Sobre o cantinho do castigo, broncas e afins

Por 17 Comentários


Eu realmente gostaria de poder dizer que minha filha é um anjo, que nunca aprontou escândalo, que jamais desobedeceu uma ordem minha. Mas não posso. Não, essa definitivamente não é minha Catarina. E no fundo, eu sei o porquê. Não, eu não me acho uma mãe descuidada, ou permissiva, que deixa a filha fazer o que bem entende e que não tem a menor intenção de educá-la. Muito pelo contrário, eu sempre me preocupei (e muito!) em ser um exemplo de educação, de bom convívio, de respeito ao próximo; e de incentivar que ela tivesse as mesmas ações. O que eu sinceramente acho é que quando você dá espaço, autonomia de pensamento a uma criança, quando pergunta sua opinião e decide ouvi-la (claro, dentro do que você acha adequado compartilhar com ela e respeitando seu limite de entendimento), aquela pessoinha resolve te testar e discutir a sua razão. Mais ou menos o que acontece conosco em outra situação: quando você tem um chefe ranzinza, fechado, duro, você entende que o melhor que você pode fazer é ficar com a boca fechada. Mas se o seu superior é aberto, te escuta, você se sente à vontade para realmente dizer o que pensa, e até, eventualmente, questionar uma ordem dada com a qual você não concorda. Não é assim que funciona?

Pois bem, eu quero ser aquela ´”chefe” que dá abertura. Quero que minha filha sinta que pode expor suas ideias, quero que ela aprenda a decidir (coisa que eu só aprendi depois de ser adulta! Porque por muitos e muitos anos eu me sentia mais confortável se alguém escolhesse por mim!), quero que ela sinta que sua vontade é importante e que muitas vezes será levada em consideração. Por outro lado, quero que ela entenda também que ela não pode tudo, e que seu espaço termina quando começa o do outro. E esse equilíbrio, minhas caras, é difícil de se conseguir – pra caramba!!!

Aqui em casa, continuamos nos “terrible two”, bem vividos! Sabe qual é a sensação que dá quando eu ouço uma mãe dizer que passou por essa fase sem saber o que é birra, choro, malcriação? Desânimo! Ah, e claro, uma pontadinha de culpa, por achar que sou eu a grande responsável pelo “gênio” da pequena. E então, o que fazer? Obviamente os “tapinhas” estavam fora de cogitação (como ensinar uma criança que não pode bater se você mesma bate? É mais um menos como dizer: faça o que eu falo, não faça o que eu faço!). Aí de quem eu me lembrei? Supernanny, lógico! Quem já assistiu sabe: você começa o programa achando que finalmente ela vai falhar na tentativa de deixar aquela família menos caótica. Você tem certeza de que a criança que ela colocou no cantinho do castigo não vai ficar ali (mas ela fica!). No final, as coisas acabam melhorando. E você pensa: por que não tentar então a técnica?

Então você tenta. E miraculosamente, sua filha fica ali, gritando, mas não levanta do local. “Será que está funcionando?”, você se pergunta. Mas a resposta não é óbvia. O que você sabe é que pelo menos você tomou uma atitude para mostrar ao filhote que o que ele fez não foi bom. Há muita gente hoje em dia que não concorda com o tal do cantinho do castigo, dizendo que você não pode dizer ao seu filho: “Fique aqui para pensar no que você fez” (como se pensar fosse uma coisa ruim, atrelada ao castigo). E justamente por isso eu mudei meu discurso e digo: “fique aqui para se acalmar, e então nós conversamos sobre o que você fez, que não foi legal”. Eu não sei quanto a vocês, mas mas para mim o cantinho tem sido positivo – nem que seja para que ela se acalme (e eu também!!! Quem já presenciou uma crise de birra sabe muito bem como isso pode ser irritante!); nem que seja para que ela entenda que cada ação tem uma consequência (e que sim, desobedecer a mamãe ou jogar um brinquedo no chão fará com que ela deixe de se divertir com o que está brincando, para ficar na cadeira, chatinha, sem nada o que fazer).

Mas só o cantinho do castigo, funciona? Óbvio que não! O mais importante, depois de todos mais calmos, é conversar sobre o ocorrido. Sem isso o máximo que se consegue é criar um bando de robozinhos, que mal conseguem compreender onde erraram – apenas que não devem repetir o que fizeram.

E para você, como essa questão da birra funciona? Há um cantinho do castigo na sua casa? Ou você tem alguma outra tática milagrosa para lidar com os pequenos de dois anos? Então me conta!!!

cantinho-do-castigo

 




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Comentários (17)

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  1. Marina disse:

    Tenho filhas gêmeas e elas estão com 4 anos. Com uma delas estou passando esse momento de “birra”. Como é difícil lidar… Isso é estressante. Estou fazendo o que vc faz com a sua filha, coloco em um cantinho pra se acalmar… As vezes dá certo, outras não. Já pensei que só minhas filhas faziam isso, mas já presenciei tantos pais passando o mesmo sufoco que me acalmo e digo a mim mesma: “Vai passar, vão crescer, não estou sozinha…” Educar é uma arte e requer esforço continuamente!

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Marina.

      Quem já passou por essa fase sabe como é difícil, não é? Concordo com você: conforme eles crescem, as coisas tendem a melhorar, principalmente se dermos atenção diária à questão, fazendo nosso papel de educadores. Tarefa difícil, mas muito necessária!

      Muita gente diz que aos 4 anos as coisas já estão mais calmas do que aos 2. É verdade? Me conta!

      bjs,

      Nívea

  2. Lígia disse:

    Por incrível que pareça eu fui educada por várias formas, incluindo tapas e castigos. Mas o que eu mais me lembro (fora uma chinelada injusta) era dos meus castigos no meu próprio quarto. Quando aprontávamos algo (eu e a minha irmã) nossa mãe nos dava bronca e se “preciso” nos mandava para o quarto. Por mais que fosse nosso quarto onde geralmente brincávamos, onde poderíamos nos divertir e acabar com o propósito do castigo, aquilo nos deixava super chateadas. É algo que quero ensinar ao(s) meu (s) filhos: não importa o lugar do castigo: o que importa é que foi feito algo de errado que deixou a mamãe triste, brava, chateada ou até decepcionada. Saber e pensar isso realmente era nosso pior castigo!

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Lígia,

      Eu também tenho essa lembrança muito forte de ter deixado minha mãe brava, ou triste, e é o que realmente doía. Conforme os filhos crescem, acho que esse sentimento se torna mais claro para eles. A nós cabe o trabalho de formiguinha, de dar amor e limite diariamente, não é mesmo?

      Grande beijo,

      Nívea

  3. Julyana Caroline disse:

    Gostaria de saber se o cantinho do castigo funciona com minha filha de 2 anos e meio, ela já está na escola, e na sala de aula dela só tem meninos! Tem dia que ela está um pouco agressiva, outros amorosa, etc….. O que fazer para controlar essa teimosia e essas birras sem ter que dar umas palmadinhas?!?!?!?!

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Julyana,

      Eu sou absolutamente contra palmadas. Como é que vamos dizer a uma criança que ela não pode ser agressiva se mostramos exatamente o contrário com uma palmada?

      Não sei dizer se o cantigo do castigo funciona para todas as crianças, mas eu acho que vale a tentativa, nem que seja, como falei no texto, para que a criança e a mãe tenham um tempo para se acalmar.

      Acho que você também pode tentar outras estratégias, como tirar algo de que ela goste muito (uma boneca, ficar sem assistir televisão, sem DVD…). Assim ela perceberá os limites que você coloca e aos poucos entenderá o que pode e o que não pode fazer. Não será do dia para a noite (dizem que precisamos dizer 1.000 nãos até que o filho entenda que aquilo não pode!!! Se demorar menos, estamos no lucro!).

      E criança é assim mesmo: há dias em que estão mais chatinhos, briguentos, e outros mais amorosos. Faz parte! Também não temos dias de mau humor? Cabe a nós pais a tarefa de compreendê-los e ajudá-los no processo de crescimento.

      Bjs,

      Nívea

  4. Laís disse:

    Olá Nívea,
    Parabéns pelo blog e mãe realista que é!
    Recebo os seus emails todos os dias!
    Tenho um filhão de 1 ano e 4m e já manifesta algumas birras. Por enquanto, ficar à altura dele e falar: “Isso filho, extravasa, grita para se acalmar…acredite, ele pára, dá risada e pára. Hoje funciona, vamos ver mais para frente! Concordo com o canto do pensar, pois vejo muitas crianças com atitudes automáticas. Os pais devem orientar o filho para que ele compreenda e cresça com este momento de castigo! Abraços,

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Laís, obrigada você pelo carinho!

      Muito legal saber que você acompanha o blog diariamente!

      Muito legal o relato da sua experiência. Vou tentar também em casa na próxima crise de birra! Quem sabe a pequena também não cai na risada (tomara!)?

      Bjs, vamos nos falando,

      Nívea

  5. renata disse:

    oi, o cantinho da reflexão e diálogo depois funciona mesmo, mas minha filha tem 20 meses, é bem esperta. Mas será que já entende? Será que só depois dos 2 anos? Gostei do termo TERRIBLE TWO, e que agora ela começou a piorar, quando vamos à igreja ela já não quer entrar e ficar entretida desenhando ou fazendo outras brincadeiras quietinhas como antes,rsrs. Só quer ficar entrando e saindo a hora que quer e se contrariada, baixa a cabeça e chora em ritmo crescente, parece uma campainha, e noto que comigo a birra é pior do que com o pai, alguém também já passou por isso, das birras serem piores com as mães? Se sim me falem, assim sei que nao estou sozinha,rsrs. Abraços a todos.

  6. Gleice Souza disse:

    Por favor me ajudem tenho um filho de 6 anos, (vai fazer 7 dia 29/04 deste ano) e eu nao consigo que ele faça sua higiene pessoal apos as evacuação não sei mais o que fazer, já fiz de tudo mais toda vez acabo brigando com ele depois fico mau por isso me ajudem. Espero respostas

  7. Miriam disse:

    Olá Nívea! Adorei conhecer esse “cantinho do desabafo” rssss
    Estou com um problema terrível com meu filho que irá completar 4 anos! Estava me sentindo a única mãe a passar por isso, e claro, me sentindo culpada!
    Identifiquei-me com você, pois também dou liberdade dele opinar nos momentos possíveis, justamente pra que ele se sinta bem em dizer o que quer, o que pensa, pensando no fato de que sempre poderá se abrir com sua mãe.
    Porém, meu filho está começando a bater em mim quando é contrariado. Faço o cantinho do castigo, mas ele sai correndo, berra, ruge, bate, rosna, faz o maior escândalo. Tenho que segurá-lo, colocá-lo novamente na cadeirinha, até que por um milagre ele cai em si e começa a querer me abraçar e pedir desculpas…
    Enfim, após essa “luta” fico péssima, exausta e extremamente chateada com tudo isso e me perguntando: Será que tem algo mais que eu possa fazer? Venho aqui te pedir uma ajuda…
    Ele é muito carinhoso, bonzinho, mas quando dá esses ataques(e ultimamente está dando muitos e seguidos) fico desesperada!! Obrigada desde já!! E boa sorte pra todas nós, MAMÃES nestas fases!!! rss

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Miriam, tudo bem?

      Que bom que você gostou do cantinho do desabafo, rsrsrs.

      Sabe que muitas mães de menino me dizem que o terrible two, que em geral acontece aos 2 anos, com elas aconteceu quando os filhos estavam para completar quatro? É mais comum do que você imagina!

      Só que como eles são maiores, as mães ficam preocupadas, achando que seu filho já é grande o suficiente para entender e não deveriam ter essas relações, que desculpamos mais em bebês. A verdade é que eles continuam imaturos, só o corpo é que cresceu!

      Acho que cabe sempre uma análise, se seu filho está bem, descansado, se não está com muitas atividades. Às vezes cansaço demais contribui para as birras. E nesse caso, talvez seja melhor diminuir atividades extra-curriculares, por exemplo. Outro ponto a ser considerado, é se há alguma mudança familiar, ou de moradia, pois eles também sentem bastante durante o período de adaptação.

      Agora, se tudo estiver igual, tenha paciência. Pode ser apenas uma fase. E seja firme, para dar segurança a ele sobre o que deve ser feito.

      Grande beijo,

      Nívea

  8. nivia lanes disse:

    Olá Nivea ( chará)

    Sempre leio seus posts e adorooo!!! ja virei fã
    Bom sem duvidas a tarefa de educar é nossa, super importante ensinar desde cedo o que é certo e errado,minha filha está chegando aos 3 anos de idade e junto as birras tb estão nossa como é dificil e cansativo, escuto nãos constantemente,perece que não conhece mais outra palavra, vamos tomar banho? , Vamos comer? Não . Quando o dia acaba já estou esgotada , mas vale a pena sei que no fim das contas ela será uma adulta mais inteligente e menos mimada tb
    Enfim um grande bjo continue postando rs

  9. danylima disse:

    Será que vai funcionar com a minha filha de 1 e 5 meses?

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