O que deixar…

Por 2 Comentários


Este post é um candidato ao Melhor post do Mundo, da Limetree.

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Os últimos dias têm sido frios em São Paulo. Após tempos guardado no fundo do armário, retirei o cachecol azul de tricô para fazer parte do figurino. Impossível deixar de pensar em minha avó todas as vezes em que o uso, afinal ele faz parte da herança que recebi há dois anos, quando ela faleceu. Lembro-me do telefonema da minha tia, perguntando se eu gostaria de ficar com alguma coisa. Respondi que ficaria feliz com algo azul, a cor favorita dela. Combinava com seus olhos, e por eu ter recebido seus genes recessivos, também com os meus.
Vovó não chegou a saber da notícia da minha gravidez, que esperei por mais de um ano. Em resposta à minha ansiedade por engravidar, ela respondia, com a sabedoria de quem já tinha vivido oito décadas, que a vida tinha seu próprio tempo para se manifestar. “Sim, minha neta, porque seu filho virá quando corpo e alma estiverem prontos. Acostume-se à ideia de que você não poderá determinar seu nascimento, assim como não poderá definir seus pensamentos, ou suas decisões”. E não é que ela tinha razão? Ainda que minha filha seja tão pequena, percebo que ela não é minha, e sim do mundo. Mesmo não podendo decidir por onde seus passos seguirão, posso mostrar um caminho que considero seguro. E enquanto ela aprende a andar, deixo que caminhe ao meu lado, para fortalecer suas próprias pernas. E a ajudo a levantar das quedas, às vezes a erguendo, e outras deixando que faça isso por si mesma, para ganhar confiança.
Não poderei escrever seus discursos, mas posso demonstrar desde cedo que palavras gentis derrubam muralhas. E que muitas vezes o silêncio, ou um sorriso, dizem mais do que mil palavras. Não poderei evitar todos os nãos que a vida lhe falará, mas posso ensiná-la que nem sempre sua vontade prevalecerá, e que isso não é demérito algum. Muito pelo contrário, que superar esses momentos a deixará mais serena e determinada. Não poderei escolher seus amigos, mas posso mostrar que a amizade verdadeira é sentir na felicidade do outro a sua própria. Não poderei dizer por quem seu coração baterá, mas ao olhar para os meus olhos, ela poderá ver como é o brilho de quem encontrou alguém para dividir todos os seus dias. E se ela prestar atenção, bem ali no fundo, poderá enxergar ainda mais: que a luz mais intensa vem do amor, de quem vê a vida florescer nos olhos do filho.
Minha avó teve cinco filhos, dez netos e, até agora, quatro bisnetos. E mesmo naqueles que não conviveram com ela, sua presença se faz, seja na cantiga familiar no Natal, na receita do biscoito de fécula de batata, nas histórias que deixou.
E você, o que vai deixar para seu filho, e para os filhos dele? O cachecol, a cor dos olhos, o livro de receitas, as memórias de uma vida repleta de exemplos?

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Caros amigos do Mil Dicas de Mãe,
Espero que tenham gostado do post. Se ele trouxe lembranças da sua família, se fez você pensar no passado e no futuro, se você sentiu que o amor pelo seu filho, pelos seus pais, pelos seus avós bate incessante no seu peito, peço que votem nele para o concurso “O melhor post do mundo”!

Como votar (é MUITO fácil):

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Um grande beijo,

Nívea



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Comentários (2)

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  1. Finalista do Melhor Post do Mundo! : Mil dicas de mãe | 14 de agosto de 2012
  1. Myriam Scotti disse:

    Oi, Nívea! Lindo post e me fez lembrar demais da minha avó, que também não conseguiu me ver grávida, como ela tanto queria…mas, ela está tão presente em meus pensamentos e nas minhas ações como mãe, que nem parece que ela já se foi.

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