Sexo na adolescência e métodos anticoncepcionais: o que você precisa saber sobre isso

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Sempre que penso em como as coisas estarão daqui a 10 ou 15 anos, me vêm à mente a adolescência de Catarina. E eu acabo engrossando o coro das mães que se preocupam em como a vida sexual da filha se encaminhará. Eu já tinha a perfeita noção de que uma jovem de 15, 16 anos não está preparada, nem física nem emocionalmente, para ser mãe (nem um menino para ser pai). Muito menos para encarar uma doença sexualmente transmissível, levando-se em consideração que para algumas dessas patologias ainda não existe cura. Mas depois que virei mãe e senti na pele a dificuldade de cuidar de um filho, a loucura dos hormônios no pós-parto, o impacto das contas depois da chegada de uma criança, percebi que uma gravidez na adolescência é muito mais difícil do que eu até então dimensionava. E como tudo nessa vida, o melhor que se tem a fazer é prevenir, pois para remediar o sofrimento é muito maior.

Pensando nisso, pedi que a Dra. Bianca Lundberg, nossa querida pediatra e hebiatra, contasse um pouco sobre como trabalhar a questão do sexo na adolescência e dos métodos anticoncepcionais com nossos filhos. Pode ser que o seu ainda seja pequeno e que esses desafios pareçam distantes, mas passa tão rápido! E sempre tem aquela amiga que já chegou nessa etapa e que adoraria ler o post (manda para ela!).

contraceptivo

Por Dra. Bianca Lundberg

Neste início de 2014 estreia nos cinemas “Confissões de Adolescente”, releitura da série de mesmo nome que fez sucesso há 20 anos (aposto que muita gente adorava!). Uma das abordagens modificadas para o contexto atual foi sobre o sexo na adolescência, com um ponto de vista mais “prático”.

Mas será que mudou tanto assim?  O jovem de hoje pode ser mais seguro, mas de todos os aspectos, física e emocionalmente? Suas fontes de conhecimento são confiáveis?

Nem tanto. Sabemos que hoje o acesso à informação é infindável, mas nem sempre isso é absorvido da melhor maneira, ou pelo menos de uma maneira correta.

A educação sexual escolar, por exemplo. Na maioria dos colégios, o que vemos é uma abordagem biológica do assunto; até existe algum ensinamento sobre os métodos anticoncepcionais e doenças sexualmente transmissíveis (DST), mas pode não mobilizar o jovem, e seu modo de agir não é influenciado.

Ao mesmo tempo, existem famílias com muita dificuldade de conversar sobre o assunto. Às vezes os pais, quando jovens, não tiveram oportunidades para discussão, dessa forma não sabem como iniciar um papo sobre sexo da melhor maneira com os filhos. Isso é muito comum.

Uma coisa é certa: não falar sobre o assunto não o faz desaparecer; mais, falar sobre ele não antecipa e nem estimula o interesse. A partir da puberdade, a curiosidade e as dúvidas vêm à tona naturalmente. Interessante é tentar educar em casa e na escola para minimizar os comportamentos de risco e suas consequências indesejadas: a gravidez precoce e as DST. Se você tiver dificuldades de conversar com seus filhos, há a possibilidade de procurar um profissional de saúde acostumado a lidar com adolescentes.

Aproveitando o assunto, vou falar um pouco sobre uma questão médica, os métodos anticoncepcionais. Tanto o jovem que já é sexualmente ativo quanto aquele que ainda não iniciou a prática sexual devem ser orientados da grande variedade de métodos disponíveis; além disso, deve estar presente o conceito de “dupla proteção”, que é a associação de 2 tipos de contracepção para evitar tanto a gravidez quanto as DST. Nessa orientação, um método é sempre de barreira (como a camisinha) e outro é hormonal (como a pílula).

Em relação aos métodos de barreira, o mais usado pelos jovens é o preservativo masculino. Também existe a camisinha feminina, com menor aceitação entre as moças e rapazes. Sua eficácia depende diretamente da orientação recebida: como e onde guardar, como abrir e colocar, como desprezar. É bom recordar que as camisinhas masculina e feminina não podem ser usadas simultaneamente, por aumentar o risco de ruptura.

Comentando sobre os métodos hormonais, logo as pílulas vêm à cabeça: de dosagens variadas, com tipos de hormônios diferentes, devem ser iniciadas de preferência após avaliação médica. Nem sempre aquela pílula da amiga ou da prima será a melhor para você. A jovem que decide tomar pílula precisa ter maturidade e responsabilidade, já que seu uso incorreto pode não protegê-la. Saber onde guardar, entender o modo de uso e intervalo, o que fazer quando esquecer são orientações valiosas.

Além disso, existem as injeções mensais ou trimestrais (que podem ser usadas nas mais “esquecidas”), o adesivo que se coloca na pele, o anel vaginal, o implante colocado embaixo da pele… Todos protegem através da liberação de hormônios, com indicações e custos variados.

A contracepção de emergência (também conhecida como a “pílula do dia seguinte”) pode sim ser usada pelas jovens que fizeram sexo sem proteção, o mais depressa possível (não deixar para o “dia seguinte”). Por não proteger contra as DST e ser de grande carga hormonal, não é indicado seu uso rotineiro.

Por último gostaria de comentar sobre a vacina do HPV; neste ano, o Ministério da Saúde iniciará a vacinação nos postos públicos de meninas entre 11 e 13 anos, com planos de expansão da faixa etária. O ideal é que a vacinação seja realizada antes de qualquer possível exposição sexual. Temos duas vacinas no mercado atualmente, que podem proteger contra 2 ou 4 tipos de HPV, causadores de verrugas genitais e precursores de tumores malignos.  Infelizmente, a vacina ainda não está disponível gratuitamente para os rapazes, nem para outras idades do sexo feminino, mas existe a possibilidade das 3 doses da vacina em clínicas particulares.

bianca




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