Se o berço da minha filha falasse…

Por 18 Comentários


Hoje, enquanto colocava Catarina para dormir, fiquei ao lado do berço segurando sua mãozinha, pensando em todos os momentos que já passei naquele mesmo local. Para mim, nenhum outro lugar representa tão bem o que é ser mãe quanto aquele metro quadrado da casa. Logo que cheguei da maternidade, coloquei a pequena para descansar em seu quartinho, e o sentimento era um misto de contemplação (que milagre era aquele que tornava real um bebê tão perfeitinho?) e de medo (de não saber cuidar da minha filha, de que ela regurgitasse e eu não estivesse por perto, de que ela simplesmente parasse de respirar – o que pode parecer exagero para quem nunca foi mãe, mas é compreensível para aquelas que já seguraram seu pequeno e indefeso filhote nos braços pela primeira vez). Foi ali, ao lado do berço, que eu me senti mãe pela primeira vez: sem as visitas da maternidade para fazer festa, sem as enfermeiras que ajudavam na amamentação, por minha conta e risco, responsável pela vida que se apresentava diante dos meus olhos!

Imagem: 123RF

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Ao lado do berço eu senti aquele aperto no peito, chamado de solidão. Que chegava de mansinho e quando eu percebia, já tinha deixado meus olhos marejados. E também a apreensão de ver um filho doente, respirando com dificuldade ou vomitando todo o jantar. Foi também ali que senti o cansaço das sucessivas noites em claro. Foram meses em que Catarina só dormia embalada em meu colo, os braços dormentes por sustentá-la por longos períodos. Cheguei a chorar de tão exausta e saudosa do tempo em que dormia sem interrupções. Eu achava que aquelas seriam as piores noites que eu passaria ao lado do berço, mas nada se compararia àquelas em que tentei ensinar a pequena a dormir sozinha. Cinco noites foram suficientes para me mostrar que eu nunca conseguiria aplicar as técnicas de choro controlado com a filhotinha. Eu me sentia deixando-a desamparada, o que era pior do que passar supostas mil madrugadas em claro ninando-a. Mas essa decisão me custou olheiras e muitos fios de cabelos brancos, até que o milagre das noites não-interrompidas começou a acontecer.

Por outro lado, foi pertinho do berço que senti a alegria de vê-la se sustentar em suas perninhas, segurando nas grades para tentar ficar em pé. E que passei a receber a coisa mais doce que uma mãe pode ganhar: um beijo pela manhã! É lá também que eu agradeço por mais um dia vivido e pelo enorme aprendizado que aquele ser tão pequenininho veio me proporcionar. E que desejo do fundo do coração que ela cresça feliz e trilhando o caminho do bem.

Ah, tem mais! Ali ao lado do berço eu mostrei meu lado de mãe-maluquinha. Que acessa o Facebook com uma mão, enquanto a outra está presa pela filhota (e que você só vai conseguir tirar vinte minutos depois que ela dormiu, senão a danada acorda!). E que num rompante de maluquice pula para dentro do berço, para brincar de cabaninha (preciso dizer que a pequena foi ao delírio?)!

Se o berço da minha filha falasse, teria muitas histórias para contar! E aí na sua casa, também?




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Comentários (18)

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  1. Danyelle Oliveira disse:

    Mal posso esperar para "o berço da minha casa começar a reunir as histórias mais lindas"! Em setembro deste ano chega meu primogênito, o Davi. A maternidade é sem dúvida a experiência de amor mais sublime que se pode viver, sinto-me em verdadeiro "estado de graça". Adoro acompanhar o blog, parabéns pelo lindo depoimento, felicidades para a família!

  2. Lindo e emocionante seu texto… Aqui em casa não existe muito essa "magia do berço", pois minha filha Beatriz fez alguns rodízios de camas, rs. Quando chegou do hospital era muito pequenininha, não tive coragem de coloca-la em seu quarto; dormia no carrinho ao meu lado. Depois, ela teve um berço desmontável que tb ficava no nosso quarto. Com 10 meses ela foi dormir no quartinho dela, mas de vez em quando ela nos visita à noite.
    Mas com certeza, em qualquer lugar ao lado dela, dormindo ou apenas deitadinha, eu posso ficar horas contemplando aquele rostinho angelical. Fiz isso muitas vezes e ainda faço! E agora, com um ano e 10 meses, ao acordar, ela me chama… isso não tem preço! Ganhar aquele beijo então…
    Adoro seu blog, realmente me emocionei com a leitura de hoje! Beijos pra vc e sua Catarina!!

  3. Simone Ruggiano de Souza disse:

    Descrição perfeita do que a beirada de um berço representa para uma mãe !!! É ali que ajudo minha pequena a adormecer todos os dias (após niná-la nos braços é claro rsrsrs), é ali que faço minhas orações e imploro à Deus pela saúde e felicidade dela, é ali que admiro o milagre que Deus proporcionou pra minha vida e ali aprendi que tudo tem seu tempo (desde a aceitação dela pelo berço até ela adormecer sozinha nele), cansaço, lágrimas (de ambas), desespero, alegria, e sentimentos que eu nem conhecia…ficar ali na beirada do berço e poder admirá-la dormindo bem e tranquila, me traz paz, me eleva, me enche de amor !!! Chegar hoje na beirada do berço e vê-la sorrir me faz uma pessoa melhor, me enche de luz !!!

  4. Daisy disse:

    Vi essa foto no seu instagram essa manhã, qdo eu estava amamentando…. e percebi q vc dormiu tarde ontem. Com certeza tudo isso q vc escreveu aqui no blog passou pela tua cabeça ontem a noite, enquanto fazia sua filha dormir… estou certa? Só quem é mãe sabe tudo o q isso representa. Lindo o seu texto, emocionante e realista, escrito com o coração de mãe.

    • Nívea Salgado disse:

      Daisy, de fato eu dormi bem tarde naquele dia! E você está certa: tudo isso que escrevi passou na minha cabeça ao fazer Catarina dormir. Obrigada pelo carinho de sempre!
      Beijos,
      Nívea

  5. Stela Maris disse:

    Que lindo Simone Ruggiano de Souza!!!

  6. Danyelle Oliveira disse:

    …embora eu tenha certeza de que vou sentir saudades de todas as experiências lindas que estou vivenciando na gestação! (Risos!)

  7. Juliana Rocha disse:

    Nossa Si, que lindo, chorei pra variar…saudades…beijão

  8. Shirley disse:

    Amei seu texto. Lindo, emocionante, verdadeiro. Fazia tempo que eu não conseguia vir aqui comentar, mas sigo lendo os posts, diariamente. Beijos!
    Shi

  9. Simone Ruggiano de Souza disse:

    Saudades tb Ju … bjãoooo em vcs duas.

  10. Oi, Danyelle, a gravidez é uma delícia, mas nada se compara às experiências com nossos filhos! Que o Davi seja muito bem vindo! Um grande beijo, espero sempre sua visita por aqui!
    Nívea

  11. Nossa, suas palavras também me emocionaram, Simone! Grande beijo para você e para a sua pequena!

  12. Ah, aquele beijão que a gente recebe é a coisa mais gostosa no mundo!!! Obrigada pelo carinho com o blog! Um grande beijo,
    Nívea

  13. Disse tudo, é como se descrevesse tudo que passei com o Miguel, foram momentos muitas vezes desesperadores, mas curti com intenso orgulho por ter gerado um ser que me ensinou ser uma pessoa melhor e que vê o mundo com outros olhos, me ensinou o que é dividir, o que é amor eterno e incondicional, me ensinou a viver melhor. Quando você fala de ficar olhando pra ver se ele esta respirando isso também acontece comigo, já comentei com médicos pois achava isso um absurdo mas eles me disseram que isso é normal só não pode atrapalhar o sono do bebe, com isso compreendi o que minha mãe sentia quando a gente saia de casa e não tinha hora para voltar e ela ficava acordada a noite toda esperando até que o ultimo filho estivesse em sua cama. Sobre eles dormirem sozinhos, é dificil mesmo, até hoje eu deixo meu esposo sozinho no nosso quarto e vou dormir com o Miguel no quarto dele é o melhor companheiro………

  14. NOSSA MUITO LINDO VC DISSE TUDO POIS É ASSIM MESMO QUE DEUS ABENÇÕE VC E SUA FAMÍLIA ………

  15. Ah, Heloisa, é isso mesmo, quando a gente vira mãe entende porque as nossas mães não dormiam enquanto não chegássemos em casa! Ser mãe é cuidar sempre! Obrigada por contar sua história, amei! Bjs, Nívea

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