Quando a mãe volta a trabalhar

Por 33 Comentários


Essa semana recebi um recadinho (que aliás, amei!) de uma leitora pedindo que eu contasse sobre a minha experiência de retorno ao trabalho, depois da licença maternidade. Eu sei que quase todas as mães sofrem (pelo menos um pouquinho) com essa fase, porque bate uma culpa de não estar com o pequeno o dia inteiro. Claro que comigo também foi assim: eu achava que não estaria pronta para essa separação; pior, achei que Catarina não estivesse preparada para ficar parte do dia longe de mim.

Vou ser bastante sincera com vocês: se eu tivesse que voltar ao trabalho depois de apenas 4 meses de licença, é bem provável que não tivesse voltado. Porque nessa fase Catarina tinha refluxo, chorava como louca e quase ninguém tinha paciência de ficar com ela, mesmo que por poucas horas. Era enlouquecedor. Entre deixá-la naquele momento e abrir mão (acredito que momentaneamente) da minha carreira, eu teria escolhido a segunda opção. Mas isso não quer dizer que eu ache que toda mãe que só tem esse tempo de licença-maternidade (e sei que algumas têm até menos, quando trabalham como profissionais liberais) deva largar seu trabalho, longe disso! Cada caso é um caso, e nada melhor do que a mãe para saber o que é o melhor para o seu filho. Mas vamos continuar…

Quando Catarina completou 6 meses de vida, eu voltei a trabalhar meio-período. E o fato é que eu continuava receosa em deixá-la em casa (embora ter uma pessoa em quem eu confiasse para ficar com ela ajudou muito na decisão de retomar minhas atividades), mas bem menos do que nos meses anteriores. Eu acredito que a maioria de nós, mães, nunca se acha 100% pronta para se afastar do filhote (mesmo sabendo que ele estará lá, perfeitinho, ao fim do dia). Mas também acho que você tem que se sentir minimamente confortável com a escolha, porque senão não é a hora de fazê-la. Mesmo que tenha que criar novas alternativas para trabalhar, como muitas mulheres por aí, que se tornam excelentes exemplos de empreendedorismo materno. Claro, você deve saber que por um bom tempo não ganhará o que estava acostumada em um emprego convencional. E ainda assim, pode valer a pena!

Agora vou dar espaço para uma outra parte de mim, que estava quietinha escutando até agora, esperando sua vez de falar. Porque, sim, lá no fundo eu também estava louca para sair de casa. Antes de Catarina nascer eu tinha dois empregos e trabalhei até três dias antes de seu nascimento. Eu via gente, falava com gente, e gostava disso. E depois que a filhotinha veio ao mundo, eu me sentia presa na rotina de fraldas, amamentação e sono do bebê. Lembro-me muito bem de um episódio durante minha gestação: a bibliotecária da faculdade onde eu trabalhava me contou que tinha contado os dias para o fim de sua licença-maternidade. E quando ela me disse isso, pensei: “nossa, que mãe desnaturada!!!”. Até que virei mãe, e entendi perfeitamente essa vontade de resgatar a própria identidade. Antes de ser mãe eu era a Nívea, e voltar ao trabalho me fez lembrar disso.

Por fim, se eu puder deixar alguma mensagem para vocês que estão nos primeiros meses do filhote e que se sentem inseguras sobre a volta ao trabalho, eu diria para seguirem seus corações. Porque ele sempre sabe o que é o melhor, seja optar por ficar mais tempo em casa com o bebê, ou retomar as atividades profissionais. Se sua decisão for pela volta à profissão, ele ficará bem, se você estiver bem (vale chorar um pouquinho no trabalho de saudades, faz parte, viu?). Ninguém é mais ou menos mãe porque tomou uma ou outra decisão; cada uma é a melhor mãe que pode ser para o seu filho!

mala

 

 

 




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Comentários (33)

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  1. Gabi Semeghini disse:

    Voltei a trabalhar depois de 4 meses de licença e o meu sentimento, além da saudade que é imensa, é estar perdendo momentos do amadurecimento e aprendizagem do Bernardo. Quando chego em casa meu marido ou minha mãe, que estão cuidando dele, me contam que ele rolou em cima da cama ou brincadeira que ele gosta é tal … Me deixa muito enciumada e até insegura, afinal eu sou a mãe, eu tinha que saber tudo sobre ele … Mas preciso trabalhar, não há o que fazer, pelo menos procuro chegar mais cedo em casa para curti-lo mais!! Beijosss

    • Evelyn Marcelli disse:

      Gabi, sabe que eu me senti exatamente assim com o Henry? Voltei a trabalhar e ele tinha 3 meses e meio, estava ficando muitissímo esperto e dando gargalhadas por tudo. Ou seja, ele estava começando a entender brincadeiras e tal… Quando chego em casa e vejo ele morrendo de rir com a minha namorada, e não pulando nos meus braços, eu morro por dentro. É como se ele gostasse mais dela do que de mim. Mas pera, eu o levei dois meses na barriga. É uma dor e tanto, sabe? Mas coloquei na cabeça que, se estou aqui hoje é pra dar o melhor pra ele, somente.

  2. Luci disse:

    eu optei por largar a profissão, pois queria amamenrar exlusivamente e em livre demanda, realizei meu sonho. Mas concordo q nenhuma mãe é menos mãe por voltar a trabalhar.

  3. Raquel disse:

    Tenho meu próprio negócio e terei que voltar amanhã e deixar meu bebe de 2 meses meio período em casa com a moça que trabalha para mim. Estou super ansiosa e triste, pois o sentimento é que ninguém pode cuidar dele tão bem quanto eu!!! O que me conforta é saber que esta fase passa rápido e breve meu bebe estará me chamando de mamãe e me abraçando quando eu chegar em casa! BJ e força para todas a mamães! Pensamento positivo sempre é o melhor remédio!

  4. Náy Rocha disse:

    Ainda estou de licença maternidade e não gosto nem de pensar no meu retorno ao trabalho.

    • Evelyn Marcelli disse:

      Naý, eu sai de licença recentemente, e foi melhor do que imaginei. Coloquei na cabeça que, se estou trabalhando hoje, é porque quero dar tudo pra ele – financeiramente falando – . Não o amo menos por isso. Pelo contrário, a saudadezinha fica tão grande, e você fica n”uma vontade de voltar pra casa logo e sentir aquele cheirinho… É como se passássemos a dar mais valor para cada segundo ao lado dos nossos pequeninos.

  5. Thais dos Reis Olher Lagôa disse:

    Quando começou a chegar perto do fim da minha licença (5 meses, pois juntei com as férias), tive um sentimento bastante ambivalente: tristeza por ter de deixar o pequeno um período no berçário e o outro com o pai (porque eu não estaria cuidando dele). Mas também alegria, por retomar meu lado Thais-mulher.
    Infelizmente, não posso largar meus dois empregos, por motivos finaceiros (quem sabe num futuro não tão distante..rs), mas quando chego em casa e meu pequeno me vê, ele faz a maior festa, e isso compensa todo o tempo que ficamos longe um do outro durante o dia.

    • Nívea Salgado disse:

      Você disse tudo, Thais: quando chegamos em casa e vemos o sorriso deles, a felicidade é tanta que compensa o tempo em que ficamos longe!

      Bjs, querida!

  6. Amanda Diniz disse:

    Estou de licença maternidade há dois meses e retorno ao trabalho no começo de dezembro já estou super triste em pensar nesse retorno, apesar de ter conseguido uma pessoa de extrema confiança (minha irmã) para cuidar da minha filha.Estou super dividida em qual decisao tomar sei q o trabalho me ajuda financeiramente mas ao mesmo tempo, fico pensando q dinheiro nao e tudo na vida e ficar com minha filha seria bem melhor.É dificil demais….

    • Amanda, minha bebê vai nascer somente em Março, mas a partir do momento em que eu soube da minha gravidez já tomei a decisão de parar de trabalhar. Sempre trabalhei fora, desde os 14 anos e pra mim essa decisão de parar foi mais difícil que qualquer outra. Financeiramente vai fazer falta? Vai, mas não vamos passar necessidade por causa disso. Vamos cortar alguns supérfluos por um tempo, mas eu penso que nada paga o tempo de estar com minha filha, de educar, de ensinar os princípios que eu quero que ela siga. Tenho muito medo de deixá-la com outra pessoa ou até mesmo na escola e ela ser educada de uma maneira diferente da minha. E também não quero passar somente 2 horas por dia com ela. Meu marido deu a maior força e quando falo que tenho medo de ficar em casa e perder a comunicação com o mundo (exageraaada.. rsss..) ele sempre me incentiva a frequentar academia, pilates, natação.. enfim.. fazer atividades pra mim. E meu bebê? Vai junto com certeza!!

      Bjoo

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Amanda, siga seu coração. Dê espaço para ele te dizer o que é melhor para sua família. Ter uma pessoa como sua irmã para cuidar da sua filha é algo muito bom; a grande maioria não tem essa opção, e daria tudo para tê-la! Boa sorte na sua escolha!

      Bjs,

      Nívea

  7. Vivian Tomaz disse:

    Eu sinto mais hoje, depois de 2 anos, doq na época em si. Estava quase louca de vontade de voltar a trabalhar, ver pessoas, falar, fazer meu trabalho e não só ser mãe. Ser mãe é incrível, mas não sou só mãe, tbm sou mulher e profissional, então sentia a enorme necessidade de voltar ao meu mundo de antes, lógico q com muitas ressalvas e outros horários, mas não me arrependo. Acho q se ficasse em casa e fosse só mãe, ia pirar…

  8. Raiane disse:

    Bom eu não trabalha quando fiquei gravida e hoje com minha filha de 2 anos estou louca pra fazer alguma coisa da minha vida pra mim sabe não que eu não ame ficar com minha filha mas quero fazer algo pra mim gostaria muito de trabalhar . Meu problema é outro meu esposo tem, medo que eu vá trabalhar e deixe ela e também tem ciúmes fico muito dividida não sei o que faço .. 🙁 Sei que o post nem fala sobre isso mas queria desabafar…

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Raiane,

      Converse com seu marido, mostre a necessidade que você está sentindo e o quanto você ficará feliz com isso. Mesmo que seja um trabalho em casa, que você possa conciliar com a filha. Porque a independência que isso te dará é maravilhosa!

      Bjs e boa sorte,

      Nívea

  9. Michelle Galvao disse:

    o que eu faco por favor me ajuda volto a trabalhar daqui a algumas semanas estou muito triste por deixar minha filha o meu problema maior é que ela nao pega a mamadeira ta sendo uma luta me ajudar

    • Nívea Salgado disse:

      Michelle,

      Minha dica é: teste várias mamadeiras, até que ele aceite uma. Há muitos bebês que gostam da MAM, porque ela tem um toque muito macio. Minha filha se adaptou super bem e recomendo a marca (não ganho absolutamente nada para isso, ok?). Boa sorte!

      Bjs,

      Nívea

  10. haja coração hehe …Estou para voltar ao trabalho,mas o coração de mãe pede p/ não voltar.Só de pensar em ficar longe algumas horas ja fico angustiada.Em pensar q/ outra pessoa vai olhar cuidar,se vai fazer tdo igualzinho eu faço.O sentimento é medo de deixa-la com outra pessoa.É pedir a Deus e ouvir o coração sempre :)Que Deus e Nossa Senhora me ajude a tomar esta decisão 🙂

  11. graças a Deus estou podendo ficar ao lado do meu bebe até ela completar 1 ano,esta com 7 meses! mais não vejo a hora de voltar a trabalhar…

  12. Giselle Ruiva disse:

    Só voltei por necessidade, para poder conquistar coisas pela minha filha, mesmo… Se não fosse preciso, ficaria em casa, resgataria minha identidade de outras formas. Feministas me condenem, mas minha maior realização é no papel de mãe!

  13. ALINE SANTOS disse:

    Estou sentindo na pele este momento. Passo diariamente por um misto de ansiedade e insegurança. Retorno ao trabalho no final deste mês e, se não fosse funcionária pública, sairia do trabalho. Pude curtir sete meses (seis de licença e um de férias),mas ainda acho pouco. Meu filho está na fase de descobertas e é triste saber que não serei mais a primeira pessoa a participar de suas aventuras neste admirável mundo novo.

    • Nívea Salgado disse:

      Aline, fique tranquila, no fim tudo dá certo. Após um período de adaptação, nós ficamos bem, eles também, você vai ver.

      Bjs,
      Nívea

  14. Núbia Lima disse:

    Nossa, estou a 15 dias de voltar e não consigo ficar em paz com a decisão que preciso tomar: deixar o bb com a sogra ou na escolinha que fica próxima ao trabalho. Ela mora distante de casa, acredito que será cansativo inclusive porque pretendo ir dar mama no almoço, mas por outro lado temo que a escolinha não o trate com carinho, que não tenham paciência para ministrar o leite materno no copo. Meu Deus que angustia.

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Núbia,

      Isso só você pode decidir. Como eu sempre digo: ouça seu coração, pense no que é melhor para o filhote, que dá tudo certo!

      Bjs,

      Nívea

  15. Acho que ninguém tem que te condenar, não! Quem mais sabe o que é melhor para si e para sua família do que uma mãe? Realizar-se no papel de mãe é um grande presente, vc só tem minha admiração!

  16. Oi, Li, boa sorte na sua decisão. Ouça seu coração, que dá tudo certo. Bjs

  17. Deborah disse:

    O meu trabalho é em outra cidade, e sou servidora pública. Não consegui uma transferência ainda, e acho que terei que deixar minha filha na minha cidade por dois dias seguidos sem mim. Não gosto nem de pensar nisso, nem meu marido. Estou tão triste, mas tão triste… Se fosse possível não voltar para lá…

  18. Joelma disse:

    Estou lendo e chorando 🙁 pois , mes q vem volto p o trabalho e deixo o meu pequeno em casa. Que Deus cuide dele e que ele nao sinta a minha falta.:( prefiro assim.

  19. Adorei o texto!
    O duro é quando queremos ficar em casa com o bebê mas, a situação financeira não permite!!

  20. Minha filha está com 3 meses e já estou começando a me preparar para voltar..o meu problema eh não saber o que fazer pois ela só fica comigo e não aceita ficar com mais ninguém.. nem com minha mãe que eh quem vai cuidar dela..alguma dica do que fazer??

  21. Oi, Fernanda, tudo bem? O que tenho percebido nesse tempo de maternidade é que os pequenos acabam se adaptando, mesmo que nós achemos que será difícil. Tente deixá-la um pouquinho com sua mãe, mas saia de perto – se ela perceber que você está ali, não vai aceitar outra pessoa mesmo. Eu senti muito isso com Catarina (comigo próxima era MUITO difícil ela ficar com outra pessoa. Mas quando eu me distanciava, ela ficava uma santa com os outros!).
    Grande beijo, boa sorte!
    Nívea

  22. Evelyn Marcelli disse:

    Eu voltei de licença maternidade há 1 mês, mais ou menos. Não vou dizer que é a melhor experiência da minha vida, pois, como citado, nos sentimos “menos mãe” por ter que deixar os pequenos em outras mãos, mas, por outro lado, racionalmente falando, se estamos trabalhando é por esses pequenos que vão nos desmontar quando chegarmos em casa com aquele olhar puro. E outra, passamos a dar mais valor para cada segundo ao lado do bebê, pois o tempo em que ficamos longe cria saudade.

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