Guerra entre mães: por que é tão difícil aceitar a verdade alheia?

Por 7 Comentários


Engraçado que, depois que a gente vira mãe, paga a língua para uma série de coisas (como eu já comentei nesse post aqui, é muito fácil julgar a mãe alheia quando você não tem filhos e acha que a maternidade é toda cor-de-rosa, com bolinhas brancas!). Depois que Catarina nasceu, eu me peguei tendo atitudes que havia condenado em outras famílias, como liberar a batata frita para ter um almoço pacífico em um restaurante, o iPad para conseguir terminar um trabalho que estava com prazo apertado, e até soltado uns berros depois da quinta crise de birra do dia. Quando sentimos na pele que educar uma criança é das coisas mais difíceis desse mundo, nossa compreensão sobre o que passam as outras mães aumenta, e de alguma forma, nos solidarizamos com elas.

guerra

Se por um lado essa solidariedade surge em decorrência da maternidade, vejo acontecendo por aí um desrespeito muito grande com as escolhas feitas por outras mães em relação a seus filhos. É como se estivesse acontecendo uma “guerra fria”, e é sobre isso que eu gostaria de comentar hoje. Aliás, já estou para escrever esse post há muito tempo, mas cadê a coragem para colocar a mão no vespeiro? Sou aquele tipo de pessoa que detesta briga, por isso costumo passar longe das discussões que considero inúteis. Mas em relação a essa, achei que precisava me manifestar (adorei um post escrito pela Sam Shiraishi para o Disney Babble que fala sobre o assunto, foi a pílula de inspiração de que eu estava precisando!).

Felizmente, nesses dois anos do blog, presenciei poucos desentendimentos entre as leitoras do Mil Dicas de Mãe. Talvez porque as pessoas que seguem o blog concordem com o tom que eu sempre tentei imprimir aqui, de que, acima de tudo, é necessário respeitar as vivências de cada mãe (aliás, no post que fiz recentemente contando minha história pessoal de amamentação, só recebi carinho, mesmo das leitoras que pensavam de forma diferente ou que gostariam de expor outro ponto de vista). Mães são assim: uma teve parto normal, outra uma cesárea; uma conseguiu amamentar exclusivamente até os seis meses, outra precisou dar complemento ao filho, e uma terceira decidiu dar o peito até que seu filho tivesse quatro anos; uma só usa fralda biodegradável, a outra procura a fralda descartável comum de menor preço para comprar; uma acha que a pedagogia Waldorf é a melhor para sua família, outra prefere que os filhos estudem em um colégio tradicional. Claro que eu também tive que fazer minhas escolhas, tenho minhas preferências e não apoio tudo o que vejo por aí. Mas daí a ignorar que famílias diferentes têm necessidades diferentes, seria muita presunção da minha parte.

Com esse post, eu gostaria apenas de chamar a atenção para um fato: de que a grande maioria das mães faz o que acredita ser o melhor para seus filhos. É muito difícil julgar sem conhecer o contexto em que ela vive: suas crenças pessoais e familiares, o tipo de vínculo que estabeleceu com os próprios pais e até mesmo o orçamento de que dispõe para o consumo de sua casa. Tenho a impressão de que, quanto mais tentarmos nos colocar no lugar da outra, mais naturalmente compreenderemos suas decisões.

Também acho que, quando temos uma opinião formada sobre um assunto e percebemos que ela pode esclarecer uma outra mãe que está precisando de ajuda, temos mais é que nos manifestar! E se fizermos isso respeitosamente, maiores são as chances de que a informação que se está tentando passar seja utilizada, pois a outra se sentirá acolhida.

Somos todas mães. Somos todas responsáveis por um futuro melhor para nossos filhos (e por isso, também para o mundo em que vivemos). Se estivermos unidas, ao invés de separadas, poderemos fazer muito mais. E fim.




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Comentários (7)

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  1. Genis Borges disse:

    Excelente, onde assino?
    Ontem mesmo coloquei lá na fanpage que ao invés de ficar criticando as mamães, que deveriam comentar o post. Vc acredita que num mesmo dia vi dois comentários diferentes, em blogs diferentes de uma mesma mãe blogueira criticando outras mães? Não tinha nada a ver com o post em si, era uma maldade.
    Cansada disso.
    Se todas se unissem, abrissem o coração sem medos de retaliações, a educação de nossos filhos seria bem melhor.
    Bjus.

  2. Adriana Luz disse:

    "Tenho a impressão de que, quanto mais tentarmos nos colocar no lugar da outra, mais naturalmente compreenderemos suas decisões." Exatamente! Muito bom o texto.

  3. Maria Carolina Negrini disse:

    Excelente texto, Nívea! Parabéns!

  4. Apoiadíssimo! Temos que nos unir para nos ajudar e respeitar, não para competir! Entendo que quando a gente vira mãe é o lado mais instintivo e animal que deixamos aparecer pela própria intenção de auto-proteção e proteção da cria, mas somos seres racionais e temos que ter consciência da importância da vivência em grupo para a nossa existência! Se estamos juntas e nos comunicando pelas redes, que isso seja para o bem! O bem de todos!

  5. Ceila disse:

    Muito bom mesmo. Concordo plenamente. Pena que nem todas mães leem este blog. Porque vira e mexe, pelo menos eu e minha bebê somos testadas. Como por exemplo questionar sobre o nascimento dos dentinhos (a minha esta com 1 ano e 2 meses e so tem 2 dentes ate agora), sobre arrastar, andar, falar e a gente acaba meio que entrado na disputa forçada. E isso traz ansiedade, e acaba prejudicando o crescimento normal que cada criança tem. Não sou de ficar criticando o que fulano usa ou deixa de usar, mas sofro frequentemente com isso. Incomoda bastante. 🙁

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Ceila, tudo bem?

      Manda o link do post para quem começar a te pressionar, rsrsrs.

      É isso mesmo, essas cobranças geram muita ansiedade, em fases em que só precisamos de carinho e acolhimento.

      Sobre os dentinhos da sua filha, não se preocupe, há muitos bebês que só terão a erupção de seus dentes após o primeiro aniversário. É só acompanhar, que dá tudo certo!

      Bjs,

      Nívea

  6. Luciana disse:

    Oi, Nívea.

    Estou chegando ao seu blog agora e já gostando muito. Concordo 100% com você. Nós ensinamos tanto aos nossos filhos que não podem brigar, que tem que dividir as coisas, que tem ser carinhoso com o colega, sem bater ou empurrar. E é exatamente isso que acontece nesse mundo virtual. Um tanto quanto contraditório, não?

    Os temas que você citou acho, inclusive, que não são os mais polêmicos, os que geram mais divergências. Acho até que, nesses pontos, a maioria das mãe tende a ser mais solidária e entender a dificuldade da coitada da mãe que não conseguiu amamentar. Ou da pobrezinha da maluca que passou 3 dias em trabalho de parto por livre e espontânea vontade.

    Uma vez, comentei num blog falando sobre o método Nana, nenê, que eu apliquei aqui em casa, e defendo, e é super dicotômico, e fui quase apedrejada, a ponto de me dizerem que minha filha pode morrer engasgada no berço. Para quê, né?! NO primeiro momento, fiquei com muita raiva. Depois, aquilo me deu uma tristeza. Uma tristeza da humanidade, uma decepção com o mundo. O pior é não poder fazer muita coisa, né?!

    Mas vamos em frente tentando mudar o mundo com a força das palavras!

    Beijos e parabéns pelo blog!

    E, quando puder, visite o meu: http://www.osamoresdelulu.blogspot.com

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