Seu filho é alérgico a algum alimento?

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Outro dia, conversando com uma amiga que tem um bebê de sete meses de vida, ela me disse que estava preocupada com sua alimentação. Seu filho estava com manchinhas vermelhas em todo o corpo, e ela relacionava o episódio à introdução de novos alimentos. Coincidentemente, naquela mesma semana, ela havia apresentado a seu filho mandioquinha, e no dia seguinte beterraba. E estava na dúvida se algum deles poderia estar causando alergia alimentar no filhote (seria a mandioquinha? Ou a beterraba? Os as duas? Ou nenhuma? Quando vários alimentos são colocados na papinha do bebê juntos, fica difícil identificar se algum deles está causando algum problema).

bebê comendo

Imagem: Parent Savvy

Algo que aprendi com minha pediatra e que considero muito importante compartilhar aqui é a regra de apresentar apenas um alimento de cada vez ao bebê (vide atualização). E isso significa que, se você incluir mandioquinha em seu cardápio, não poderá fazer uma segunda mudança na dieta por quatro dias. O sistema imunológico do bebê é imaturo, e um processo alérgico que em crianças mais velhas acontece rapidamente, pode levar alguns dias para se manifestar. Um exemplo: o pequeno pode comer algo na segunda-feira que só produzirá sinais mais claros na quarta-feira; se na terça-feira ele comer um outro alimento, você poderá pensar que foi o segundo o causador da alergia! Se depois de passados três dias o bebê não apresentar nenhum sintoma, está liberado para comer um alimento diferente (e todos os outros que por ventura já tenha experimentado).

Atualização: gostaria de agradecer à leitora Bibi por informar que essa informação está desatualizada. Quando fiz a introdução dos sólidos para Catarina, era essa exatamente a recomendação dos pediatras; porém, atualmente, a Sociedade Brasileira de Pediatria não restringe a introdução concomitante de alimentos variados (no caso de haver algum indício de reação alérgica, aí sim a reintrodução deve ser feita aos poucos, para se identificar o alimento causador do problema). Segue a recomendação atual:

“Não há restrições à introdução concomitante de alimentos diferentes, mas a refeição deve conter pelo menos um alimento de cada um dos seguintes grupos:

• Cereais ou tubérculos.

• Leguminosas

• Carne (vaca, ave, suína, peixe ou vísceras, em especial o fígado) ou ovo; lembrar que as vísceras, quando utilizadas, deverão sofrer cozimento atento e demorado Manual de Orientação – Departamento de Nutrologia e Alimentação do Lactente a fim de evitar possíveis contaminações pela manipulação em abatedouros, com grande incidência de salmoneloses.

• Hortaliças (verduras e legumes).”

No caso da minha amiga, ficou comprovado que não era alergia alimentar, e sim uma simples virose. Entretanto, é importante sempre estar de olho, pois as alergias alimentares são relativamente comuns. E evitar durante o primeiro ano de vida alimentos com alto poder alergênico, como os que cito abaixo:

– Corantes: eles são usados para deixar os alimentos mais atrativos. Mas, em compensação, são capazes de produzir alergias (tome cuidado com gelatinas e iogurtes!).

– Crustáceos: camarões, lagosta, siri, ostras, não devem ser ingeridos até o terceiro ano de vida das crianças.

– Embutidos: presunto, peito de peru, defumados, só estão liberados a partir do segundo ano de vida. Contêm grande quantidade de sódio e conservantes, que podem causar alergias.

– Leite de Vaca: o leite integral só está liberado após o primeiro aniversário do bebê. Até lá, se precisar complementar o leite materno, use apenas fórmulas especialmente preparadas para essa faixa etária. Recomendo a leitura do post Alergia à Proteína do Leite de Vaca, pois mesmo com o uso das fórmulas há o risco de alergia alimentar (clique aqui para ler).

Existem também os alimentos que até pouco tempo não eram recomendados durante o primeiro ano de vida, mas que a Sociedade Brasileira de Pediatria liberou para o consumo nesse período, como ovos, carne de porco (prefira as magras, com pouca gordura) e peixes, a partir do sexto mês. Ficou comprovado por alguns estudos que o consumo desses alimentos no primeiro ano de vida diminui o risco de alergias alimentares futuras. Isso porque existe a chamada janela imunológica, período em que o organismo do bebê está mais tolerante a eles – e o consumo nessa fase faz com que o corpo se “acostume”, sem considerá-los algo ruim. Se quiser acessar o manual de alimentação da Sociedade Brasileira de Pediatria, clique aqui.

Uma dica para a introdução do ovo é a seguinte: comece pela gema, e só depois de alguns dias passe para a clara (essa sim é a maior responsável pelo processo alérgico. Comece com pedacinhos pequenos de clara e vá aumentando a quantidade, até que seu filho consiga ingerir o ovo inteiro (e você tenha certeza de que não houve reação alérgica).

Dentre os alimentos liberados para o primeiro ano de vida, as frutas cítricas e o tomate são alguns dos que mais causam reações alérgicas. Tais alergias tendem a sumir durante a infância, em poucos anos. Já a alergia a ovos ou peixes pode permanecer até a vida adulta.

Por fim, lembre-se de que a amamentação é um dos fatores mais importantes na proteção contra alergias alimentares. Por isso, capriche no peito! Seu filhote agradece, em todos os sentidos!




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Comentários (3)

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  1. Como congelar as papinhas do bebê : Mil dicas de mãe | 15 de março de 2015
  1. Bibi disse:

    Aqui não rolou alergias com a alimentação, graças a Deus.
    E, por mais sorte que juízo meus e da pediatra que orientou, nunca dei alimentos separados.
    Quando comecei com as frutinhas, dava um tipo de manhã, e um à tarde… quando comecei com as sopinhas, misturava dia ou 3 legumes juntos.
    E hoje, pelo que os pediatras estão recomendando, não se dá mais nada aos poucos, se introduz tudo logo de uma vez, pois se der alergia, melhor saber antes de um ano do que tardiamente. Tenho uma amiga que é nutri e tem uma filha de 10 meses e ela confirmou essa informação, já que outra amiga, com filho de 9 meses também me comentou que o pedi dele orientou assim.
    Bjos.

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Bibi,

      Fui atrás da informação e você está certíssima! Por isso fiz uma atualização com a recomendação atual da Sociedade Brasileira de Pediatria.

      Super obrigada pelo comentário, é dessa forma que faremos um Mil Dicas de Mãe cada vez melhor!

      Bjs,

      Nívea

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