À procura da felicidade

Por 11 Comentários


Há tempos que venho pensando em conversar sobre isso com vocês: a tal da felicidade. Se eu perguntar para qualquer mãe ou pai que acompanha o blog o que é que move sua vida, tenho certeza de que todos vão me dizer que querem ser felizes, e que querem ver seus filhos da mesma forma – repletos de felicidade. Concordam comigo? Nós saímos para trabalhar pela manhã para conseguirmos o dinheirinho que paga nossas contas; para termos uma casa, comida, roupas, os itens básicos da subsistência. Mas também para fazermos uma viagem no fim do ano e comprarmos o brinquedo com o qual o filhote não pára de sonhar. Nós queremos sentir todos os dias a sensação de que estamos fazendo a coisa certa: profissionalmente, no cuidado com nossos pais, com os nossos filhos, com nosso companheiro. Nós desejamos aquela sensação de quando tínhamos quinze anos, e as férias eram despreocupadas e pareciam nunca acabar. Ah, mas a vida adulta é tão diferente, ainda mais quando se tem filhos! Você dorme muito menos do que gostaria; passeia muito menos do que sua vontade (e quando sai, sente-se culpada por ter deixado o filhote, mesmo que por alguns poucos dias); e o dinheiro se vai como água – o mês termina e você parece não compreender como conseguiu gastar tudo aquilo.

Bom, essa é a vida real aqui em casa, e conversando no dia-a-dia com muitas outras mães, imagino que na maioria dos lares aconteça o mesmo. Claro que você pode ter muito dinheiro e comprar tudo aquilo que deseja; mesmo assim, seu filho, seus pais, você mesma fica doente, e isso diminui o grau de satisfação que você sente com a vida. Ou pode ser que o ambiente de trabalho esteja muito pesado, ou que você tenha brigado com sua melhor amiga (ou tudo junto!). Por isso um fato é inegável: não conseguimos estar felizes em 100% do tempo. Aliás, na maioria das vezes, estamos cumprindo deveres, correndo de um lado para o outro, repetindo as tarefas que fazemos todo santo dia – e nessa hora não há a sensação de que a vida é perfeita (sim, aquela mesma dos quinze anos!). Podemos sentir, claro, um contentamento, o sentimento de que o dia foi bom, que terminou bem. Mas não a alegria sem medida. Essa é reservada para apenas alguns momentos, que são os que guardamos nas fotografias e dos quais vamos nos lembrar dentro de dez ou vinte anos.

O problema acontece quando começamos a achar que todos os dias devem ser de felicidade completa. Ultimamente vejo que as pessoas não sabem lidar com a tristeza, com a solidão, com a frustração…  Todos querem viver uma vida de Facebook: cheia de viagens, pratos deliciosos, e festas! Não, não vou me colocar em outro patamar, pois aqui dentro, também passo pelos mesmos conflitos. Mas pelo menos eu faço questão de encarar esses sentimentos de frente, porque acredito que a pior coisa que se possa fazer nesses casos é fugir.

Agora vocês devem estar se perguntando: afinal, para que a Nívea está com todo esse papo hoje? Porque cheguei a uma conclusão importante e que gostaria de compartilhar com vocês – eu quero que minha filha sinta tristeza de vez em quando; quero que ela se sinta frustrada de vez em quando (muito pesado? Mas é verdade). Assim, quando ela chegar à vida adulta, saberá que esses são sentimentos normais. Que não existe nada de errado com ela, ou com a vida que tem. Porque independente dos caminhos que tenha decidido trilhar, haverá dias felizes, e outros nem tanto! E que faz parte da felicidade, daquele momento em que parece que o mundo inteiro sorri para você, procurar por ela.

(Filha, se um dia você ler esse texto, saiba que todas as vezes em que você chorou, minha vontade foi de chorar também. Todas as vezes em que você sofreu, meu coração também estava apertado. Mas mesmo assim, para que um dia você saiba dar valor às coisas que realmente importam, para que sua vida seja repleta de contentamento e com momentos de grande alegria, eu decidi não interferir quando achei que você precisava passar pela experiência.

Amo muito você.

Mamãe.)

Antes de me despedir hoje, deixo vocês com o final de um dos filmes que mais me marcaram. Sempre vale a pena vê-lo novamente! Um grande beijo no coração de todos!




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Comentários (11)

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  1. Daniele Santoni disse:

    Sim, texto muito interessante!

  2. Dani Rabelo disse:

    Que lindo texto, Ni….
    Lindo, lindo….

    Sinto assim tbm e acho que é necessário deixar as crianças frustradas, bravas, nervosas… pelo menos 5 min.
    =)

    Um beijo enorme!!!

  3. Oi Nívea! ótimo texto! me tire uma grande dúvida, quem é a garotinha da foto??? demais de parecida com minha sobrinha!

  4. Uma das minhas preocupações na criação dos meus filhos!

  5. Gisa Hangai disse:

    Muito bom Nívea! Tristeza e frustração faz parte da vida e é de pequeno que aprendemos a superar essas e outras questões.

  6. Amei seu post! Obrigada por compartilhar!

  7. lindo! é infelizmente nossos filhos precisam passar pela frustração, precisam de uns nãos… só assim se tornaram adultos felizes… isso sim é uma prova de amor….

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