Quem tem medo das princesas?

Por 17 Comentários


Reservei-me o direito de compartilhar com vocês hoje alguns pensamentos. Sabe aquele dia em que você está especialmente inspirada para filosofar? Pois é, ele aconteceu e trouxe consigo algumas reflexões de deixo aqui registradas. Vocês que acompanham o blog sabem que com frequência eu cito produtos e ideias que envolvem o universo das princesas. E às vezes me sinto na contramão da blogosfera materna, que anda bastante reticente com o assunto. Muitas pessoas (que, aliás, tem o meu profundo respeito) têm se mostrado preocupadas com o “culto às princesas” a que nossas filhas são submetidas. Será que não estaríamos estimulando uma geração de meninas passivas, à espera do príncipe encantado, e com padrões de beleza bem diferentes da nossa brasilidade (afinal a maioria das princesas tem feições que mais se assemelham à européia)?

Não, eu não vou negar que mal a pequenina começa a andar, já pipocam mil e um itens com a imagem das princesas disponíveis para compra. É a mesinha para pintar, as caixinhas para decorar o quarto, a caneca, o pratinho, a bolsinha… Num piscar de olhos, sua casa pode se transformar em um castelo habitado por Branca de Neve, Cinderela, Rapunzel, Bela, para citar apenas algumas. Mas vou ser bastante sincera com vocês: aqui em casa não tenho problema algum em deixar minha filha Catarina brincar de princesa ou gostar de produtos que façam referência a elas. E sabem por quê? Porque eu acredito na força do exemplo materno, e acho que ele é muito mais importante para o desenvolvimento de uma menina do que a imagem de um DVD. Vamos a alguns pontos:

* Um estudo mostrou que meninas gostam mais das princesas antigas (como Branca de Neve, Cinderela, Bela Adormecida) do que das mais modernas (que se apresentam como mulheres muito mais ativas e que buscam por si só sua felicidade). Mas eu me pergunto: por que essas meninas têm essa preferência? Será que suas próprias mães não apresentaram essas princesas com mais entusiasmo, apenas porque fizeram parte da sua infância? Será que se nós, mães, valorizássemos mais os aspectos de independência e força das princesas mais atuais (e estou falando das princesas Disney, especificamente), nossas filhas também as olhariam com mais atenção?

* Por mais que uma menina goste de uma princesa “das antigas”, acredito que a mãe (ou avó, enfim, a mulher que a cria, que a alimenta, que a acolhe) seja sua maior referência para tocar a vida. Não importa que Cinderela e companhia fiquem esperando o príncipe, não trabalhem fora e vivam a cantar. O que ficará para ela é a mãe que batalha no dia-a-dia, que cuida da família, que muitas vezes se divide entre o trabalho dentro e fora de casa. Sou de uma família em que mulheres são batalhadoras, minha bisavó já trabalhava fora, tinha uma profissão. Então nunca vi a vida de princesa como algo desejável, apenas como um sonho de menina, que um dia vai crescer e vai sair por aí, lutando para desbravar seus horizontes. Mas enquanto se é criança, por que deixar de aproveitar essa magia?

* Princesas são bem educadas, solícitas, carinhosas… E eu não vejo problema algum nesse tipo de comportamento. Aliás, acho uma pena que meninos não brinquem de príncipe! Quem sabe assim não teríamos mais homens sensíveis, dispostos a comprar a briga por sua amada, que apreciam música, que gostam de dançar juntinho?

Ah, para terminar eu não poderia deixar de contar sobre a minha princesa favorita. Ela luta contra lobos, protege seu bom e velho pai, é culta (já leu mais de mil livros) e consegue enxergar a beleza existente no coração de uma fera. Acho que de bobinha e submissa ela não tem nada! Mas e você, o que pensa sobre o assunto? Sua filha brinca de princesa?

bela

 




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Comentários (17)

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  1. Daniela disse:

    Ni, eu não vejo problema algum de a Laura brincar de princesa, até incentivo, acho um mundo tão mágico, tão lúdico, infantil…. adoro!

    mas EU não brinquei muito de princesas, não assisti filmes Disney, não sei quem é quem… eu não sei o nome de nenhuma princesa, pode??? Quer dizer, sei da Branca de Neve e Chapeuzinho Vermelho (que não é princesa, desculpa), mas de resto… não conheço história nenhuma. Áh, a Cinderela tbm, mas ela tem nome??? Quem é Aurora???

    Então, como EU não sei nada, acabo não ensinando, mas sempre compro para a Laura saber… a gente aprende juntas. Tenho adorado.

    Beijos grandes, querida!!

  2. Lizzie disse:

    Vixe, quanta neura das mães modernas hein? heheheh
    Esses dias vi o texto de uma outra mãe blogueira que tava surtando porque a professora da escolinha deu um (UM!) pão de queijo pra sua filha (que só come estritamente comida natureba) numa festinha da escola. Gente, pelo amor de Deus, a criança não vai ter as artérias entupidas nem ficar obesa do dia pra noite só porque come esporadicamente uma guloseima!
    Assim são com as princesas. Acho muito válida a idéia das nossas meninas se inspirarem nas princesas, que como você disse, inspiram as boas maneiras (inclusive tem até livros delas com esse tema) do que se inspirarem nas figuras públicas que temos hoje por aí, vide panicats e mulheres frutas!
    Agora dizer que a menina vai ser uma mulher passiva por ter brincado de princesa na infância é surtar ao extremo né? Pelamor!
    Eu particularmente gosto mais das princesas modernas, e mostro muito pra minha filha a Princesa Valente! Até porque o nomezinho dela é Valentina e ela adorou a relação com a princesa! heheheh
    Beijos!

  3. Lizzie disse:

    Desfoquei um pouco o assunto (Princesas Disney)… rsrs
    Mas a Princesa do filme Valente é um show! Olha só essa resenha do filme e veja se não são valores muito legais que são passados através de uma história de princesa?

    http://www.youtube.com/watch?v=j6cfX-XjiG8

    Beijos!

    • Nívea Salgado disse:

      Lizzie,
      Eu também ADORO o filme Valente! Para quem tem filha, é impossível ver sem chorar! Quando termina a gente quer abraçar demais a cria, não é?
      Bjs,
      Nívea

  4. Patricia disse:

    Amava os filmes da Disney quando criança, em especial a Bela e a Fera. Nem por isso sou uma pessoa fútil, vazia e submissa.
    Acho que há neura demais por aí.
    Como você disse, nada melhor que o exemplo da vida real para inspirar nossas filhas.
    Por outro lado, não gosto de coisas com personagens. Roupas, decorações…Mas isso é o meu gosto. Quando minha filha ficar maiorzinha, se gostar, não me importarei que ela tenha coisas com essa temática!

    Beijos!

  5. Amanda Pauline disse:

    CONCORDO PLENAMENTE! Eu amo as princesas, acho lindas, gentis e maravilhosas. Esse ano vou levar minha pequena de três anos à Disney só para vivenciar a magia de perto. Aí é que está: as princesas são pura magia, fantasia, sonho, e até hoje nunca conheci uma menina sequer que, por gostar das princesas, acha que o que acontece nas histórias vai acontecer com elas no futuro. Isso é subestimar a inteligência e a capacidade da criança de diferenciar o mundo de fantasia do mundo real.
    Concordo com você também, Lizzie.

  6. Renata Bianca disse:

    Adorei o post!

  7. Karina Routman disse:

    Adorei o post!
    Minha filha está nesta fase, gosta dos desenhos e eu ainda assisto com ela. Mostrar oq cada uma tem de bom e fazer a minha princesa sonhar, ñ com príncipes, mas com a magia, o encantamento, acho q ñ vai fazer mal. Oq eu acho q ñ faz muito bem, é mergulhar nesse mundo……ter tudo das princesas, quarto completo, roupas, acessórios, etc……..mas um pouquinho de princesa ñ faz mal a ninguém…….rs…..A festinha dela vai ser das princesas…….rs

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Karina,
      Concordo com você que só viver de princesas também não é legal. Afinal, as crianças têm um mundo inteiro para descobrir, não é mesmo?
      Estimular brincadeiras múltiplas é um hábito muito saudável, na minha opinião.
      Um grande beijo,
      Nívea

  8. Adorei o post e concordo! O exemplo vale mais que mil histórias!

  9. Adriane Câmara disse:

    Olá Nívea!

    Gostei muito do seu post (aliás, gosto muito do seu blog, leio com muita frequência), porque me fez pensar em aspectos que eu nunca havia pensado. Este assunto das princesas também era (acho que ainda é)um tabu para mim. Possuo alguma formação como pesquisadora, especialmente na área de Gênero, Educação e Sexualidade. Na linha de pesquisa que fiz meu Mestrado, muitos são os trabalhos que analisam e criticam as animações da Disney e as suas princesas (entre outros produtos culturais, como outras animações, programas de TV, revistas, etc..).
    Hoje eu sou mãe e de uma menina. Simplesmente AMO ser mãe de uma menina, mas durante a gestação (e até hoje, 05/05/2013) sempre me preocupei em NÃO oferecer produtos (ou qualquer outra referência)das princesas, especialmente da Disney. Assim como as demais mães (e fundamentada pelas teorias e pesquisas acadêmicas) eu assumi a “neura” e, de forma alguma, minha filha seria comparada a uma princesa…! Submissa, bobinha, ingênua, cansativa, afetada… era isso o que eu pensava e, a partir do seu texto, vou pensar diferente, vou olhar diferente.
    Acho que um dos aspectos mais interessantes do seu blog é oferecer para nós, mamães, uma importante contribuição: na criação dos filhos, é muito possível que NÃO exista uma relação de “causa e efeito”. Vc traz esta contribuição em vários outros posts. Não é porque deixamos o filhote dormir conosco que ele vai ficar dependente, inseguro. Não é porque oferecemos um produto das princesas (qualquer que seja), que nossa filha logo será submissa, afetada, mimada… isto é subestimar nossos filhos! É achar que eles são como robôs, que não serão capazes de elaborar seu próprio conhecimento e forma de ver o mundo! Quantas coisas nos foram oferecidas, ao longo da vida, e que não demos a menor atenção?
    Tudo vai depender da forma como conduzimos a criação dos nossos filhos e isso é muito mais amplo do que uma relação de causa e efeito. É o que vc disse: são os nossos exemplos diários!
    Adorei a forma como vc enxerga as princesas, e ainda vou pensar muito no assunto. Muito obrigada pelo seu blog!

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Adriane, agora sou eu quem tem a agradecer, fiquei emocionada com seu comentário. Obrigada pelas palavras tão gentis, e sendo você uma pesquisadora na área de Gênero, Educação e Sexualidade, trazendo uma contribuição enorme para o blog!
      Como você disse, de fato acho que as relações causais que ocorrem com nossos filhos não são óbvias. Eles são tão mais espertos do que nós podemos imaginar! Claro que devemos respeitar sua personalidade em formação, dando oportunidade para que cresçam em um ambiente seguro e cheio de amor. E percebendo que nosso exemplo é mais importante do que mil palavras.
      Novamente, obrigada pelo retorno, é um dos maiores estímulos que tenho para continuar a escrever!
      Grande beijo,
      Nívea

      • Adriane Câmara disse:

        Oi Nívea,

        Se depender de mim, você continuará a dividir com todas nós o seu excelente bom senso!

        Um abração.

        Adriane.

  10. Tatiana disse:

    Oi! Gostei muito desse seu espaço! Minha filha também se chama Catarina e vai fazer 4 aninhos em agosto! E adora princesas, barbie, Valente…!!! Ela adora vê-lãs de vestidos longos e lindas! Acabei aprendendo a fazer penteados diferentes nela pois me pede bastante! A única coisa que não gosto muito nesses filmes é o fato de às vezes os diálogos serem um pouco exagerados… Um exemplo é no filme da Cinderela onde o rei chama o assistente dele de “idiota” com bastante vontade assim como a Grizelda que fala algumas vezes “gato idiota”… E Catarina adora repetir isso! Mas não tem jeito. Não podemos criar nossos filhos numa bolha e o que faço é mostrar pra ela que não devemos falar assim com as pessoas e etc… Mas também assisto todos os filmes com ela! Parabéns!!!!

  11. Sigrid disse:

    Bacana o texto! E me diz uma coisa, que tal um MENINO brincar de princesas???? Pois é, eh o que está acontecendo lá em casa he he he! bjoo

    http://truquesmaternos.blogspot.com.br/2013/10/arthur-quer-brincar-com-as-princesas.html

  12. Michele Dantas disse:

    Eu amei este post!!! Penso bem por aí…. Parabéns pelo blog!!

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