BPA: por que é tão importante mantê-lo longe do seu filho

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Ultimamente tenho substituído muitos dos plásticos que uso na cozinha por utensílios de vidro. E existem alguns motivos para isso: enquanto os potes de plástico retêm cheiro, ou ficam pigmentados, quando em contato com alimentos, os de vidro permanecem mais íntegros na rotina diária do armazenamento de ingredientes e refeições. Além disso, objetos de vidro podem ser lavados facilmente em máquina lava-louças (minha atual amiga inseparável!), facilidade que não é permitida por alguns plásticos sensíveis ao aumento de temperatura. E por fim, e mais importante do que isso, é que alguns dos pratos, talheres, copos ou filmes plásticos podem conter uma substância comprovadamente prejudicial ao organismo de bebês, crianças e adultos: o BPA.

Conjunto para alimentação "BPA Free"

Conjunto para alimentação “BPA Free” – imagem: Creative Commons

Para quem não o conhece em profundidade, eu explico: o Bisfenol-A (ou BPA) é um composto químico utilizado frequentemente na fabricação de produtos plásticos à base policarbonato e no revestimento interno de latas de alumínio. Desde janeiro de 2012, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) proibiu sua utilização em mamadeiras comercializadas nos Brasil, o que pode dar a falsa impressão de que a substância está longe do seu filho. Na verdade, o BPA continua muito próximo: ele pode estar presente em brinquedos, utensílios de cozinha, e até na garrafinha de água que você mantém no carro para a eventualidade de alguém ter sede no caminho.

O BPA contido nesses objetos pode ser liberado e transmitido aos alimentos, principalmente quando ocorrem variações de temperatura – no congelamento de recipientes, quando são levados ao micro-ondas ou esterilizados, ou potencialmente até quando ficam dias e dias dentro do seu carro e passam por ciclos de aquecimento ali (como determinado nesse estudo da Universidade da Flórida). Embalagens danificadas também liberam maior quantidade de BPA. E em países desenvolvidos, há ainda a preocupação de evitar brinquedos que contenham o composto, pois crianças pequenas podem levá-los à boca.

Mas quais são os efeitos nocivos do BPA? Para começar, o bisfenol-A atua no organismo como uma molécula parecida com o estrógeno, que é um hormônio feminino. Por isso se diz que ele é um desregulador endócrino – devido a essa semelhança, ele acaba modificando o funcionamento de diversas glândulas do indivíduo, e promovendo a alteração de níveis hormonais normais. Em bebês e crianças, que têm uma pequena massa corporal e um organismo imaturo para eliminar o BPA (ele é liberado na urina, mas pode ficar retido no tecido gorduroso do corpo), a contaminação por BPA é mais preocupante. Mas adultos também devem estar atentos ao composto – já ficou determinada sua relação com obesidade, maior ocorrência de câncer de próstata, de mama, de intestino, infertilidade feminina (nos homens também há a tentativa de associá-lo à má qualidade do esperma, mas ainda faltam estudos conclusivos), e há indícios de que ele possa aumentar a chance de um filho com Síndrome de Down e a transmissão de doenças de uma mulher exposta à substância a seus filhos e netos.

Agora, talvez a parte mais importante do post: como manter o BPA longe de sua família. Em primeiro lugar, opte por plásticos “BPA-free” (livres de BPA) ao escolher utensílios que terão contato com alimentos – em geral os fabricantes fazem essa indicação na embalagem. Outra dica importante é evitar plásticos que tenham a indicação dos números 3 ou 7 no símbolo de reciclagem (nem todos os plásticos com esses números contêm BPA; mas se houver essa substância na composição, certamente ele será enquadrado em uma dessas categorias – e portanto os outros grupos certamente não contêm o bisfenol-A). Fique atenta também ao filme plástico que você usa – ele pode ter conter BPA e não deve ser usado no aquecimento em micro-ondas. Em alguns casos, vale considerar a troca do utensílio plástico por vidro ou aço inoxidável. E, por fim, tome cuidado com o armazenamento de embalagens que podem conter BPA, pois pequenas alterações de temperatura podem ser suficientes para causar a liberação da substância.




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