O meu maior tesouro

Por 23 Comentários


Eu já comentei aqui no blog que tive muita dificuldade para engravidar de Catarina. Foi um ano de tentativas frustradas, até o diagnóstico de Menopausa Precoce. Os exames de sangue confirmaram que meus ovários não iam “bem das pernas”, e me médico disse que eu teria menos de 5% de chance de engravidar. Felizmente, minha pequena, brava guerreira, está aí para provar que milagres acontecem todos os dias, se acreditarmos que eles são possíveis.

Mas como eu também já contei a vocês, meus planos nunca incluíram um filho único. Tenho duas irmãs maravilhosas, amigas, parceiras, que amo até embaixo d’água. Pessoas com quem eu tive o prazer de partilhar uma infância, uma casa, o amor de meus pais. Elas significam tanto em minha vida, que meu coração sempre quis que minha filha pudesse sentir a mesma alegria. Mas, restava saber se um outro milagre era possível.

Antes que vocês achem que estou grávida, que este é um post para contar isso, eu digo: não é. Na verdade, é justamente o contrário. Porque na época em que engravidei de Catarina, os hormônios que indicam a reserva ovariana (ou seja, o quanto os ovários ainda possuem óvulos viáveis) estavam ruins, mas não estavam péssimos. Assim, existiam os 5% – uma possibilidade remota, mas ainda real. Coisa que já não existe mais…

No fundo, eu sabia que Catarina provavelmente seria minha única filha, desde que nasceu. Por mais que eu tentasse acreditar em outra hipótese, era o que tudo indicava. Guardei as roupinhas, na esperança de que mais uma menininha nascesse (ok, eu dizia para todo mundo que passaria para minhas irmãs, quando elas engravidassem, mas era pura desculpa). Levei mais de três anos olhando as caixas nos armários, até conseguir abri-las e doar tudo…

Hoje, oficialmente eu me despeço da possibilidade de um segundo filho. Eu me despeço das imagens em que vejo Catarina brincando com um irmãozinho. Eu me despeço dos nomes que secretamente escolhia. Eu viro a página para simplesmente aceitar que a vida não é exatamente como sonhamos. E para agradecer o meu maior tesouro, a pequena Cacá – que de tão especial, vale por mil.

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Comentários (23)

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  1. Fabi disse:

    Oi Nívea, que lindo seu relato! Eu tive o prazer de conhecer a Cacá ou seria Kaká, como vc carinhosamente a chama. Uma menina meiga e querida, um presente da vida de fato! Acho que filhos não é a quantidade que temos, mas sim o quanto de amor e dedicação podemos dedicar a eles. Com certeza ela é uma menina muito amada e foi muito esperada, tenho certeza que este blog tem muito a ver com sua dedicação a ela! Bjss Fabi! Te mando as fotos assim que eu baixar!

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Fabi,

      Obrigada pelo carinho. Acho que é isso mesmo que você disse, no fundo o que mais importa é nos dedicarmos, não importa se a um, a dois ou mais filhos.

      Parabéns pela sua família linda, que também tive o prazer de conhecer!

      Grande beijo,

      Nívea

  2. Nivea, minha amiga,me emocionei com seu post, e te digo que Deus tem um proposito pra tudo e se ele quer assim, é porque é o melhor para vcs…continuo sempre acompanhando seu blog…adoro…eu sumi por uns tempos, mas agora que está tudo bem retornei a escrever, vamos manter contato, quem sabe nos encontrar? ok…saudades..bjs

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, querida, obrigada pelas palavras. As amigas, em horas como essa, são tudo de bom nessa vida. Obrigada pela amizade desde a época da escola. Quero muito te rever! Grande beijo, Ní

  3. Carol disse:

    Ní, poderíamos marcar de nos encontrar, seria bem legal, vamos falar por e-mail ou whatsup?
    carolinavisciano@hotmail.com

  4. Tamara Foresti disse:

    Ni, você foi agraciada com apenas uma filha, mas pode ter certeza que capricharam no seu presente! Bernardo também é filho único e não por opção da família. Ele lembra com pensar das vezes que viu a esperança de ter um irmão acabar em um aborto espontâneo. A mãe dele tentou muitas vezes o segundo filho. Não era para ser. Mas a vida se encarregou de dar irmãos para o bernardo e novos filhos para a minha sogra. Ele construiu amizades que você e eu, que temos irmãs, acha difícil de encontrar fora da família. E a minha sogra é tão querida que também é um pouco mãe de mais gente. Inclusive minha. Ela sabe que ganhou em mim uma filha "torta", que mandaram para ela com alguns anos de atraso, mas chegou. E a família é muito feliz assim. Tenho certeza que, com o passar dos anos, esse sofrimento de hoje vai fazer algum sentido para você. Se precisar de uma mão para passar por isso, conte comigo.

  5. Ah, querida, você é mesmo uma fofa! Relatos como o do Bernardo me ajudam muito a ter certeza de que ficará tudo bem. Acredito também que tudo tem um porquê, e que no futuro os acontecimentos farão sentido para mim. Mas faz parte da minha aceitação vivenciar esse sentimento a fundo e compartilhá-lo, para que fique bem resolvido. Grande bj, Ní.

  6. Você não tem ideia de como me emocionou ler esse seu texto exatamente hoje!
    Obrigada por compartilhar conosco algo tão pessoal….
    bjs

  7. Lindo post! Dá pra sentir o que vc esta sentindo! Que a Caca cintinue enchendo sua vida de luz e beeeeeem la na frente te dê lindos netos! Logo tbm vem sobrinhos que farão muita cia e podem ser como irmaos pra Caca. bjo

  8. Juliana Vicente disse:

    Nossa Nivea, me emocionei agora!!! tenho uma princezinha também, e penso exatamente como vc, na esperança de poder dar um irmaozinho (a) para minha filha já sofri 2 abortos, tenho o sentimento que talvez não possa mais ter filhos, mais sou eternamente grata a Deus, por ter me dado tamanha riqueza minha Lara.

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Juliana,

      E eu sou grata pelo carinho da sua mensagem. Sei exatamente como você se sente, pois, acima de tudo, tenho um sentimento de muita gratidão pela oportunidade de ser mãe da Cacá.

      Beijos para você e para a pequena Laura, e meu desejo de que sejam muito, muito felizes!

      Nívea

  9. Aline disse:

    Oi Nivea, seu post me pegou de jeito… é muito minha história, ou quase. Eu também tive um diagnóstico de menopausa precoce há alguns anos atrás. Procuramos um especialista e ele nos disse que ainda era cedo para confirmar este diagnóstico, tanto era que, mesmo em meio às bagunças hormonais, eu engravidei. Hoje temos nosso presente, nosso querido Joaquim, que está com 4 anos. Porém, como vc, nós também nunca nos imaginamos com apenas um filho. Meu marido e eu chegamos a sonhar com 4! De Joaquim para cá engravidei duas vezes, tive dois abortos espontâneos. Ainda não me despedi oficialmente da possibilidade de mais um filho, mas ler relatos como o seu, me mostram que é possível, a gente sobrevive… eu ainda quero muito, e seguimos tentando, mas aos poucos me sinto mais tranquila para a possibilidade de não acontecer. Obrigada por dividir sua história! Bjos.

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Aline,

      Sabe que compartilhando minha história descobri muitas mulheres que passaram pelo mesmo? É muito mais comum do que eu imaginava.

      Obrigada por compartilhar também o que você está vivendo. Desejo do fundo do coração que você realize seu sonho de um segundo filho, ou que seu coração fique feliz apenas com ele, se outro não vier. Eu tive um aborto espontâneo no ano passado e sei exatamente a sensação que isso nos traz.

      Grande beijo para você e para seu pequeno,

      Nívea

  10. Mesmo que não se possa mudar os ventos, ainda é possível ajustar as velas…. Existem muitas formas de maternidade, muitos tipos de irmão. Existem muitas pequenas pesoinnhas no mundo esperando e precisando deste imenso amor que vc e a Catarina tem pra dar. Viva seu momento. E depois pense nisso!

  11. Como não se emocionar com esse post? Conheço tantas pessoas que passam por isso, mas penso que Deus sabe de todas as coisas, mas com um pouco de teimosia da nossa parte, já pensou em adoção? Se não for o caso, pq acho que isso já está resolvido pra você, tenho certeza que a Cacá não sentirá falta de ninguém porque tem uma mãe maravilhosa pra preencher qualquer espaço na vida dela! Um beijo!

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Janaina,

      Já pensei muito em doação, mas optamos por não seguir nesse caminho, pelo menos no momento.

      Obrigada pelas palavras carinhosas, é muito bom recebê-las.

      Grande beijo,

      Nívea

  12. yeda timerman disse:

    Ni, que lindo. E só poderia ter vindo de uma pessoa especial, como vc. Beijos

  13. Elaine Cosma Fiorelli Pereira disse:

    Eu tinha um problema parecido com o seu …. Hj estou amamentando um menino de 1 mês !!! Quem sabe…

  14. Mylene disse:

    Mais uma vez, fiquei emocionada com seu post. Lindo!

  15. Márcia Timm disse:

    Meu Deus, parece que é a minha história que vc relatou… bjos

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