouro”, em que ela é capaz de adquirir habilidades ímpares – e por isso nos sentimos correndo contra o tempo, não é verdade?). Também acho que, em uma sociedade cheia de filhos únicos, é mais fácil preencher a rotina do pequeno com atividades, do que deixá-lo brincando sozinho em casa, ou em frente à televisão (porque a verdade é que, por mais disponível que você seja para ficar com ele, não fará isso 100% do tempo).

Por isso, percebo hoje que algumas perguntas devem ser respondidas quando estruturamos a rotina de uma criança, seja ela pequena ou um pouco maior, e gostaria de compartilhá-las com vocês:

– Meu filho está realmente feliz com essas aulas? (ou está cansado demais para aproveitá-las?)

– Ele tem a oportunidade de fazer o que gosta? (se a criança pede para fazer aulas de capoeira, por que colocá-la no judô?)

– Há alguma forma de organizar a agenda para que ele se canse menos (deixando dias livres entre uma atividade e outra, por exemplo)?

– O horário das aulas se encaixa na rotina da criança, sem cansá-la (será que fazer aula de música às 18h é realmente interessante)?

– A rotina escolar está sendo prejudicada pelas aulas particulares (porque não podemos nos esquecer de que a criança precisa de tempo e calma para fazer as refeições, se vestir, chegar à escola no horário, fazer lição de casa…)?

E não mais importante do que as outras:

– Meu filho tem tempo para simplesmente brincar e se divertir descompromissadamente?

Respondendo a essas perguntas de forma honesta, tenho certeza de que chegamos a um modelo que estimula, sem estressar. E se não funcionar, lembre-se da máxima de que voltar atrás e tentar de outra forma é sempre válido quando pensamos no bem-estar de um filho.




Arquivado em: AtividadesDesenvolvimentoEducação Tags:

Comentários (3)

Trackback URL

Sites que possuem links para este Post

  1. Links da Semana #65 - Blog do Dengucho | Denguinho o Universo da Criança | 22 de maio de 2015
  1. Anna Carolina Bruschetta disse:

    Importante reflexão sobre o tempo livre para nossos filhos e que, na verdade, é importante não só para eles mas para nós também. O espírito lúdico é fundamental durante toda a vida mas acabamos sendo estimulados a abandoná-lo. Hoje, quando a inovação se torna um dos diferenciais para as empresas e também para as pessoas, há o resgate da importância de valorizar o tempo livre pois a criatividade anda junto com o tempo livre e com o lúdico. Hoje, mais do que nunca, é o momento de valorizarmos o tempo livre de nossos filhos porque este tempo é fundamental para seu desenvolvimento também. Não devemos esquecer que eles são crianças e crianças tem direito de brincar. Uma dica sobre a importância deste assunto é o filme Tarja Branca feito pela Maria Farinha Filmes (a mesma produtora do Muito Além do Peso), vale a pena assistir.

  2. jaqueline disse:

    Parabens…pelo blog…de sigo no instagran e agora aqui tambem…obrigada pelas dicas …me ajuda d+

Deixe seu comentário

Receba nossas dicas por e-mail