Culpa de mãe: você também sente?

Por 15 Comentários


Quando um bebê chega ao mundo, nasce também uma mãe. Cheia de amor, de zelo por seu filhote, de dúvidas, e também de culpa. Na minha opinião, mãe de primeira viagem se sente mais culpada: porque nunca cuidou de um filho, não sabe se está fazendo o certo, e qualquer desvio do que ela achava ser um exemplo de maternidade a ser seguido é motivo para a danadinha se manifestar. E mãe de segunda, de terceira, não tem culpa? Ah, deve ter sim! Mas nada como a experiência para que saibamos lidar melhor com o mundo ao nosso redor e com nossos sentimentos. Você também sente essa coisa doída chamada culpa de mãe? Vamos discutir um pouco o assunto?

 

Definitivamente, há mães que se sentem mais ou menos culpadas do que outras. Há aquelas que não se sentem culpadas em absoluto. A essas, meu recado de alerta: provavelmente você está se envolvendo menos com as questões do seu filho do que deveria. Não, não quero que mãe alguma se morda com esse sentimento, só acho que ele é normal para mães que vestiram a camisa da maternidade (normal, ouviu? Sua mãe sentia, sua avó, suas amigas que já são mães, mesmo que não confessem!). Acho que tem mesmo um jeito de não sentir culpa alguma: é fingindo que o filho não é seu. Ele bateu nos outros? A culpa é da escola que não educou direito. Está magrinho e se recusa a comer? Culpa da babá que não tenta o suficiente na hora de dar a comida.

Mas você que parou para ler esse post aqui, provavelmente não faz parte desse grupo, não. E quer saber? Sinta-se feliz por sentir culpa! Porque só mostra que você se preocupa com seu filho, que o ama, que quer o melhor para ele. Aí você pensa: “quer dizer que estou fadada a me sentir assim então?”. Ah, acho que dá para se trabalhar internamente, para que nas horas em que o sentimento aparece, você possa relaxar e se lembrar de que você é a melhor mãe que poderia ser. Quer ver?

 

Culpa por não ter amamentado

Com toda a informação que existe hoje sobre os benefícios da amamentação, se você não conseguiu amamentar seu filho no peito, é bem possível que se sinta mal por isso. Eu amamentei Catarina até os 9 meses, mas ao final do primeiro mês tive que entrar com o complemento (ou seja, mesmo amamentando, senti uma culpa enorme!). Como é que eu não produzia o leite necessário para ela?

Caras leitoras, eu fiz de tudo para aumentar minha produção de leite. E mesmo assim não foi o suficiente. Talvez porque eu estivesse tão cansada e esgotada com uma criança que chorava o dia inteiro (era o dia inteiro mesmo!), que meu corpo chegou ao limite. E admitir para você mesma que você também tem um limite, só vai te ajudar a superar a culpa. É claro que, quando se fala em amamentação, você tem que ter persistência (porque dói no começo, racha o peito, tira lágrimas dos olhos. Ou seja, tem que ampliar seus limites. Mas se você deu o seu melhor e mesmo assim não conseguiu, bola pra frente. Tem muito bebê que cresceu à base de fórmula e que está super saudável, correndo por aí. Por que com seu filho vai ser diferente?

 

Culpa por trabalhar fora

Chegando o fim da licença maternidade? Hora da culpa de mãe que trabalha fora se manifestar. Essa para mim passou rápido, porque percebi que eu era uma mãe infinitamente melhor trabalhando meio-período fora do que mamãe em tempo integral. Porque quando eu estava com minha filha, eu estava de verdade, brincando, pulando, dando bronca, amamentando, trocando a fralda, e fazendo tudo o que eu fazia antes. Só que também mais plena, porque tinha feito algo por mim, pela minha carreira (egoísmo? Não, para mim apenas o reconhecimento de uma necessidade pessoal). Se você trabalha em tempo integral, pode ser mais difícil, porque fica com um tempo mais limitado com a cria. Quem sabe não é hora de mudar de emprego? Mesmo que seja para ganhar menos? Muitas mulheres optaram por isso (inclusive eu, que antes de Catarina trabalhava o dia inteiro), e não se arrependeram (fica mais difícil pagar as contas, mas tudo tem um preço, não é mesmo?). Não dá para mudar? Então não se entregue à culpa, faça que seus momentos com seu filho valham o dobro, o triplo! Esqueça o celular, o computador, e outras distrações da vida moderna. Esteja 100% com ele. E isso quer dizer dar bronca e limites também, porque isso também faz parte do amor de mãe, concorda?

 

Culpa pela birra do filho

Mãe nenhuma quer filho mal educado. E basta ele se jogar no chão ao berros pela primeira vez, que lá vem a culpa bater à porta de novo! Já me perguntei inúmeras vezes onde eu estava errando com a educação da filhotinha. Nessas horas, respire fundo, pense que testar os limites faz parte do desenvolvimento de toda criança. E que a manifestação dela só quer dizer que você está, sim, fazendo seu papel de mãe. Porque se você desse tudo o que seu filho pede, certamente ele não estaria berrando, concorda? Mas se o problema é que nessas horas seu filho se torna agressivo, reflita sobre o porquê disso (não adianta tapar o sol com a peneira, nem jogar a responsabilidade para a babá, a professora, etc). Será que ele não está precisando mais da sua atenção? Será que não há algo o incomodando? Será que não está reproduzindo um padrão que vê no seu convívio? Então, não é hora para culpa, é sim de colocar a mão na massa e agir, com paciência, com limite, com muito, muito amor.

 

Culpa por seu filho estar triste

Nas horas em que o filho está caidinho, chorando, coração de mãe aperta, como se fosse faltar o ar. Mas não é motivo para culpa. Você realmente é a responsável para tristeza do seu filho? Se for, sacode a poeira, faça diferente e se desculpe (mãe também erra!). Ele está triste porque foi contrariado? Aí, a culpa não cabe mesmo! Educação em primeiro lugar. Agora, é por outra condição da vida? Então reconheça que você, mãe, é do tamanho de um grão de areia, frente ao mundão lá fora. Não dá para controlar tudo, botar o filho debaixo das asas pra sempre. Mas dá para ficar junto, ajudá-lo a levantar. Não tire as pedras do caminho dele, ensine-o a retirá-las. Assim, você cria um filho forte, que dependerá cada vez menos de você. E estará preparado cada vez mais para os obstáculos da vida.

 

É claro que é fácil falar, o difícil é fazer. Mas se você não tentar, já sabe desde agora que não vai conseguir. Não seria a maternidade um exercício diário de auto-aperfeiçoamento?

 

* Esse post foi inspirado no encontro da Campanha Culpa, Não! da Revista Pais e Filhos. Lá eu conversei com muitas mães, e foi tão importante perceber que no fundo todas temos sentimentos tão parecidos! Se eu pude, através desse texto, clarear um pouquinho do seu sentimento, valeu a pena ter escrito!

 




Arquivado em: Papo de mãe Tags:

Comentários (15)

Trackback URL

  1. Fatima disse:

    Concordo com vc, a culpa nasce junto, na hora do parto, ou até antes, logo que sabemos da gravidez e já nos culpamos porque não percebemos antes e pintamos o cabelo… e coisas do gênero.

    Não tem jeito de nos livrarmos dela, apenas de aprendermos a conviver, sem ficar neurótica.

    Beijos!

  2. Viviane Petri disse:

    Adorei… Nos mães sentimos culpa por muitas coisas, com certeza vou me policiar mais, aprender a conviver com a culpa não, e saber que estou sempre fazendo o que acha que é o melhor para ele. Bjs
    Vivi e Isaac
    http://isaacparasempre.blogspot.com.br/

  3. Cristine Cabral disse:

    Adorei as suas colocações. Atendo várias crianças as quais a única questão a ser trabalhada é o excesso de culpa das mães, que com medo de por "traumas" (e ter que carregar essa culpa por toda vida) não conseguem por limites aos seus pequenos.
    Outro ponto que dei muito valor foi a questão dos sentimentos. As mães não estão permitindo que os filhos conheçam sentimentos como frustração, tristeza, raiva. E se não sentem não aprendem a lidar com eles. :/
    Parabéns pelo texto. Certamente voltarei.
    http://psicomaes.blogspot.com.br/

  4. Adorei as suas colocações. Atendo várias crianças as quais a única questão a ser trabalhada é o excesso de culpa das mães, que com medo de por “traumas” (e ter que carregar essa culpa por toda vida) não conseguem por limites aos seus pequenos.
    Outro ponto que dei muito valor foi a questão dos sentimentos. As mães não estão permitindo que os filhos conheçam sentimentos como frustração, tristeza, raiva. E se não sentem não aprendem a lidar com eles. :/
    Parabéns pelo texto. Certamente voltarei.

  5. Graziela disse:

    Ai gente, culpa é uma coisa complicada.
    Eu trabalho das 00h as 6h… trabalho enquanto meu filho dorme, achava que era o melhor pois teria o tempo dele acordado com ele… e realmente tenho… salvo o horario que eu preciso dormir pra trabalhar de novo e ele está acordado!!!
    Meu marido tbm trabalha de madrugada, por isso o meu horário… e graças a Deus minha mãe fica com meu filho enquanto eu estou trabalhando e qdo eu estou dormindo…
    Ele vai fazer 1 aninho e vai pra escolinha no começo do ano… vai ficar mais fácil pra mim, pq tem dia q eu não durmo pra ficar com ele, ou se ele tem consulta médica, ou fica doente.. eu q corro atraz de tudo tbm!!! Eu q dou banho, dou almoço, faço a comidinha dele…
    Mas no auge da energia dele.. ele está com a minha mãe… Resultado… ele já fala vovó… mas ainda não fala mamãe.
    Eu choro horrores por isso… mas faz parte.
    Não dá ainda pra sair da madrugada… mas pelo menos ele chama minha mãe de vovó e não de mãe.. acho q eu morria com isso.
    Só um desabafo…
    bjus a todas.

  6. Oi Nívea,

    O que é uma mãe se não uma culpa em pessoa?

    Culpa por não ter amamentado, culpa por trabalhar fora, culpa por ficar em casa, culpa por ter suas vontades e não querer brincar no chão – sim, é a culpa que mais assola: A de ter suas vontades, ainda existimos –
    culpa por não ter dado autonomia pro filho ficar mais "esperto", culpa por não tê-lo ensinado cedo a ir na fruteira e morder uma fruta, ou não ter se lambuzado de macarrão…

    E essa culpa, embora pese mais nas mamães, não é só dela. O pai também sente essa culpa.. Pelo menos vejo aqui em casa…

    E Amém para todas as culpas. No fundo, o que importa são as intenções em querer acertar, o que importa é o amor que é gratuito e 24hs, o que importa é ser honesto com os filhos e deixá-los perceber isso. O que realmente importa, é que embora errando – pois ninguém é perfeito, seja mãe ou outro ser – a gente tenta fazer o melhor…

    Mas de qualquer forma é ótimo refletir, porque podemos amenizar certas "culpas" que sentimos se equilibrarmos e contornarmos certas coisas também. Porque talvez estejamos "pecando" mais em alguns pontos.

    Agora por exemplo, comecei a ler o seu artigo. Maria me chamou para ir pra varando com o papai, procurar besourinhos…

    – Vem mamãe, procurar besourinhos com a gente

    – Já vou minha filha… Mais 5 segundos e saí correndo… Só o começo do texto serviu para não me sentir culpada com seu chamado se eu não fosse…

    Acabei de ler agora – Ela está dormindo…

    Beijos querida e sucesso por aqui… Felicidades com sua família.. com sua Catarina…

    Não sei se lembra, mas estive lá na "roda" de discussão neste domingo no chata do "Papo de Mãe"….

    Teresinha Nolasco – (Mãe da Maria Clara)

    Blog: "Bolhinhas de Sabão para Maria"
    http://bolhinhasdesabaoparamaria.blogspot.com.br/

  7. como foi esclarecedo;isso acontece comigo que ja sou mãe de terceira viagem..sensação que me acompanha em todos meus momentos…mas acabo de descobrir que ser mãe é isso mesmo;amor incondicional capaz de se ignorar e jamais ignorar o fruto do nosso ventre!!! amo meus filhos…josué, maria luiza e meu bebe que ainda gero…que seria de mim sem eles?

  8. Lay Adan disse:

    Nossa, me vi nesse texto, sinto tantas culpas que chega o coração dói, mas a principal culpa é porque tenho que trabalhar e estudar.

  9. Estou me sentindo mais culpada á voltar a trabalhar agora com a chegada da minha segunda filha,do que da primeira vez. Amei o texto,passei e estou passando por tudo de novo,mais amo ser mãe !

  10. Marlúcia disse:

    Olá…amei o texto, e comecei esta leitura porque estava me remoendo de culpa… uma das diversas que carrego comigo… porque elas são inúmeras. A vontade que tenho é de voltar e fazer tudo diferente… mas como não posso, tento aliviar minhas culpas…
    Um abraço a todas as mães, que assim como eu se sentem culpadas por algo que fez ou deixou de fazer por seus filhos…

  11. Sim, eu também tenho culpa de mãe. Todos os dias.
    Tanto que acabei fazendo um post com um exemplo prático:
    http://somelhora.com.br/index.php/2015/11/17/culpa-em-cabeca-de-mae-exemplo-pratico/

  12. Nazaré Brito disse:

    Adorei o texto porque é verdadeiro e fala de um sentimento comum às mães. Por isso quero registrar aqui que é muito difícil não atribuir culpa a nossa responsabilidade.
    A culpa é inerente a maternidade e acho que ela faz com que estejamos sempre atentas nas diferentes fases dos nossos filhos para darmos o suporte necessário para o crescimento deles.
    Os bebês confiam em suas mães e por mais que, em algum momento, aconteça alguma “falha” eles têm certeza que suas mães vão reparar o que quer que seja. E tudo volta a um estado ideal e mais fortalecido.
    Essa confiança é conquistada na medida em que a mãe atende as necessidades do seu bebê e isso acontece… desde sempre.
    Deixo aqui esse registro não só como mãe, mas também como profissional que estuda os bebês e suas mães.

  13. Eloy disse:

    Ola mamaes…
    Escrevo mais como um desabafo, poishoje estou me sentindo muito culpada.
    Sou mãe de 4 filhos que dei a luz, e um que adotei, não que tenha diferença entre eles, mas a cada seis meses,sou lembrada que ele não me pertence, pois só tenho guarda provisoria. Bom mas não é só por conta disso que me sinto culpada, mas pelo jeito que as coisas andam.
    meu filho mais velho completa 15 anos em maio, e minha filha completou 7 anos.
    Eu dei 200,00 para meu filho comprar um presente que ele quisesse.
    E pra comemorar os 7 anos da minha filha, eu aluguei uns brinquedos, fiz uma pequena festinha.
    No decorrer da festinha, vi que minha pequena só chorava, ficava fazendo birra pra nao ser fotografada. Pois quase nao conseguia chegar nos brinquedos, pois crianças maiores tomaram conta.
    Hoje meu filho de 15 anos fez um desabafo, disse de sempre penso mais nos pequenos, que ele fica por ultimo, não ligo pra ele…
    Tentei justificar, disse: filho você tem 15 anos, seus irmãos são pequenos, precisam mais de atenção. Eu não trabalho, só temos a renda do seu pai, não posso lhe dar tudo o que quer.
    Ele me disse com os olhos cheios de lagrimas, MÂE EU SÓ QUERO VOCE.

    Acontece que eu tenho feito tudo errado, não prestei atençâo nas fases dos meus filhos, mesmo estando 24 horas com eles, dei mais valor em afazeres do lar,e dizer o que pode fazer, e o que não pode fazer.

    TENHO 2 FILHOS QUE ANIVERSARIAM NO MES DE MAIO, DOIS NO MES DE JULHO, E 1 NO MES DE SETEMBRO.

    Não consegui tratar eles individualmente, sempre fiz uma festinha e cantava parabéns para os dois.
    mas um completa 15 um rapaz
    outro 7 anos uma menina
    a outra menina faz 10 anos em julho, e um menino que faz 5 anos. não tem como comemorar junto, mas eu não enxergava até hoje.
    Aniversario uma data tão importante, pra ficar guardada nas lembranças deles,eu estragava.
    Meu filho disse que era a pior data da vida dele.
    Hoje ja me esvaziei de tanto chorar.
    Peço que por favor, me deem idéias de como reparar isso…
    o que faço pra tratar cada um com individualidade, ser mãe de um por vez? me ajudem… minha culpa não vai me deixar, se eu não ver o sorriso,e o brilho nos olhos dos meus pequenos outra vez.
    Parece que mesmo perto, estive longe, não me dei conta. Pensava que era uma boa mãe.
    mas não tenho sido.

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Eloy,

      Sinta um grande abraço no seu coração. Se eu pudesse sugerir algo, é que você diga exatamente isso para seus filhos, e que tudo o que você deseja é ser uma boa mãe para eles. Quando eles sentirem que isso é sincero, tenho certeza de que as mágoas se dissiparão.

      Grande beijo, boa sorte!

Deixe seu comentário

Receba nossas dicas por e-mail