Você sabe o que é Hebiatria?

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No post de hoje, nossa querida colunista Bianca Lundberg fala sobre a Hebiatria. Sinceramente, você sabe o que é? Vem conhecer um pouquinho mais, porque vale a pena! Afinal, em breve nossos filhos estarão naquela fase em que não se consideram mais crianças, e precisarão de um atendimento diferente de uma consulta pediátrica convencional!

Por Dra. Bianca Lundberg

Alex E. Proimos via Compfight cc

Alex E. Proimos/Creative Commons

Médicos mais antigos, estudantes de medicina, pais de pacientes mais novos, amigos… De todos esses já recebi as dúvidas: afinal, o que faz um médico hebiatra? É uma especialidade nova? É uma moda? Quando resolvi me dedicar aos jovens e estudá-los um pouco mais, nem minha mãe sabia direito o que eu fazia!

Resolvi então nesse post explicar para vocês um pouco mais sobre a consulta do adolescente.

Desde a Idade Média, quando as crianças que conseguiam “se virar sozinhas” se transformavam de uma hora para outra em adultos, até os dias de hoje, as coisas mudaram muito – e ainda bem! Afinal de contas, a adolescência é uma época única, de tantas mudanças e descobertas, e merece sem dúvida uma atenção diferenciada.

O médico hebiatra, antes de tudo, é um pediatra. Ou seja, após a faculdade estudamos os pacientes de 0 a 20 anos (de acordo com a Organização Mundial de Saúde); e depois o pediatra pode se especializar em alguma área: neuropediatria, gastropediatria, etc. Assim, ele pode escolher a hebiatria, com pelo menos mais 1 ano completo dedicado somente aos adolescentes.

Aqui no Brasil a especialidade começou a se formalizar na década de 70, ou seja, não é bem uma novidade. Cada vez mais escolas médicas colocam em sua programação pelo menos um estágio na área, feito na teoria e na prática, com atendimento supervisionado.

O atendimento em si é bem diferente, começando pela sala do médico. Maca, balança, régua, móveis… Tudo voltado para o paciente, tendo ele 10 (entrando na puberdade) ou 19 anos. Melhor ter um ambiente que não seja cheio de brinquedos, e os pacientes percebem e aprovam isso. Eles estão diferentes, preferem um ambiente diferente! Eu inclusive tenho um biombo, já que muitos jovens morrem de vergonha do corpo recém adquirido, mudando, “estranho”…

Quando estamos na primeira consulta, prefiro conversar um pouco com os pais antes; alguns hebiatras fazem isso no final da consulta. Prezo pela presença do adolescente também nessa etapa: a consulta é DELE, falaremos sobre ele, com ele junto (com algumas exceções, raras). Isso dá segurança.

Então entrevisto o paciente sem a família: ele vai me contar o que sente, como está na escola, como está em casa – e aí precisa ficar longe da família para mostrar o que o incomoda, com sinceridade. Nem sempre a queixa dos pais é a mesma queixa do jovem!

Também pergunto sobre hábitos, sono, dificuldades, amizades, quais seus interesses… e, dependendo de como anda o desenvolvimento dele ou dela, a nossa conversa varia. Se ela tem 11 anos e brinca de boneca, é uma abordagem; se tem 13 e já “ficou”, é outra; se já pensa em namoro, ainda outra! O jovem ditará como será sua consulta.

O exame físico completo inclui o exame da genitália, para a classificação dos estágios da puberdade. Nessa hora temos as maiores dúvidas: as mamas são normais? E se uma for maior que a outra? E se eu sou rapaz e tenho mamas? Qual o tamanho certo do pênis? Resumindo, todos perguntam: “Eu sou normal???”

Se eu percebo que já existe alguma maturidade para as orientações, estas serão dadas diretamente. Se não, a família dará uma ajudinha. Mas dá gosto ver o quanto eles se sentem responsáveis ao receber a receita com o nome deles escrito.

Para terminar, o pediatra habitual pode sim atender ao adolescente, mas temos que nos lembrar que existe outro vínculo a ser construído agora. O jovem precisa ter a sua voz ouvida, suas dúvidas, mágoas e experiências valorizadas.

bianca




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